Aldeia-Escola-Floresta
Mestras Delcida Maxakali e Sueli Maxakali
A videoteca COMPOSTO ESCOLA partilha nesta edição da revista Pihhy um mergulho profundo nas escolas vivas do Território Indígena Tikmũ’ũn – Aldeia-Escola-Floresta.
Mestras Delcida Maxakali e Sueli Maxakali
A Aldeia-Escola-Floresta, terra indígena do povo Tikmũ’ũn, localizada no leste de Minas Gerais, nasce do sonho e dos caminhos de ensino da mata, das imagens (koxuk), dos cantos e das memórias vivas.
Abriga, no tempo longo, conhecimentos tradicionais Tikmũ’ũn para trazer de volta bichos, plantas, pássaros, raízes, nascentes, árvores e rios dos yãmiyxop, os povos-espíritos da Mata Atlântica.
A escola, a sala de aula, que as mestras e professoras Delcida e Sueli Maxakali nos fazem ver é o lugar firme desse território (terra, floresta, língua e ritual).
Nas palavras de Sueli, “a terra viva é sala de aula, a árvore é sala de aula, a memória dos mais velhos é sala de aula, o cinema é sala de aula, toda a aldeia é uma escola para nós”.
Ao mesmo tempo é um projeto de longo prazo, de reflorestar matas e pensamentos. Neste sentido, as mestras nos dizem que é a própria aldeia (chão, bichos, águas, yãmiy) que configura e forma jovens estudantes indígenas, artistas e cineastas, afirmando modos concretos de cultivar roças e florestas, memórias e lutas.
Mestra Delcida, mãe de Isael Maxakali e uma das principais anciãs da Aldeia-Escola-Floresta, guarda preservados os deslocamentos do seu povo pelo território, em cantos, histórias, artes ancestrais e sonhos.
Conta, nos vídeos aqui apresentados, seu trajeto como professora, merendeira e outra vez professora na Escola Indígena Maxakali nas reservas em que habitou.
Nasceu em Mikax Kaka; foi a primeira professora indígena em Água Boa, para ensinar a língua e cultura Tikmũ’ũn; viveu anos em Aldeia Verde (enfrentando a falta de água) e foi uma das principais lideranças a decidir pela partida para o novo território (julho 2020).
Sueli Maxakali, mestra, educadora, fotógrafa e cineasta, traduz o modo de habitar e conceber a Aldeia-Escola-Floresta dizendo que cada lugar, cada árvore, cada som da aldeia é escola.
O kuxex, “casa de religião”, é a primeira e principal sala de aula das crianças Tikmũ’ũn.
Para ela, como vemos nesses trechos do Composto Escola, o fazer fílmico e fotográfico, o fazer das missangas e da embaúba, o fazer da escola na aldeia e o fazer ritual partem da mesma memória, da mesma composição viva.
Este material é fruto dos projetos "Escolas Vivas: pedagogias territorializadas e materiais didáticos diferenciados para promoção da interculturalidade como política de educação pública" (Pró-Humanidades/CNPq/nº40/2022) e “Edições Cosmográficas: criação de materiais didáticos interculturais” (Universal/CNPq/Nº10/2023) em consonância com a pesquisa “Notas sobre o luto e imagens descontínuas: filme-poema, filme-ensaio, cartografia fílmica” (UFSB/PIS1243-2023) e foram produzidos na viagem de Arraial d`Ajuda (BA) até a Aldeia-Escola-Floresta (MG), em março/abril de 2024.
FICHA TÉCNICA
Videoteca COMPOSTO ESCOLA
Mestras Delcida Maxakali e Sueli Maxakali
Coordenação: Cacá Fonseca
Concepção: Laura Castro e Cacá Fonseca
Entrevista e Gravação: Cinara de Araújo e Carolina Canguçu
Imagens: Evelyn de Almeida
Som: Nayara Moura
Edição e Finalização: Filipe Britto
Tradução: Marília Librandi e Tyr Peret
Vinheta: Eris Beatriz
Identidade Visual: Tiago Ribeiro