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CULTURA E NATUREZA
Escolas Livres: residências artísticas geram trocas de saberes tradicionais
Foto: Divulgação Escola Livre Jardim da Natureza
Cultura e natureza juntas nas residências da Rede Nacional de Escolas Livres do Ministério da Cultura (MinC). De 29 de outubro a 6 de novembro, a Escola Livre Jardim da Natureza (AM), localizada no coração da floresta amazônica, recebeu o Instituto 3 Vermelho para uma vivência de trocas de saberes junto à comunidade Local. Foram dias intensos de vivências, oficinas e rodas de conversa. A diretora de Educação e Formação Artística da Secretaria de Formação Artística, Livro e Leitura, Mariangela Andrade, participou da última residência do ciclo formativo proposto como estratégia de gestão e fortalecimento da Rede.
Na pauta da COP30, que ocorre em Belém (PA), a Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) destaca entidades que atuam com o tema ambiental e fortalecem as políticas de manutenção de conhecimentos ancestrais e a integração com as florestas do Brasil.
O intercâmbio entre as escolas revela a potência da atuação em Rede, os integrantes da escola amazônica puderam compartilhar muitos dos seus modos de transmissão de saber, ao tempo que também conheceram a experiência da Escola Livre de Arte e Cultura Oca do Morro Alto, do Instituto 3 Vermelho (SC), que trouxe para a comunidade escolar saberes tradicionais da Capoeira para compartilhar experiência com a gestão de projetos de cultura.
A diretora destacou a importância de uma Escola que tem anos de experiência também como Ponto de Cultura poder estimular que a escola anfitriã também se cadastre como Ponto de Cultura, confluindo com a Política Nacional Cultura Viva. “Acho que o mais interessante da experiência do projeto Encantar da Floresta, da Escola Jardim da Natureza é a integração entre cultura e natureza e entre gerações de mulheres que sustentam a vida comunitária com sabedoria e beleza” relata a diretora.
Durante a visita, Mariangela também acompanhou o intercâmbio e participou de rodas de conversa, apresentando as políticas de formação do Ministério e tirando dúvidas das Escolas e da Comunidade. Karina Henestrosa, coordenadora da Escola Jardim da Floresta e professora de artes plásticas do projeto, destacou que durante a residência, “ficou evidente como os diferentes setores da comunidade impulsionam uns aos outros, e como a presença da escola residente foi importante no estímulo das crianças da comunidade”.
O presidente do Instituto 3 Vermelho (SC), Chico Rocha, ressalta o êxito da ação. “Uma experiência ímpar. A residência da Escola Livre Oca do Morro Alto (I3V - Floripa) na Escola Livre Jardim da Natureza, no Céu do Mapia, foi uma vivência profunda. Uma verdadeira imersão no cotidiano dos povos da floresta, com ricos aprendizados e trocas, onde o tempo tocou outros ritmos. Dessa vivência, surgiram articulações frutíferas que já começam a se desdobrar no âmbito das duas escolas e na rede que as conecta”.
A conexão nesta residência une Norte e Sul do Brasil, lugares com histórico recente de vulnerabilidade socioambiental, que encontraram na cultura modos de resistência com a manutenção de saberes ancestrais e a integração com o meio ambiente como modo de existir, de fazer e de transmitir conhecimento, perpetuando tradições importantes para a vida. Cultura e Natureza, partes indissociáveis dos modos de fazer e da cultura brasileira.
EP Meio Ambiente do #estudeofunk
A Escola Livre do Rio de Janeiro Viva Brasil e seu projeto #estudeofunk, produtora de funk e programa de aceleração artística com hub na Fundição Progresso divulga EP totalmente dedicado à crise climática com músicas que tratam dos temas discutidos na COP30.
O EP Meio Ambiente reúne faixas que têm tudo para ser trilha sonora de um Brasil que chega à COP30 com a urgência climática como tema principal. Em tempos em que o país vira vitrine das negociações ambientais do planeta, o projeto lançado pelo selo Fundisom ressurge como convite direto à juventude, falando de sustentabilidade com batida dançante e linguagem urbana.
