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LABIC AMAZONAS
Políticas de formação artística são apresentadas em evento de cultura digital em São Gabriel da Cachoeira (AM)
Foto: Stefany Jablonski / @ste.jablonski
Conversas sobre saberes, trocas sobre escolas indígenas e a relação entre cultura e educação. Com essa programação, o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), junto à pro-reitoria de extensão, realizaram o 3º dia do Labic Amazonas.
A manhã da sexta-feira (6) deu destaque para o debate Escolas Indígenas Inovadoras e Práticas Docentes (Lei 11.645), que contou com a participação do diretor substituto de Educação e Formação Artística, Rafael Maximiano; de Dzoodzo Baniwa, educador e pesquisador do povo Baniwa; e Cristine Takuá, das Escolas Vivas.
O Labic Amazonas tem transmissão on-line, acompanhe aqui.
A mesa Escolas Indígenas Inovadoras e Práticas Docentes (Lei 11.645) foi o destaque da manhã. Das 13h às 14h, foi realizada também a mesa Tem fake news na aldeia? Influenciadores indígenas e combate à desinformação, que reuniu Tai Nalon, da Agência Aos Fatos, com Ray Baniwa, comunicador e pesquisador do povo Baniwa, e Ivana Bentes (professora da UFRJ), e debateu estratégias de enfrentamento à desinformação nos territórios digitais.
Durante o debate, gestores do MinC apresentaram algumas das políticas públicas que estão sendo executadas em todas as cinco regiões do país, com destaque para a Revista Phhhy - uma plataforma de conteúdo produzido por indígenas, ação em parceria da Sefli com a Universidade Federal de Goiás (UFG) que está disponível no site do MinC aqui - e também para as políticas que acontecem com o Ministério da Educação (MEC) com a Ação Arte e Cultura nas Escolas de Tempo Integral.

- Foto: Stefany Jablonski / @ste.jablonski
Em sua fala, Rafael Maximiano citou também a importância de se perceber a escola como esse espaço amplo, e que a educação não se dá apenas na sala de aula, mas também nos espaços comunitários, nos locais de mestres e mestras e espaços culturais. "Sobre esse enlace entre cultura e educação, falo aqui um sobre a nossa articulação com o MEC. Dessa relação com escola em tempo integral, que não é só escola em tempo integral, é educação integral em tempo integral. Esse conceito da integralidade, que é o total, o integral é o todo. Então, é uma educação completa, não é só uma educação bancária, como diria o Paulo Freire, é uma educação que envolve tudo, que envolve o espírito, que envolve a cidade, que envolve cultura que envolve a dança, que envolve a música, que envolve tudo. Porque a gente não é só uma pessoa dentro da escola. A gente é uma pessoa que vai à escola, que vai comprar um pão, que vai plantar alguma coisa. O indivíduo é integral, ele é tudo ao mesmo tempo. É uma educação que pensa o todo. E eu acho que esses exemplos que foram trazidos aqui hoje, de educação milenar, é uma coisa milenar que vocês já fazem".
Para Dzoodzo Baniwa, as pedagogias nas escolas indígenas são múltiplas, devem dialogar com as diversidades, interagir com a comunidades, com as culturas que estão nos territórios. "Eu sou educador, pesquisador, a minha formação é física, sou físico e mestre em ciências ambientais. Então, eu acho que primeiro, como eu falei, é entender que o ambiente escola não é só aquele prédio de quatro paredes, mas entender que desde a casa, desde a família, tudo isso é a escola, é o ambiente aldeia. É o que eu chamo aqui de casa-escola e aldeia-território. É apenas quando a educação escolar indígena transformadora nasce quando essas instituições, essas unidades se juntam", apontou.
A coordenadora Cristine Takuá trouxe o conceito de constelações curriculares em contraponto à grade curricular. "As escolas vivas é um movimento que surge dessa inquietação pessoal, de sonhar com escolas mais vivas, mais transformadoras, que respeitem o modo de ser da nossa cultura, do nosso modo de dialogar com os processos de transmissão de conhecimento. Então eu digo que o processo de colonização ele que trouxe consigo a cruz, a cachaça e depois o currículo das escolas, esse currículo quadrado, formatado, com letras e números. E isso atravessou profundamente os nossos corpos, as nossas memórias e os nossos territórios. E nesse processo de mais de 500 anos, aconteceu o adormecimento das memórias, de algumas memórias. Porque eu acredito que memória não morre, memória não queima, memória não acaba, mas ela adormece. Então, eu fui sinalizando, observando ao longo dos tempos muitas memórias importantes das nossas culturas sendo não mais praticadas, deixadas de ser transmitida para as crianças, muitas delas. Então, as escolas vivas, ela surge como uma proposta de tecer uma rede para despertar, promover o acordamento dessas memórias".
Programação
Às 15 horas, a programação continuou com a mesa Culturas Indígenas e Mudanças Climáticas, com Aloisio Cabalzar, do ISA – Instituto Socioambiental. Na sequência, a mesa Negócios Socioambientais, com Luciane Mendes, do Povo Tariano, da FOIRN, e Elizângela Baré, da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN).
E para encerrar o dia, ocorreu a visita à Casa Wariró, com Katilcia Oliveira (Povo Baré), apresentando a força criativa e a sustentabilidade de uma marca coletiva de artesanato e arte indígena que reúne 24 povos do Alto e Médio Rio Negro.Rede de Formação em Cultura Digital – Labic Amazonas.
O evento, que ocorre embaixo da maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira (AM), segue até o dia 8 com a realização de oficinas e ações formativas para a população indígena da região do alto rio negro e para mais de 30 projetos com dezenas de comunicadores indígenas.
A realização é da UFRJ, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), via Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (SEFLI). A ação conta com a parceria do IFAM e da FOIRN, além do apoio do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ e da Mídia Ninja.
Confira aqui a programação completa.