“ Vamos buscar as palhas no buritizal para realizar um ritual, a fim de que as novas gerações conheçam.”
PLANEJAMENTO DE TEMA CONTEXTUAL
NOME DA ESCOLA: Escola Estadual Indigena Central Áiha - EEIC-Áiha
TURMA: 6° ano, Ensino Fundamental
TEMA CONTEXTUAL: Agigi (Festa de Tamanduá Mirim)
PROBLEMATIZAÇÃO:
O presente trabalho busca pesquisar, registrar e levar para sala de aula a história da prática do ritual Agigi (Festa de Tamanduá Mirim), visto que, nos últimos tempos, ele deixou de ser realizado na comunidade.
Como consequência disso, as crianças e jovens já não conhecem mais seu significado, sua função e sua importância cultural.
Essa prática era realizada todos os anos, bem no início da queda do fruto de pequi – trata-se de um momento ritualístico para que o pequi produza grande fartura na próxima temporada de safra.
O pequi é um alimento de importância fundamental para o povo Kalapalo, o que torna a preservação desse ritual de suma relevância para a manutenção de sua cultura e subsistência.
O ritual é animado e integra toda a comunidade: jovens, homens, mulheres e, em certos momentos, as crianças participam ativamente, fortalecendo os laços entre as gerações e celebrando coletivamente sua identidade.
No entanto, diante do contato intenso com os centros urbanos, dos avanços tecnológicos, das pressões capitalistas e de outras influências externas, muitas práticas culturais tradicionais acabam sendo negligenciadas ou abandonadas, ficando para trás no fluxo do tempo.
Portanto, é extremamente importante registrar, documentar e valorizar esse conhecimento. Essa ação não só assegura que as novas gerações possam conhecer e reviver suas próprias tradições, mas também preserva a memória viva dos mais velhos, garantindo que esse patrimônio cultural não se perca e continue a alimentar, no sentido amplo, o futuro do povo.
Além disso, o registro serve como um instrumento de resistência e afirmação cultural, permitindo que os Kalapalo recontem sua própria história, em suas próprias palavras, e fortaleçam sua autonomia e orgulho identitário.
OBJETIVOS
Este trabalho tem como objetivo ensinar aos alunos sobre o ritual agigi, abordando a confecção de palha na forma de desenho da agigi (tamanduá), os cantos e regras que orientam sua prática. Além disso, busca-se registrar e documentar esse conhecimento tradicional por meio da fotografia e da escrita, bem como estimular a continuidade dessa prática, de modo que as novas gerações possam conhecer, valorizar e fortalecer essa manifestação cultural Kalapalo.
PESQUISA:
A pesquisa será realizada na aldeia, junto com os sábios e sábias detentores do conhecimento tradicional que orienta essa prática cultural.
Serão pesquisadas as regras, cantos, os significados simbólicos e as técnicas utilizadas na preparação dos materiais e na confecção da palha em formato de desenho da agigi (tamanduá mirim), principalmente representação da cabeça e nariz do tamanduá mirim.
Essa pesquisa será desenvolvida de forma dialógica e participativa, envolvendo alunos e mestres, mediada por mim, com objetivo de promover troca de saberes e experiências entre gerações.
No diálogo, serão abordadas: a história dessa prática, sua importância para o Povo Kalapalo e as transformações ocorridas nos últimos tempos.
No que diz respeito a esse ritual, eu, enquanto discente e pesquisador, busco aprofundar meus conhecimentos para compreendê-lo de forma mais detalhada. Até o momento, sabe-se que esse ritual era realizado anualmente, no início da queda de frutos de pequi, com o intuito de alegrar os espíritos que habitam os pés de pequi. Durante realização do ritual, os participantes dançam em fila, posicionados um atrás do outro.
O primeiro da fila, que segue à frente da fila, fica com desenho de tamanduá feito de palha de buriti, a dança ocorre em frente às casas da aldeia, percorrendo todas elas, até completar a volta e retornar ao pátio central, local onde o ritual teve início.
Nesse ritual participam homens, mulheres e jovens. As mulheres desempenham um papel específico: ao tocarem o nariz do desenho, quando os dançarinos tentam entrar na casa, a festa é temporariamente interrompida. O primeiro da fila permanece responsável por proteger a continuidade do ritual, garantindo que a celebração não se encerre antes do momento adequado. Após essa pausa, o grupo segue para outra casa, repetindo o mesmo procedimento até completar todas as voltas previstas.
