La Tradición Oral en Comunidades Mayas de Quintana Roo, México: Análisis del Discurso.
Conteúdo bilíngue: português/espanhol
José Montalvo
Martín Esquivel
Abel Navarrete
Ka máanene’ le máako’ chilikbal tu kaan táan u yúumbal táan u che’ej.
Glossário:
kool (milpa), importante espaço agrícola e simbólico;
ch’ak kaab (extração de mel), ainda praticado;
ya’axche’ (a ceiba, árvore sagrada dos maias);
Nesta edição, a seção Diálogos Latinos celebra a ampliação dos caminhos que a Revista PIHHY vem traçando na América Latina.
Atravessando fronteiras e criando novas zonas de encontro, fortalecemos agora nosso vínculo com as Universidades Interculturais do México, nesta edição, em especial com a Universidad Intercultural Maya de Quintana Roo, que nos acolhe com sua força ancestral e seu compromisso com a educação crítica enraizada nos territórios.
Universidade Intercultural Maia
A presença da PIHHY nesses espaços é parte de um movimento maior: a revista circulando nas comunidades, interaprendendo, trocando respiros de mundo e germinando brechas e conhecimento.
A cada nova parceria, reafirmamos que saberes indígenas não são apenas conteúdos a serem divulgados, mas práticas vivas que se constroem no diálogo, na reciprocidade e no caminhar conjunto.
Ao nos aproximarmos da Universidade Intercultural Maya, reconhecemos o valor de suas experiências comunitárias, seu modo singular de construir ciência a partir da oralidade, da terra, das línguas originárias e das lutas históricas de seus povos.
Este encontro amplia nossos horizontes e fortalece a missão da PIHHY: ser um espaço latino de circulação de reflexões indígenas, abrindo caminhos para que nossas vozes e nossos pensamentos sigam se encontrando, se entrelaçando e se renovando.
Que esta seção seja, portanto, mais um gesto de aproximação afetiva, política e epistemológica.
Que os diálogos aqui reunidos continuem atravessando território, memória e futuro, e que possamos seguir caminhando juntos na construção de um campo intercultural plural, crítico e radicalmente vivo.
Políticas linguísticas
No estado de Quintana Roo, México, viviam em 2020 cerca de 174.817 falantes de maia iucateque, segundo o INEGI.
No entanto, nos últimos anos o número de falantes tem diminuído devido ao deslocamento linguístico, à influência do espanhol e do inglês (especialmente nas zonas turísticas) e à falta de transmissão da língua às novas gerações.
Este trabalho apresenta resultados preliminares da análise de narrativas orais em língua maia, coletadas por meio de entrevistas com 12 pessoas idosas da comunidade de X-Hazil Norte.
Léxico e Natureza
Os resultados mostram um léxico profundamente ligado à natureza e a ensinamentos de vida, além do uso de termos sagrados para a cultura maia, especialmente relacionados a árvores, numerologia e elementos naturais.
Os números aparecem com frequência, evidenciando sua importância na cosmovisão e nas atividades cotidianas.
Segundo o Instituto Nacional de Línguas Indígenas (INALI), o país reúne onze famílias linguísticas, sessenta e oito agrupações e trezentas e sessenta e quatro variantes, sendo um dos mais diversos da América Latina.
A língua maia, conforme dados do INEGI (2020), é a segunda mais falada entre as línguas indígenas, com cerca de 800 mil falantes. Embora presente em três estados (Quintana Roo, Yucatán e Campeche), o maia iucateque apresenta apenas pequenas variações fonéticas e lexicais, o que facilita a transmissão oral de conhecimentos e o desenvolvimento de narrativas compartilhadas.
Contexto sociolinguístico
O estudo analisa a oralidade para identificar elementos culturais e identitários em comunidades afetadas pela intensa migração para os polos turísticos de Quintana Roo, como Cancún, Playa del Carmen e Tulum.
Para isso, foram selecionadas narrativas de X-Hazil Norte, uma pequena comunidade no centro do estado, focando em narrativas locais que revelam a persistência desses elementos culturais apesar das transformações sociais motivadas pela economia regional.
Pesquisas do INALI mostram que o número de falantes de línguas indígenas no México vem diminuindo desde o século XIX: enquanto cerca de 60% da população era indígena nesse período, em 1895 esse número caiu para 26%, e no início dos anos 2000 apenas 7% permaneciam como falantes.
