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HOMENAGEM
Jorge Mautner é celebrado com Caetano, Gil e Fernanda Torres em noite de homenagem na Casa de Rui Barbosa
Foto: Reprodução/FCRB
Sob o signo da amizade, a homenagem reuniu nomes como Jorge Mautner, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rubinho Jacobina, Cecília Beraba, Fausto Fawcett, Fernanda Torres e Cláudio Leal em uma noite de música, reflexão e reconhecimento à sua contribuição singular à cultura brasileira.
Na última terça-feira (24), a Fundação Casa de Rui Barbosa foi palco de uma celebração à dimensão artística e intelectual de Jorge Mautner. Em uma noite de casa cheia, o evento reuniu diferentes gerações para reafirmar Mautner, aos 85 anos, como um dos artistas mais singulares do país e um pensador da cultura brasileira. O evento se consolidou como um gesto coletivo de reconhecimento a um criador que nunca se acomodou em formas fixas. A cada fala, a cada música, a cada memória compartilhada, evidenciou-se uma trajetória marcada pela invenção, pela liberdade e por uma profunda reflexão sobre o Brasil.
A programação teve início com a apresentação musical de Rubinho Jacobina e seguiu com a mesa dedicada à presença de Mautner no teatro, no cinema e na literatura, reunindo Fausto Fawcett, Fernanda Torres e Cláudio Leal. Durante os debates, os participantes revelaram a amplitude de uma obra que não se limita a um campo específico, mas se expande entre linguagens. Em sua fala, Fernanda Torres destacou a singularidade que atravessa a formação artística e intelectual de Mautner: “É essa mistura do Mautner, que ao mesmo tempo tem a doçura do candomblé, tem o virtuosismo do violino da Áustria, e ao mesmo tempo o conhecimento terrível do homem.”
Um dos pontos altos reuniu no palco Caetano Veloso, Gilberto Gil e o próprio Jorge Mautner. Entre falas e memórias, o momento devolveu ao público a potência de uma convivência que ajudou a moldar parte essencial da música brasileira. Ao comentar sua parceria com Mautner, Gilberto Gil ressaltou a riqueza criativa desse encontro: “Foi sempre delicioso trabalhar com Jorge, especialmente pela preciosidade das ideias que ele traz, reflexões e poesia que se transformam em versos.”
Na sequência, Caetano Veloso emocionou o público ao relatar a influência de Mautner em sua percepção de identidade nacional: "De todos os amigos em que eu encontrei diálogo sobre essa crença no Brasil, o Mautner é o único que me faz ainda crer nisso e apostar nisso como algo que pode trazer uma luz diferente ao mundo”
A música atravessou a noite como linguagem central, conectando memória e presente. Do repertório sensível de Rubinho Jacobina ao encerramento intimista com Mautner e Cecília Beraba, o palco se transformou em um espaço de partilha e continuidade.
O encerramento se deu com o reconhecimento à sua contribuição singular, Jorge Mautner recebeu a Medalha Rui Barbosa, honraria máxima concedida pela Fundação para aqueles que atuam na preservação da memória e na promoção do conhecimento como fundamento de uma sociedade democrática.
Ao promover o evento, a Fundação Casa de Rui Barbosa reafirma seu papel como espaço de pensamento e de memória, comprometido com a valorização de trajetórias que ajudam a compreender o país em sua profundidade histórica e simbólica. O presidente da instituição, Alexandre Santini, ressaltou que ‘o encontro ocorreu sob o signo da profunda amizade, destacando que em torno de figuras como Mautner criam-se comunidades que fortalecem a cultura nacional.”
A grandeza de Jorge Mautner está em sua força criadora viva, vibrante e pulsante, que continua a inspirar gerações e a marcar as artes brasileiras.Celebrar Mautner é, portanto, prestar o merecido tributo a um ícone da cultura que vive em cada letra, música e trajetória. Viva Mautner, como ecoou em aplausos de centenas de pessoas ao final do evento!
Caetano Veloso e Gilberto Gil conheceram Jorge Mautner durante o período de exílio em Londres. A partir desse encontro, estabeleceram uma relação de colaboração artística e intelectual que resultou na criação de músicas, um filme e em uma troca de ideias com impacto duradouro na cultura brasileira, presente em canções como Maracatu Atômico, O Rouxinol, Lágrimas Negras, Vampiro e Todo Errado. A atriz, escritora e roteirista Fernanda Torres adaptou o conto A química da ressurreição, de Mautner, para o teatro na peça Deus é química, dirigida por Hamilton Vaz Pereira, em 2009. A montagem contou com a participação de Jorge Mautner no elenco.
Fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/201877035@N02/albums/72177720332738232/with/55170199031