Notícias
RECONHECIMENTO
Certificação de Pontões e de Jovens Agentes Cultura Viva celebra formação, pertencimento e continuidade na 6ª Teia Nacional
Foto: Giba / MinC
Na manhã deste sábado (23), jovens com idade entre 18 e 24 anos de diferentes Pontões de Cultura do Brasil tiveram seus trabalhos reconhecidos como articuladores culturais pelo Ministério da Cultura (MinC). A solenidade de entrega de certificados ocorreu em Aracruz (ES), durante a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura.
O momento de celebração coletiva consiste em reconhecimento institucional e projeção de futuro para a política cultural de base comunitária. A cerimônia sinaliza mais do que a formalização de um ciclo formativo, evidenciando o tamanho concreto de uma rede que hoje mobiliza mais de 600 jovens em todo o país.
Os números ajudam a dimensionar a amplitude dessa política. Dos 42 Pontões fomentados, 27 são territoriais, com atuação em 22 estados e no Distrito Federal (confira lista aqui). A rede se expande e se diversifica, alcançando diferentes contextos e realidades. Em sua organização temática, os pontões atuam em áreas que vão das culturas indígenas e tradicionais à cultura digital, passando por patrimônio, literatura, direitos humanos, acessibilidade, cultura urbana, territórios rurais e integração latino-americana, uma grande teia que expressa a pluralidade das culturas vivas do Brasil.
“O resultado é muito potente, é muito mais do que a gente esperava. A cultura é participação, e quanto mais temos ciência da nossa identidade, do nosso pertencimento, da nossa posição histórica, melhor a gente se movimenta no mundo. A cultura é o que dá significado às coisas”, afirmou no ato a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg.
Certificados
O reconhecimento destaca trajetórias construídas ao longo de processos formativos, encontros, escutas e articulações comunitárias, reafirmando o papel dos agentes na efetivação da Política Nacional Cultura Viva.
São experiências que conectam formação, prática e, especialmente, pertencimento, como revela Lillyan Cadete, jovem indígena de 19 anos, do Pontão de Cultura Roraima:
“Eu vim do território indígena chamado Canauanim, no município de Cantá (RR). Tudo isso é de uma importância muito grande porque a gente representa o jovem dentro do território. Ter essa oportunidade de estar levando o nome do povo Wapichana é um reconhecimento para a gente também.”
O significado de ter a certificação em mãos também encontra eco direto nas vozes de outros jovens que vivenciam a política no cotidiano.
De São Paulo, Luiza Brazuna, 23 anos, do Pontão de Cultura Digital e Mídias Livres, ressaltou a dimensão subjetiva e política do processo. “Além do simbólico, o mais importante é a autopercepção da gente como agente Cultura Viva e agente ativo na construção da cultura que a gente acredita e que achamos importante”.
Já Mateus Cardozo Aldebaran, 18 anos, do Pontão Matriz Amazônica, no Pará, celebrou o momento.
“Receber esse certificado é uma responsabilidade e mostra que a gente tem espaço no meio cultural. Também mostra que a gente vai continuar trabalhando; que, como DJ no Pará, o meu trabalho e o hip-hop estão sendo vistos.”
Continuidade
A Política Nacional de Cultura Viva vem se consolidando a partir da estruturação da rede de Pontões, da formação de agentes e da ampliação das parcerias institucionais. Ao articular cultura, educação, território e participação social, a Cultura Viva se afirma como uma política intersetorial e estruturante.
A dimensão coletiva desse processo foi ressaltada durante a solenidade pela consultora da Unesco para a Cultura Viva, Damiana Campos. “Essa grande celebração é sobre o hoje, mas também sobre esse trabalho que foi feito. Porque o Pontão só pode ser Pontão porque ele está junto com outros Pontos de Cultura, sendo ele Ponto de Cultura também.”
Ainda segundo a consultora, todos precisam entender os Pontões de Cultura como espaços de acolhimento, mentoria e articulação em rede.
“Em um ano e meio de trabalho, a gente valoriza não só os coordenadores, pois não é o posto de coordenador, é a abertura da casa. O pontão é a estrutura e a casa de vocês. Vocês, daqui para frente, estão entendendo como vai ser o movimento. Nós estamos aqui pela continuidade”, completou.
Com juventudes protagonistas, saberes compartilhados e uma rede cada vez mais articulada e viva, a 6ª Teia Nacional celebra formação, pertencimento e continuidade. A entrega dos certificados é um gesto que reconhece trajetórias, fortalece identidades e projeta o futuro de uma política que se constrói na diversidade dos territórios brasileiros.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.