Diálogos Latinos: Fortalecendo Redes de Saberes Indígenas na América Latina
Conteúdo Bilíngue
Maclovio Quintero Alvarez
A sessão Diálogos Latinos da Revista Pihhy é um espaço de encontros e trocas entre intelectuais, ativistas e artistas indígenas de toda a América Latina.
Aqui, diferentes vozes compartilham suas lutas, saberes e criações, promovendo diálogos que fortalecem as redes de conhecimento e reafirmam a interculturalidade como caminho para um mundo mais justo e plural.
Nesta edição, contamos com a participação dos professores e professoras Maclovio Quintero Alvarez, Lizbeth Luis Cruz e Mtro. Cruz Hernández, da Escola Primária Indígena “Plan de Ayala” C.C.T.: 21DPB0429J, do Ejido de Nactanca, Xicotepec, no estado de Puebla, México.
O Ejido de Nactanca, no estado de Puebla, faz parte da organização agrária e comunitária característica do México rural. Como ejido, Nactanca se rege por um sistema de propriedade social da terra, resultado dos processos históricos de reforma agrária que marcaram profundamente a vida camponesa e indígena do país ao longo do século XX.
Puebla se localiza no centro sul do México: a leste da Cidade do México, cerca de 120 km da capital mexicana. Ao norte e a oeste, faz fronteira com o estado do México e a Cidade do México. Ao sul, faz fronteira com Oaxaca e Guerrero. A leste, faz fronteira com Veracruz.
O ejido não é apenas uma figura jurídica: é também um espaço de vida coletiva, no qual o território, o trabalho e as decisões são organizados de forma comunitária.
Em Nactanca, como em muitos ejidos de Puebla, a assembleia ejidal desempenha um papel central, pois é nela que se tomam as decisões sobre o uso da terra, a gestão dos recursos naturais e os assuntos que afetam a comunidade como um todo.
Essa forma de organização fortalece valores como a cooperação, a corresponsabilidade e o respeito aos acordos coletivos.
Do ponto de vista cultural e social, o Ejido de Nactanca está inserido em uma região com forte presença de saberes indígenas, onde práticas agrícolas tradicionais, conhecimentos sobre o clima, o solo e as sementes, assim como formas próprias de organização comunitária, continuam sendo fundamentais para a reprodução da vida local.
A agricultura de subsistência e em pequena escala, o trabalho familiar e o vínculo estreito com o território seguem sendo eixos importantes da identidade comunitária.
O o ejido representa uma reserva de experiências comunitárias valiosas para pensar alternativas de sustentabilidade, justiça social e defesa do território.
Nesse sentido, o Ejido de Nactanca pode ser compreendido como um espaço onde se entrelaçam história, território, cultura e resistência, e onde a vida comunitária continua sendo uma base fundamental para a construção de futuros possíveis a partir do local, do coletivo e do intercultural.
Eles nos apresentam um conjunto de atividades escolares desenvolvidas no âmbito do projeto Milpas Educativas – Laboratórios Socionaturais do Buen Vivir. Trata-se de uma proposta pedagógica profundamente enraizada nos conhecimentos de seu povo, articulada às demandas coletivas e territoriais da comunidade.
As atividades partem das práticas culturais ligadas à roça, entendida não apenas como espaço produtivo, mas como território de aprendizagem, memória e relação com a vida. As crianças participam ativamente desses processos, aprendendo desde cedo a cosmologia, a língua e os modos próprios de compreender e habitar o mundo a partir do território.
O projeto Milpas Educativas afirma a educação como prática comunitária, vinculada ao território e aos saberes ancestrais, rompendo com modelos escolares descolados da realidade local.
Ao integrar conhecimento, cultura, natureza e coletividade, as experiências apresentadas por Maclovio evidenciam caminhos possíveis para uma educação intercultural comprometida com o Bem Viver e com a formação integral das novas gerações.
En español
En esta edición, contamos con la participación del profesor Maclovio, de Puebla, quien presenta un conjunto de actividades escolares desarrolladas en el marco del proyecto Milpas Educativas – Laboratorios Socionaturales del Buen Vivir. Se trata de una propuesta pedagógica profundamente arraigada en los conocimientos de su pueblo, articulada con las demandas colectivas y territoriales de la comunidad.
Las actividades parten de prácticas culturales vinculadas a la milpa, entendida no solo como un espacio productivo, sino como un territorio de aprendizaje, memoria y relación con la vida.
Las niñas y los niños participan activamente en estos procesos, aprendiendo desde temprana edad la cosmología, la lengua y las formas propias de comprender y habitar el mundo.
El proyecto Milpas Educativas afirma la educación como una práctica comunitaria, vinculada al territorio y a los saberes ancestrales, rompiendo con modelos escolares desvinculados de la realidad local.
Al integrar conocimiento, cultura, naturaleza y colectividad, las experiencias presentadas por Maclovio evidencian caminos posibles para una educación intercultural comprometida con el Buen Vivir y con la formación integral de las nuevas generaciones.