Notícias
TERRITÓRIOS DA CULTURA
CEUs das Artes e MovCEUs ampliam acesso ao livro e fortalecem a leitura em todo o país
Foto: Filipe Araújo/ Ascom MinC
No Dia Mundial do Livro, celebrado neste 23 de abril, os equipamentos da Rede Territórios da Cultura — como os CEUs das Artes e os MovCEUs — reforçam seu papel na ampliação do acesso à leitura em todo o país. Presentes em territórios com menor oferta de bens e serviços culturais, esses espaços contribuem para aproximar o livro do cotidiano das comunidades.
Os CEUs das Artes, equipamentos públicos culturais entregues pelo Governo do Brasil e presentes em diferentes regiões do país, foram concebidos com bibliotecas integradas como parte de sua estrutura. Atualmente, são mais de 300 unidades em funcionamento, todas com potencial para ofertar espaços de leitura. A esse conjunto, somam-se os MOVCEUs, equipamentos itinerantes que levam livros e atividades culturais a localidades onde o acesso é ainda mais restrito.
Além disso, o país contará, nos próximos anos, com a entrega de mais 227 CEUs da Cultura, atualmente em construção em todas as regiões. Esses novos equipamentos também preveem bibliotecas integradas, o que significará a ampliação significativa da infraestrutura pública de acesso ao livro e à leitura.
Em Pedro Leopoldo (MG), a gestora do CEU das Artes, Ana Paula Villas Costa, acompanha de perto essa transformação e destaca o papel do espaço na aproximação com a leitura. “A biblioteca dentro do CEU das Artes aproxima a comunidade do espaço e da leitura. Ela torna o acesso mais natural e acolhedor, fazendo com que as pessoas se sintam parte do lugar. Mais do que livros, ela fortalece o vínculo com a cultura e com o próprio equipamento”, afirma.
Esse vínculo se constrói no cotidiano. Crianças, jovens e famílias passam a frequentar o espaço, muitas vezes em um primeiro contato com livros fora do ambiente escolar. Com isso, a biblioteca passa a integrar a rotina da comunidade.
A gestora lembra de um episódio que ilustra essa mudança. Um grupo de estudantes procurou o espaço inicialmente para realizar um trabalho escolar, mas a experiência acabou gerando um impacto duradouro. “A princípio, seria algo pontual, mas o contato com a biblioteca foi tão positivo que despertou o interesse de toda a turma. Hoje, eles são usuários assíduos”, conta.
Um espaço que acolhe e transforma
Da mesma forma, em Jacobina (BA), a biblioteca do CEU das Artes se consolidou como um ponto de apoio importante para quem busca estudar, ler ou permanecer em um ambiente seguro. A gestora do equipamento, Carolina Maria, observa que o espaço atende diferentes públicos e necessidades, acompanhando a rotina da comunidade. “Vivemos em uma região de vulnerabilidade, e muitos jovens encontram aqui um espaço seguro para estudar e ler. A biblioteca funciona das oito da manhã até às dez da noite, e vemos estudantes utilizando o espaço inclusive no período noturno”, relata.
Além disso, o espaço também cumpre um papel relevante na formação de hábitos. Crianças chegam acompanhadas pelas famílias, muitas vezes como alternativa ao uso excessivo de telas, e passam a ter contato com a leitura de forma mais leve e espontânea. Assim, a biblioteca se integra ao cotidiano das famílias e amplia seu alcance no território.
Já em São Félix do Xingu (PA), a biblioteca vai além do incentivo à leitura e se consolida também como um espaço de convivência comunitária. Para a gestora do CEU das Artes, Patrícia Olauria, o impacto ultrapassa o âmbito individual e alcança a vida coletiva do território.
“A biblioteca no CEU das Artes não é apenas um depósito de livros. Ela é um espaço vivo, que organiza a comunidade em torno do saber e da cultura, promove convivência e fortalece vínculos”, explica.