Abrindo o EP, Raízes (de Oxy) propõe a pergunta que também paira sobre a COP30: como você imagina o mundo nos próximos anos? A faixa descreve um planeta à beira do colapso, onde a metáfora das raízes aponta para a necessidade de reconectar-se ao que nos sustenta. 
Em seguida, Amazônia, na voz de Tabatha Aquino, mergulha nos sons da floresta enquanto denuncia destruição, garimpo e a violência contra povos originários. “Se eu pudesse mudaria tudo/ Plantaria árvores e frutos/ Não tem como mudar o passado/ O presente é que move tudo”.
Terra Viva (Kamy Mona) e Pega a Visão (Duhpovo) reforçam o contraste entre paisagens naturais ameaçadas e espaços urbanos marcados por tragédias climáticas. Já “Fortalece Aí”, com Letinzz e Sabrina Azevedo, produzida por Dee-X, convoca a comunidade à ação para mudar o panorama atual.
O funk consciente sempre foi lugar importante de crítica social e o EP Meio Ambiente, do #estudeofunk, amplia esse campo para a pauta climática. Para Vanessa Damasco, Diretora Geral do projeto #estudeofunk, o EP é um gesto direto para a juventude brasileira, que hoje ocupa papel central nas negociações globais sobre clima. “A música é uma poderosa ferramenta de formação de opinião. Essa mensagem é para o futuro dessa galera, que precisa estar completamente atenta à questão do aquecimento global, às ações e consequências da poluição e das queimadas, e das políticas nacionais e internacionais para o meio ambiente”, afirma ela.
O EP traz faixas que conectam diversas periferias, juventudes e o tema da crise climática através da linguagem mais popular do Brasil.
Escola do Campo de Arte e Cultura
A Escola do Campo de Arte e Cultura, que também é um Ponto de Cultura, está localizada no município de Bom Jardim, no interior do estado do Rio de Janeiro, na comunidade rural de Santo Antônio. A organização está presente na COP30, participando da atividade Cultura Viva e Juventudes no Enfrentamento Climático. Nesse espaço, serão exibidos alguns vídeos produzidos por esses jovens comunicadores, e haverá um debate sobre a importância do Protocolo da Cultura Viva como instrumento para fortalecer o papel das organizações culturais comunitárias como políticas públicas de resposta, mitigação e reconstrução diante dos desafios climáticos.
A entidade realizou oficina virtual de fotografia, ofertada de forma online para jovens Agentes de Cultura Viva, vinculados ao Pontão de Cultura Territórios Rurais e Cultura Alimentar. Esses jovens pertencem a diferentes comunidades do campo, das águas e das florestas, e participaram da atividade com o objetivo de desenvolver técnicas de fotografia aplicadas a temas relacionados à defesa do clima, à proteção dos povos e biomas, e à valorização das realidades territoriais onde vivem. 
Durante a oficina, os participantes aprenderam noções fundamentais de composição, luz, enquadramento e narrativa visual, utilizando a fotografia como ferramenta para registrar seus cotidianos, seus territórios e as questões socioambientais que os atravessam. Apesar de ser uma oficina específica de fotografia, ela também funcionou como formação complementar às outras oficinas já realizadas, como roteiro, edição e produção audiovisual. Isso porque a fotografia é um elemento essencial para quem está aprendendo a produzir vídeos e criar conteúdos audiovisuais com maior qualidade e consciência estética.
Toda essa produção está disponível para o público no canal do Youtube Territórios Rurais e Cultura Alimentar TV.
Escolas Livres
Selecionadas em 2023 pelo MinC, via edital de seleção pública, as Escolas Livres de Arte e Cultura são instituições da sociedade civil que atuam no desenvolvimento de tecnologias socioculturais e educativas, gerando impactos sociais que promovem a cidadania em abordagens colaborativas. As entidades participantes da rede nacional atuam em diversas linguagens e territórios, desenvolvendo ações coletivas a partir do fomento de políticas públicas.
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