Entre as causas do declínio, destaca-se a diglossia com bilinguismo (Fishman, 1984), situação em que duas línguas coexistem, mas uma adquire maior prestígio social.
Em X-Hazil Norte, por exemplo, embora a maioria da população seja bilíngue, o espanhol domina os espaços políticos, escolares e religiosos, enquanto o maia fica restrito ao ambiente familiar, às práticas culturais e à oralidade.
A migração para cidades turísticas como Cancún e Playa del Carmen também acelera o abandono da língua, uma vez que muitos habitantes passam a usar apenas o espanhol como forma padrão de comunicação.
Pesquisadores que trabalham com narrativas orais em línguas indígenas, como Montemayor, destacam a complexidade do processo analítico e a necessidade de organizar ritmos, temas, lógica e metáforas para compreender os conteúdos culturais. Estudos anteriores — como os de Ligorred (1992), Preuss (2011) e Pech (2013) — mostram que os contos maias revelam conhecimentos sobre natureza, regras sociais, seres sobrenaturais e modos de convivência que diferem do pensamento ocidental.
A comunidade é majoritariamente maia-falante, com economia baseada na agricultura, apicultura e pequenos trabalhos locais. Muitos jovens migram para áreas turísticas para trabalhar em hotéis, enquanto as mulheres geralmente se dedicam às tarefas domésticas e, ocasionalmente, ao artesanato tradicional.
A pesquisa foi realizada no verão de 2022, quando foram gravadas doze narrativas em língua maia. Os resultados mostram forte presença de elementos culturais e identitários, principalmente relacionados ao kool (milpa), espaço central na vida agrícola, e ao ch’ak kaab, antiga prática de extração de mel.
A natureza aparece de forma constante, com destaque para termos como ya’axche’ (a ceiba, árvore sagrada), k’áax (selva), jaltun (poços naturais) e áaktun (cavernas), revelando uma geografia cultural profundamente integrada à cosmovisão maia.
A numerologia também é marcante: os números 13, 3, 7 e 20 aparecem com frequência, associados ao calendário maia, aos três mundos (céu, terra e inframundo), aos pontos cardeais e aos ciclos cosmogônicos.
Outro traço recorrente é o protagonismo dos animais, como puma, veado, raposa e abutre, indicando seu papel simbólico e ecológico na cultura local.
Por fim, identificou-se um padrão específico nos encerramentos dos contos, que frequentemente terminam com ka máanene’ (“e quando passei…”), revelando a presença do narrador dentro da história — característica distinta das fórmulas de encerramento ocidentais.
Ka máanene’ le máako’ chilikbal tu kaan táan u yúumbal táan u che’ej.
Cuando pasé el hombre estaba acostado meciéndose en su hamaca sonriente.
Ka máane’e, le j t’uupo’ u hiija reey u máatmaj.
Cuando pasé, el hijo menor ya se había casado con la hija del rey
Ka máanene’, but’bil tso’ ku jaantiko’ob.
Cuando pasé, comían pavo relleno.
Ka máanene’, le óotsil cigüeña taak’al u nak’ tumeen ma’ béeychaj u jaantik le jaanalo’.
Cuando pasé, la pobre cigüeña tenía el estómago pegado porque no pudo comer.
Outro ponto relevante é o uso abundante de onomatopeias — como k’a’acha’ k’a’acha’, tan tan, ch’iki’in ch’iki’in — que dão ritmo e intensidade ao relato, diferentemente do espanhol. Também aparece um caso de sincretismo cultural, como no conto do “ch’omak e a cegonha”, no qual a cegonha, ave de origem europeia, é incorporada como parte da fauna local.
Os temas menos recorrentes são a temporalidade e os seres mitológicos, raramente mencionados. A maior parte das narrativas fala sobre animais da região e suas relações com a natureza.
O estudo conclui pela necessidade de fortalecer a transmissão intergeracional dessas narrativas, pois elas carregam conhecimentos ancestrais, práticas cotidianas e instruções implícitas valiosas — como no relato que ensina discretamente como fazer um ovo chocar sem a presença da galinha.
A oralidade maia continua sendo um espaço fundamental de memória cultural e exige mais pesquisas aprofundadas sobre seus elementos estruturais e simbólicos.
La Tradición Oral en Comunidades Mayas de Quintana Roo, México: Análisis del Discurso
Contenido bilingüe: portugués/español
José Eduardo Montalvo Pool
Martín Esquivel Pat
Abel Navarrete Benítez
Ka máanene’ le máako’ chilikbal tu kaan táan u yúumbal táan u che’ej.