Nesse sentido, segundo ela, o acesso gratuito garante que pessoas de diferentes idades e realidades possam ter contato com o conhecimento sem barreiras. “Ela democratiza o acesso, amplia horizontes e contribui para a formação do senso crítico, que é fundamental para a vida em sociedade”, completa.
Leitura integrada ao cotidiano
A presença de bibliotecas nos equipamentos da Rede Territórios da Cultura permite que o acesso ao livro aconteça de forma mais próxima da realidade das pessoas. Nos CEUs das Artes, a leitura está integrada às demais atividades culturais, formativas e comunitárias.
Na prática, muitas pessoas chegam ao equipamento para participar de oficinas ou atividades e passam a frequentar também a biblioteca. Esse contato cotidiano contribui para a construção do hábito da leitura ao longo do tempo.
Além da estrutura física, a atuação do Ministério da Cultura e o apoio do Governo do Brasil são fundamentais para viabilizar o funcionamento desses espaços, especialmente em regiões com pouca oferta de equipamentos culturais. “No nosso caso, o CEU está em uma região que não conta com outras bibliotecas. Levar a leitura até as pessoas, em vez de esperar que elas a procurem, faz toda a diferença”, destaca Ana Paula.
Em JAcobina, a composição do acervo também evidencia esse papel. “A maior parte dos livros que temos veio por meio de iniciativas federais. Isso foi essencial para estruturar a biblioteca e manter o espaço ativo”, afirma Carolina.
Leitura que circula pelos territórios
Se nos CEUs das Artes a leitura acontece de forma permanente, os MovCEUs ampliam esse alcance ao levar livros e atividades culturais diretamente às comunidades. Com estrutura itinerante, esses equipamentos percorrem diferentes territórios e garantem acesso ao livro em locais sem bibliotecas ou espaços de leitura.
Em cada parada, o contato com o livro se transforma em experiência: crianças exploram novas histórias, jovens descobrem autores e famílias participam de atividades coletivas.
Em Mossoró (RN), o MovCEU integra, ao longo de abril, uma programação voltada ao Dia Mundial do Livro. Entre as ações estão apresentações teatrais, biblioteca itinerante, mediação de leitura e contação de histórias em parque público da cidade, além do encerramento com palestra da escritora Ana Miranda. A expectativa é alcançar cerca de 400 pessoas.
“O MovCEU é um instrumento muito feliz de democratização da cultura, da leitura e da educação como um todo”, afirma o coordenador do equipamento, Esdras Marchezan.
Segundo ele, o impacto pode ser percebido especialmente entre crianças e adolescentes que têm contato com livros variados pela primeira vez. “Quando elas percebem esse acesso livre à leitura, aos livros, à diversidade de livros, isso encanta”, destaca.
Em Roraima, o equipamento realiza uma Semana Literária com atividades em parques, na Biblioteca Pública Estadual e em itinerâncias por municípios e comunidades indígenas. A programação homenageia escritores locais, como Nenê Macaggi, e inclui ações voltadas à valorização de Monteiro Lobato.
Para a coordenadora Katia Drummond, ele alcança públicos diversos em todo o estado. “O MovCEU é um equipamento cultural de muita relevância, que agrega atividades com grande alcance e aceitação da comunidade roraimense”, ressalta.
Ela relembra um dos momentos mais marcantes vividos no projeto: o contato de crianças e jovens indígenas com livros pela primeira vez. “Quando observamos as crianças e jovens das comunidades indígenas tendo contato com os livros pela primeira vez, e, entusiasmadas, pedindo para ficarmos mais”, relata.
Ao levar livros e atividades para diferentes territórios, os MovCEUs ampliam o alcance da leitura e mostram que o acesso ao livro pode chegar onde antes não chegava.
Quer conhecer melhor essas ações e entender se o seu município está contemplado por elas? Acesso o site do Territórios da Cultura.