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SERGIPE
Rede Cultura Viva Sergipana debate justiça climática e se prepara para 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura
Foto: Governo de Sergipe
Em um espaço de diálogo, troca de experiências e construção coletiva, fazedores de cultura de Sergipe se reuniram na última sexta-feira (30) e sábado (31) para debater cultura, território e preservação ambiental. Isso, sem se afastar do objetivo central da atividade: discutir o futuro da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que reconhece e valoriza a cultura de base comunitária no Brasil desde 2004. A 1ª Teia Estadual de Pontos de Cultura pela Justiça Climática ocorreu no Complexo Cultural Gonzagão, em Aracaju, organizada pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e pela Secretaria Especial da Cultura (Secult), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a Rede Sergipana de Cultura Viva.
Etapa preparatória para a 6ª Teia Nacional Pontos de Cultura pela Justiça Climática, que ocorrerá em março no município de Aracruz (ES), o evento reuniu grupos culturais de todo o estado e integrantes dos governos federal, estadual e municipal, unidos em um pacto federativo pelo fortalecimento de uma das políticas culturais mais importantes do país. Entre os participantes da sociedade civil, foram eleitos 30 delegados e delegadas que representarão Sergipe no debate nacional.
“O fio que a gente puxa para essa Teia nos conduz a uma participação social importante e Sergipe está dando este exemplo. Nós discutimos, a partir dos pontos de cultura, a ideia da desigualdade social e do racismo ambiental. Este é um momento de encontro, de elaboração, de trocas, especificamente de formulação de políticas para que a gente possa garantir a verdadeira governança e sustentabilidade de políticas mais horizontalizadas, que vejam o trabalhador e a trabalhadora da cultura como profissionais e assim sejam reconhecidos, incluídos e remunerados”, afirmou Tião Soares, diretor de Promoção de Culturas Tradicionais e Populares do MinC.
Sergipe conta com 88 entidades e grupos comunitários certificados no Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura. O valor repassado do Governo Federal ao estado e aos municípios sergipanos para investimento na Cultura Viva totalizou mais de R$ 6 milhões neste segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc.
“Este é um momento de promoção e fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva. Temos recursos públicos importantes incentivando essa rede em todo o país e, agora, a realização das Teias estaduais, que elegem delegados para a Teia Nacional e promovem o encontro dos pontos de cultura. É um momento muito forte de diálogo e investimento”, explicou a coordenadora de Planejamento da Cultura Viva do MinC, Carolina Freitas.
O secretário especial de Cultura do estado, Valadares Filho, completou: “é uma iniciativa do governo federal que conta com todo o apoio do governo do nosso estado, para que o fomento à cultura, o debate dos pontos de cultura e a Cultura Viva sejam, cada vez mais, uma realidade em Sergipe. É nesse espaço que o debate se fortalece e se transforma em política pública concreta”. Para o presidente da Funcap, Gustavo Paixão, investir nesses encontros é reconhecer o valor do trabalho cultural que acontece nos territórios.
A representante da Comissão Nacional de Pontos de Cultura, Alice Monteiro, ressalta que um dos objetivos da Teia é debater de forma coletiva e participativa o futuro da Cultura Viva. “É uma alegria compartilhar este momento de consolidação da Cultura Viva, mas, acima de tudo, é um encontro de troca de experiências de cada ponto, em que discutimos as diretrizes e as novas perspectivas para os próximos 10 anos”.
Programação
A Teia sergipana abrigou a realização do II Fórum Estadual de Pontos de Cultura, onde foram eleitos os delegados e consolidadas as propostas para o evento nacional. Os debates foram organizados em três eixos temáticos: Plano Nacional Cultura Viva para os próximos 10 anos; governança da Política Nacional de Cultura Viva; e Cultura Viva, trabalho e sustentabilidade da criação artística.
Além do Fórum, os participantes tiveram momentos de reflexão e troca de experiências sobre o tema geral desta edição: Pontos de Cultura pela Justiça Climática. “A gente falar sobre justiça climática é bastante importante, porque o nosso ponto vem de uma comunidade tradicional de pescadores. E não vivemos sem o meio ambiente. A gente falou de várias questões: como interagir com as comunidades tradicionais, com os nossos pontos de cultura e pontões, e como é que a gente pode contribuir”, contou Givanildo Santana, do Povoado São Braz, comunidade ribeirinha localizada em Nossa Senhora do Socorro, destacando a relação entre território, meio de vida e preservação ambiental.
A Teia também é uma celebração da diversidade cultural. Uma das apresentações foi a do Ponto de Cultura Cia Loucurarte, que apresentou seu trabalho de inclusão e acessibilidade por meio da dança em cadeiras de rodas, reforçando o papel da cultura como instrumento de participação social. Passaram ainda pelo evento os grupos Maculelê Mirim, Tambores do Sertão, Raízes do Forró e Reisado Gregoriano.
Novo Mapa Cultural
Outro destaque da programação foi o lançamento do novo Mapa Cultural de Sergipe, ferramenta que amplia o acesso às informações sobre agentes, iniciativas e manifestações culturais nos territórios. Diferentemente do anterior, o novo mapa conta com geolocalização, dados em tempo real e interface inclusiva.