Glosario:
kool (milpa): importante espacio agrícola y simbólico.
ch’ak kaab (extracción de miel): práctica aún vigente.
ya’axche’ (ceiba): árbol sagrado para los mayas.
Diálogos Latinos
En esta edición, la sección Diálogos Latinos celebra la expansión de los caminos que la Revista PIHHY viene trazando en América Latina.
Atravesando fronteras y creando nuevas zonas de encuentro, fortalecemos ahora nuestro vínculo con las Universidades Interculturales de México y, en esta edición, de manera especial, con la Universidad Intercultural Maya de Quintana Roo, que nos acoge con su fuerza ancestral y su compromiso con una educación crítica enraizada en los territorios.
La presencia de PIHHY en estos espacios forma parte de un movimiento mayor: la revista circulando en las comunidades, interaprendiendo, intercambiando aires del mundo y germinando brechas y conocimientos.
Con cada nueva colaboración, reafirmamos que los saberes indígenas no son solo contenidos a ser divulgados, sino prácticas vivas que se construyen en el diálogo, la reciprocidad y el caminar conjunto.
Al acercarnos a la Universidad Intercultural Maya, reconocemos el valor de sus experiencias comunitarias y su modo singular de construir ciencia a partir de la oralidad, la tierra, las lenguas originarias y las luchas históricas de sus pueblos.
Este encuentro amplía nuestros horizontes y fortalece la misión de PIHHY: ser un espacio latinoamericano de circulación de reflexiones indígenas, abriendo caminos para que nuestras voces y pensamientos sigan encontrándose, entrelazándose y renovándose.
Que esta sección sea, por tanto, un gesto más de aproximación afectiva, política y epistemológica.
Que los diálogos aquí reunidos continúen atravesando territorio, memoria y futuro, y que sigamos caminando juntos en la construcción de un campo intercultural plural, crítico y radicalmente vivo.
Políticas lingüísticas
En el estado de Quintana Roo, México, vivían en 2020 cerca de 174.817 hablantes de maya yucateco, según el INEGI.
Sin embargo, en los últimos años el número de hablantes ha disminuido debido al desplazamiento lingüístico, la influencia del español y del inglés (especialmente en las zonas turísticas) y la falta de transmisión de la lengua a las nuevas generaciones.
Este trabajo presenta resultados preliminares del análisis de narrativas orales en lengua maya, recopiladas mediante entrevistas a 12 personas mayores de la comunidad de X-Hazil Norte.
Léxico y naturaleza
Los resultados muestran un léxico profundamente ligado a la naturaleza y a enseñanzas de vida, además del uso de términos sagrados para la cultura maya, especialmente relacionados con árboles, numerología y elementos naturales.
Los números aparecen con frecuencia, lo que evidencia su importancia en la cosmovisión y en las actividades cotidianas.
Según el Instituto Nacional de Lenguas Indígenas (INALI), México reúne once familias lingüísticas, sesenta y ocho agrupaciones y trescientas sesenta y cuatro variantes, siendo uno de los países más diversos de América Latina.
La lengua maya, conforme a datos del INEGI (2020), es la segunda más hablada entre las lenguas indígenas, con alrededor de 800 mil hablantes. Aunque se encuentra en tres estados (Quintana Roo, Yucatán y Campeche), el maya yucateco presenta solo pequeñas variaciones fonéticas y léxicas, lo cual facilita la transmisión oral de conocimientos y el desarrollo de narrativas compartidas.
Contexto sociolingüístico
El estudio analiza la oralidad para identificar elementos culturales e identitarios en comunidades afectadas por la intensa migración hacia los polos turísticos de Quintana Roo, como Cancún, Playa del Carmen y Tulum.
Para ello, se seleccionaron narrativas de X-Hazil Norte, una pequeña comunidad en el centro del estado, enfocándose en relatos locales que revelan la persistencia de estos elementos culturales pese a las transformaciones sociales impulsadas por la economía regional.
Investigaciones del INALI muestran que el número de hablantes de lenguas indígenas en México ha disminuido desde el siglo XIX: mientras cerca del 60% de la población era indígena en ese periodo, en 1895 esta cifra cayó al 26%, y a inicios de los años 2000 apenas un 7% seguía siendo hablante.
