Contra o epistemicídio, uma revista revolucionária
Naine Terena
A Revista Pihhy chega a sua 12o Edição, cumprindo o objetivo para o qual foi criada: ser um instrumento potente de luta contra o epistemicídio e um caminho para fortalecer a Lei 11.645/08.
Criada dentro do Programa Intercultural indígena, da Universidade Federal de Goiás, a revista reuniu uma expressiva quantidade de conhecimentos indígenas em formatos diversos, a fim de reelaborar as potências e presença de pessoas indígenas dentro desta e de outras Instituições de ensino superior.
Esse primeiro ato, consolida a conexão entre os saberes do chão das comunidades e residências indígenas com os critérios e aparatos desenvolvidos dentro das Universidades para consolidar a figura do indígena-pesquisador, ao mesmo tempo em que coloca em debate o caráter mais empírico e racional destas Instituições, a fim de oferecer possibilidades de que reconheçam tecnologias sociais e de pensamento, que se baseiem principalmente em relações do ser humano e a natureza, entendendo sua importância para enfrentar desafios sociais no século XXI.
Se por muito tempo, fomos tratados como objetos ou informantes, em Pihhy, a função se inverte, para sermos pesquisadores-viventes de nossas próprias experiências.
Para isso, alguns passos foram desenhados e desenvolvidos: o primeiro, para mover o que se pensou em conexão, cultura e pensamento, e estabelecer um fluxo de doze edições online, com livre acesso e que pudesse ser um suporte para as pessoas interessadas em reconhecer as epistemologias indígenas: sistemas de conhecimento autônomos, diversos, produzidos por povos originários e transmitidos pela educação indígena, a educação dos sentidos.
O segundo passo, foi priorizar as autorias, que se debruçam em estudar o conhecimento indígena e transmiti-las através de artigos, desenhos, fotografias, áudios, demonstrando a enorme variedade e capacidade de se apropriar das linguagens para falar de si.
Essa é uma marca potente do que chamo de quarto momento da história indígena, onde, cada vez mais, se conectam experiências em diferentes campos de atuação, para popularizar a existência indígena, saindo do lugar de ‘outro’ da história, para ser personagem ativo e que tem enorme contribuição para o legado do país.
Como “outro”, os indígenas foram invisibilizados – sua existência, conhecimentos e práticas, considerando que, o colonizador nunca nos viu como possuidores de intelectualidade, mas como aqueles que não tinham contribuições, ou similaridades com o seu modo de ser e estar no mundo.
A força da revista se apresenta pela parceria internacional, numa sessão denominada “seção Diálogos Latinos”, com traduções, intercâmbios e afinidades que alinhavam uma perspectiva indígena internacional.
Por fim, a revista registra o seu legado durante o período de sua produção, agora requerendo um lugar no campo dos materiais de consulta fundamentais para todos aqueles que se interessam na história, memória e culturas indígenas.
Cabe ao público apreciá-la, visitá-la e torná-la um instrumento viável e prático para as suas apreensões sobre os povos originários no Século XXI, aproveitando todo o arcabouço criado nesta revista eletrônica, que concatena em cada edição, inúmeras possibilidades de se refletir sobre a história indígena do Brasil e do mundo.