Notícias
CAPACITAÇÃO
Ação formativa apoiada pela Lei Roaunet prepara jovens em situação de vulnerabilidade para o mercado de artes cênicas
Foto: Viela Filmes
A cultura como ferramenta de transformação social. No Rio de Janeiro, o projeto FormAção Ação da Cidadania e Shell, apoiado pela Lei Rouanet, oferece oportunidades de qualificação no segmento cultural para jovens em situação de vulnerabilidade. Promovida pela Ação da Cidadania, Organização Não-Governamental (ONG) de combate à fome e à desigualdade, a terceira edição está com inscrições abertas até 3 de março. Serão capacitadas 240 pessoas para trabalharem no mercado de artes cênicas.
“Existe uma expressão que usamos muito na Ação da Cidadania que é dar o peixe, ou seja, a gente distribui alimentos. O FormAção ensina a pescar. Temos nove cursos de diferentes para jovens que não teriam a possibilidade de fazê-los, assim como as oficinas e workshops, ao longo do ano. No final temos a montagem de um espetáculo”, explica o presidente do Conselho da Ação da Cidadania e diretor de Cultura da instituição, Daniel Souza.
As vagas são para os cursos de Canto, Caracterização e Maquiagem, Cenografia, Circo, Dança, Dramaturgia, Figurino e Indumentária, e Interpretação e Produção Cultural. As atividades formativas combinam prática, teoria e formação cidadã.
Para participar é necessário se inscrever pelo site www.acaodacidadania.org.br/formacao. Os candidatos precisam ter mais de 18 anos, morar na cidade do Rio de Janeiro ou na Região Metropolitana e estar em situação de vulnerabilidade social. Não podem se inscrever pessoas que tenham participado de edições anteriores.
Realização
O projeto tem patrocínio master da Shell e realização do Ministério da Cultura, do Governo do Brasil, por meio da Lei Rouanet. Para a edição 2026 foram captados R$ 7,1 milhões via Lei Rouanet.
“Nacionalizar a Lei Rouanet é uma prioridade do Ministério da Cultura e o avanço tem se dado através da criação e promoção de programas voltados à nacionalização de investimentos, como aqueles que reconhecem regiões, territórios e grupos historicamente menos contemplados, como juventudes e periferias. Cerca de 70% do fomento indireto passa pela Funarte”, enfatiza a presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella.
Daniel destaca o quanto a Lei é fundamental para a execução da iniciativa. “Sem ela, esses jovens nunca teriam acesso a essa formação. Não fosse a Lei Rouanet, projetos como esse simplesmente não sairiam do papel, ficariam na boa intenção”, analisa.

Foto: Divulgação
Aulas
As aulas começam em 27 de abril, na sede nacional da entidade, na Gamboa, no Rio, e seguem até o começo de dezembro. Durante o período letivo, os alunos receberão bolsa mensal de R$ 450 para auxiliar nos custos de transporte e alimentação. Os aprovados na primeira fase passarão por entrevistas entre 16 e 20 de março. O resultado final será divulgado em 25 de março.
Ao final, todos receberão certificado de conclusão. Os alunos também irão criar e apresentar um espetáculo de encerramento, com direção convidada. Nas edições anteriores foram montados Abrigo (2024) e Rebuliço (2025), ambos dirigidos por Duda Maia.
Para o presidente do Conselho da Ação da Cidadania o projeto tem efeito não apenas na vida dos participantes, mas também em seu entorno. “Quando uma pessoa está participando um dos cursos, ela está recebendo uma bolsa para isso. Tem a sobrevivência paga para fazer o que gosta e se transformar num artista. E essa ajuda impacta diretamente a família dele”, comenta Daniel.
Sobre a Ação da Cidadania
A Ação da Cidadania foi criada há 32 anos pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Presente em todo o país, promove ações humanitárias, como as campanhas Natal Sem Fome e Emergências, e desenvolve projetos estruturantes nas áreas de formação, cultura e advocacy.