Entre las causas del declive, destaca la diglosia con bilingüismo (Fishman, 1984), situación en la que dos lenguas coexisten, pero una adquiere mayor prestigio social.
En X-Hazil Norte, por ejemplo, aunque la mayoría de la población es bilingüe, el español domina los espacios políticos, escolares y religiosos, mientras que el maya queda restringido al ámbito familiar, a las prácticas culturales y a la oralidad.
La migración hacia ciudades turísticas como Cancún y Playa del Carmen también acelera el abandono de la lengua, ya que muchos habitantes pasan a utilizar únicamente el español como forma estándar de comunicación.
Investigadores de narrativas orales en lenguas indígenas, como Montemayor, destacan la complejidad del proceso analítico y la necesidad de organizar ritmos, temas, lógica y metáforas para comprender los contenidos culturales. Estudios anteriores —como los de Ligorred (1992), Preuss (2011) y Pech (2013)— muestran que los cuentos mayas revelan conocimientos sobre naturaleza, reglas sociales, seres sobrenaturales y modos de convivencia que divergen del pensamiento occidental.
La comunidad es mayoritariamente maya-hablante, con economía basada en la agricultura, la apicultura y pequeños trabajos locales. Muchos jóvenes migran a zonas turísticas para trabajar en hoteles, mientras que las mujeres suelen dedicarse a las tareas domésticas y, ocasionalmente, al artesanato tradicional.
Resultados
La investigación se realizó en el verano de 2022, cuando fueron grabadas doce narrativas en lengua maya. Los resultados muestran una fuerte presencia de elementos culturales e identitarios, principalmente relacionados con el kool (milpa), espacio central en la vida agrícola, y con el ch’ak kaab, antigua práctica de extracción de miel.
La naturaleza aparece de manera constante, destacando términos como ya’axche’ (ceiba, árbol sagrado), k’áax (selva), jaltun (pozos naturales) y áaktun (cuevas), revelando una geografía cultural profundamente integrada a la cosmovisión maya.
La numerología también es relevante: los números 13, 3, 7 y 20 aparecen con frecuencia, asociados al calendario maya, a los tres mundos (cielo, tierra e inframundo), a los puntos cardinales y a los ciclos cosmogónicos.
Otro rasgo recurrente es el protagonismo de los animales —como puma, venado, zorra y zopilote—, que indica su papel simbólico y ecológico en la cultura local.
Se observó un patrón específico en los cierres de los relatos, que suelen finalizar con ka máanene’ (“y cuando pasé…”), revelando la presencia del narrador dentro de la historia, rasgo que difiere de las fórmulas de cierre occidentales.
Ejemplos de la fórmula ka máanene’
Ka máanene’ le máako’ chilikbal tu kaan táan u yúumbal táan u che’ej.
Cuando pasé, el hombre estaba acostado meciéndose en su hamaca sonriente.
Ka máane’e, le j t’uupo’ u hiija reey u máatmaj.
Cuando pasé, el hijo menor ya se había casado con la hija del rey.
Ka máanene’, but’bil tso’ ku jaantiko’ob.
Cuando pasé, comían pavo relleno.
Ka máanene’, le óotsil cigüeña taak’al u nak’ tumeen ma’ béeychaj u jaantik le jaanalo’.
Cuando pasé, la pobre cigüeña tenía el estómago vacío porque no pudo comer.
Otros elementos
Otro punto relevante es el uso abundante de onomatopeyas —como k’a’acha’ k’a’acha’, tan tan, ch’iki’in ch’iki’in— que aportan ritmo e intensidad al relato, a diferencia del español. También aparece un caso de sincretismo cultural, como en el cuento del ch’omak y la cigüeña, en el que la cigüeña —ave de origen europeo— es incorporada a la fauna local.
Los temas menos frecuentes son la temporalidad y los seres mitológicos, que rara vez se mencionan. La mayoría de los relatos trata sobre animales de la región y sus relaciones con la naturaleza.
Conclusión
El estudio concluye que es necesario fortalecer la transmisión intergeneracional de estas narrativas, ya que contienen conocimientos ancestrales, prácticas cotidianas y enseñanzas implícitas valiosas —como el relato que explica, de manera indirecta, cómo hacer que un huevo empolle sin la presencia de la gallina.
La oralidad maya sigue siendo un espacio fundamental de memoria cultural y exige investigaciones más profundas sobre sus elementos estructurales y simbólicos.
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