Abrindo Trilhas
A Trajetória e os Desafios da Gestão Indígena
Entrevista com Ercivaldo Damsokekwa
A entrevista com Ercivaldo Damsokekwa, intitulada O Que Abre Trilhas, é um depoimento fundamental para compreendermos os desafios enfrentados por gestores indígenas em espaços institucionais ainda marcados por epistemologias hegemônicas.
Sua trajetória é atravessada por lutas, resistências e pela necessidade constante de afirmar modos de pensar e administrar que dialoguem com os conhecimentos e práticas dos povos indígenas.
Damsokekwa compartilha as dificuldades de ocupar cargos de gestão em instituições que, apesar de discursarem sobre diversidade, muitas vezes não se abrem verdadeiramente para outras formas de conhecimento.
Ele evidencia como a estrutura burocrática e os processos decisórios continuam sendo conduzidos por uma lógica que exclui epistemologias indígenas e dificulta a implementação de políticas mais alinhadas às necessidades reais dos povos originários.
Ao longo da conversa, reflete sobre o peso da responsabilidade de ser um gestor indígena nesses espaços e as barreiras que enfrenta para criar mudanças estruturais.
Fala das tentativas de inserir perspectivas indígenas na gestão, enfrentando resistências tanto institucionais quanto políticas, que tentam reduzir a presença indígena a uma representação simbólica, sem transformações efetivas.
Seu depoimento reforça a importância de pensar a gestão indígena não apenas como ocupação de cargos, mas como um movimento de ruptura com modelos coloniais de governança.
Ele aponta para a necessidade urgente de mudanças nas políticas institucionais, que devem ir além da inclusão formal e promover uma verdadeira reestruturação epistemológica, onde a reciprocidade, o cuidado comunitário e outras formas de tomada de decisão sejam reconhecidas e aplicadas.
A entrevista com Damsokekwa é, portanto, um convite para refletir sobre o impacto da gestão indígena nos espaços institucionais centrais e sobre os caminhos que precisam ser abertos para que essas presenças não sejam apenas toleradas, mas fundamentais na reconstrução de uma sociedade verdadeiramente intercultural.