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PATRIMÔNIO E INOVAÇÃO
“Um farol da política cultural brasileira”, afirma Márcio Tavares na abertura do Seminário Capanema Hoje
Foto: Filipe Araújo/MinC
O Seminário Internacional Capanema Hoje foi aberto na tarde desta segunda-feira (23), no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, marcando uma nova etapa na reativação de um dos principais ícones da arquitetura modernista mundial. A cerimônia contou com a presença do secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, além de representantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ), parceira na iniciativa.
“Esse é um prédio que, além da sua história, vai se projetando nessa sua reabertura, ressignificado para voltar a ser um farol que ilumina aquilo que deve ser a política cultural brasileira”, afirmou Márcio.
O secretário também ressaltou o novo uso do espaço, com ampliação do acesso público e fortalecimento da programação cultural. “Reabrir esse edifício com o sentido público que ele está sendo feito talvez seja o maior experimento da sua história. A partir de agora, quarenta por cento desse prédio vai servir à programação cultural destinada a valorizar a história do modernismo brasileiro”, discursou.
Resultado de uma parceria entre o MinC e a UFRJ, o seminário é fruto de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos oito meses e já apresenta impacto direto na reaproximação do público com o edifício. Desde agosto, mais de 6 mil pessoas participaram de visitas guiadas ao Palácio, iniciativa que deve ser ampliada.
Para o diretor da FAU/UFRJ, Guilherme Lassance, a iniciativa também representa um movimento de aproximação entre a academia e a sociedade. “É importante para nós, arquitetos e artistas, sairmos da nossa ‘gaiola dourada’, da academia, para ajudar nesse esforço de sensibilização da sociedade de maneira mais ampla”, disse.
“[Quero] Agradecer muito ao Ministério pela oportunidade de fazer esse projeto há oito meses, com uma incrível afluência de público, possibilitando que esse prédio, que é público, se torne cada vez mais público”, enfatizou o professor da FAU e coordenador do projeto, Sergio Fagerlande. O docente também ressaltou o papel formativo da iniciativa, com a participação de estudantes de universidade pública.
A programação do seminário, que será realizada nos dias 24 e 25 de março, foi estruturada em quatro eixos centrais — Capanema, Desafios, Referência e Desdobramentos — e irá reunir pesquisadores, professores e profissionais do Brasil e do exterior. Os debates abordarão desde os desafios contemporâneos da preservação do patrimônio moderno até o papel do edifício como referência para práticas arquitetônicas, curatoriais, arquivísticas e expográficas.
Como parte das atividades de reabertura, foi inaugurada a exposição permanente Palácio Capanema Ontem e Hoje: Arquitetura, Cidade e Cultura, que passa a integrar o circuito de visitação pública do edifício. A mostra apresenta o contexto histórico do Palácio, suas qualidades espaciais e estéticas e sua consolidação como marco institucional e cultural.
A exposição contou com a participação de pesquisadores e laboratórios da UFRJ, como o Laboratório de Análise Urbana e Representação Digital (LAURD) e o Laboratório de Narrativas da Arquitetura (LANA), e foi inspirada em publicações do arquiteto e professor Roberto Segre, homenageado durante a abertura.
O Palácio Gustavo Capanema passou recentemente por um processo de restauração conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com investimento de aproximadamente R$ 123 milhões do Governo Federal. E reafirma, com sua reabertura, seu papel estratégico no presente e no futuro da cultura brasileira.
“O edifício é símbolo da soberania do Brasil, no sentido de que somos capazes de olhar para o mundo com altivez, mas com respeito. A reabertura do Capanema aponta para o futuro do nosso país”, finalizou o secretário-executivo do MinC.
Além da programação do seminário, o espaço deve sediar novas iniciativas culturais, incluindo atividades comemorativas pelos 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), previstas para os próximos dias. Também estão entre os desdobramentos o fortalecimento de projetos editoriais sobre o edifício, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RJ), e a implementação de uma programação cultural contínua.
Ao reposicionar o Palácio como espaço público, de formação e de produção cultural, o seminário reforçou o papel do Capanema como um patrimônio vivo — não apenas preservado, mas ativado como plataforma para pensar o Brasil contemporâneo e projetar seus futuros possíveis.