Ao final, o ritual é encerrado, sendo tradicionalmente realizado uma vez por ano. No entanto, para uma melhor documentação e compreensão desse ritual, torna-se necessário aprofundar as pesquisas sobre sua história, função social, bem como seu significado cultural e ambiental para o povo Kalapalo.
CRONOGRAMA:
| Segunda-feira | Terça-feira | Quarta-feira | Quinta-feira | Sexta-feira | |
|---|---|---|---|---|---|
| Descrição geral da aula | Introdução geral do tema contextual. | Aula de campo: expedição ao buritizal. | Aula prática: preparação de materiais. | Aula prática: confecção de palha e prática de ritual. | Roda de conversa, reflexão e avaliação final. |
| Descrição das atividades Ações da aula/professor/a Ações dos/as estudantes | Apresentação do tema contextual para os alunos na sala de aula. Depois da contextualização geral, serão iniciadas as atividades: ancião contando a história, regra, função e significado desse ritual. Anotação no caderno, pelos alunos, para eles fazerem perguntas depois da palestra. | Professor e sábios levam os alunos para o buritizal para buscar as palhas, mostrando como devem ser retiradas. Sob nossa orientação, os alunos vão aprender como se tira essa palha. | A aula será levada para o centro da aldeia, na casa dos homens, para envolver os demais membros da comunidade. O professor fica na parte de facilitação das atividades junto ao ancião. Os alunos vão fazer preparação sob supervisão do ancião e do professor. | Continuação da atividade já na parte de confecção de palha em formato de cabeça e nariz do tamanduá mirim. os alunos farão essa tarefa, com orientação do ancião e do professor. Após essa etapa, praticamos o ritual em si, antes da prática de fato. | Retorno para sala de aula, para fazer roda de conversa com ancião, se possível, com a comunidade a respeito do tema contextual abordado e praticado com ancião. Na sequência, produção da reflexão teórica e, por fim, avaliação final oral. |
| Recursos que serão utilizados | Slide, notebook, caderno, lápis e caneta. | Facão, corda. | Faquinha, lima, palha. | Palha de buriti | Caderno, lápis e caneta. |
CALENDÁRIO:
Esta atividade pedagógica tem como objetivo articular práticas educativas com o calendário socionatural do povo Kalapalo, valorizando os saberes tradicionais e possibilitando que as novas gerações conheçam, compreendam e fortaleçam esse conhecimento ancestral, transmitido historicamente pelas famílias e pela comunidade.
Nesse período, correspondente ao início do verão, época de começo de chuva, diversas plantas frutíferas entram em fase de frutificação, como o caju-do-campo, a macaúba, a mangaba e, principalmente, o pequi.
Essa abundância de frutos também atrai diferentes animais silvestres, como tatu, paca, cutia e aves como papagaios, maritaca, curica, periquitos, que se deslocam para essas áreas a fim de se alimentar, evidenciando a relação de equilíbrio entre a natureza, os seres humanos e os demais seres vivos.
Ademais, nessa época, a comunidade se prepara para colheita de pequi.
Dessa forma, a realização desta atividade torna-se extremamente relevante, pois contribui para que os alunos compreendam a importância do calendário socionatural, reconheçam os ciclos da natureza e fortaleçam o respeito e a valorização de sua cultura, identidade e modos próprios de viver e aprender.
AVALIAÇÃO:
A avaliação será de forma contínua e processual, considerando o envolvimento e o desenvolvimento dos estudantes ao longo de todas as atividades propostas.
Serão observados, especialmente, a participação ativa dos alunos nas atividades práticas, demonstrando interesse, iniciativa e compromisso com as ações desenvolvidas.
Também será avaliada a colaboração nas rodas de conversa, valorizando a escuta atenta, respeito às falas dos colegas e a contribuição com reflexões e conhecimentos compartilhados.
Além disso, será considerada a compreensão do tema em seu contexto cultural, bem como o entendimento da história, das regras e sua prática ritualística, evidenciando a capacidade dos estudantes de relacionar os conteúdos trabalhados com os saberes tradicionais e culturais envolvidos.