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CELEBRAÇÃO
“Não existe reconstrução sem a cultura popular”, diz ministra em evento que homenageia 18 bens culturais
Foto: Giba/MinC
Saberes ancestrais, práticas tradicionais e expressões que moldam a identidade do país foram celebrados nesta sexta-feira (20), na abertura do Festival do Patrimônio Brasileiro, em Ceilândia, no Distrito Federal. A cerimônia de homenagens a bens culturais reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), reuniu mestres e mestras de diferentes territórios em um encontro marcado pela memória e pela continuidade das tradições.
Ao todo, 18 patrimônios foram celebrados, entre eles a prática das parteiras tradicionais, o samba de bumbo paulista, as marujadas de São Benedito do Pará, a arte santeira em madeira do Piauí, os grafismos Huni Kuĩ, os saberes do Rosário, o choro, o ofício das tacacazeiras, o maracatu nação e o maracatu de baque solto, o samba de roda do Recôncavo Baiano, o teatro de bonecos popular do Nordeste e o circo de tradição familiar.
Também foram reconhecidos bens registrados mais recentemente, como a Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis, os saberes associados aos engenhos de farinha de mandioca e a pesca com botos no Sul do Brasil.
Durante a cerimônia, também foram entregues certificados de tombamento a patrimônios materiais com representantes presentes no evento, como o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, representado por Pai Duda de Candola; o Quilombo Tia Eva, com representantes da comunidade; e a Pedra Fundamental da Capital Federal, em Planaltina, representada por Robson Eleutério, ampliando o reconhecimento institucional a espaços de memória e resistência.
O Quilombo Tia Eva tornou-se o primeiro quilombo em funcionamento a ser tombado no país, dando cumprimento a uma determinação prevista na Constituição Federal que, até então, não vinha sendo aplicada e passou a ser efetivada a partir de portaria recente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Na abertura do festival, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a centralidade da cultura popular na reconstrução das políticas culturais no país e o papel dos mestres e mestras como guardiões da identidade brasileira.
“Para mim, é um momento muito especial estar neste primeiro Festival do Patrimônio Popular do Brasil. Não existe reconstrução do Ministério da Cultura sem olhar para a cultura popular, porque é nela que está a nossa referência e a nossa identidade.”
Ao abordar o fortalecimento das políticas públicas e a ampliação do acesso aos recursos federais, a ministra reforçou o alcance nacional das ações do Governo Federal no setor cultural.
“Hoje, com políticas como a Política Nacional Aldir Blanc e o fortalecimento da Cultura Viva, estamos fazendo com que o apoio do Governo Federal chegue, pela primeira vez, a todos os estados e municípios brasileiros. Seguiremos firmes, fortalecendo a cultura em todos os cantos do país.”
O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, destacou o festival como expressão do novo momento das políticas culturais no país e da valorização do patrimônio imaterial.
“O Festival do Patrimônio Brasileiro é mais do que um momento de celebração. É um momento de afirmação das políticas públicas que vêm sendo reconstruídas no país. Estamos falando da valorização das pessoas, dos mestres e mestras da cultura popular, que mantêm vivas as manifestações culturais brasileiras.”
Na avaliação do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, o festival representa um marco na valorização da cultura popular e na ampliação do reconhecimento das diversas matrizes culturais que formam o Brasil.
“Este é um encontro do Brasil. Estão aqui representantes de todas as regiões, o que demonstra a força e a diversidade do nosso patrimônio cultural. Celebramos a cultura popular, os detentores e detentoras dos saberes, e também um projeto de país em que a cultura volta a ocupar o centro das políticas públicas.”
Segundo o presidente, os avanços recentes na política de patrimônio refletem um processo construído de forma coletiva e participativa.
“Cada registro é fruto de um processo profundo, que envolve escuta, participação e diálogo com as comunidades. É uma construção coletiva, do povo para o povo. Hoje avançamos para uma visão mais justa e inclusiva, reconhecendo a diversidade cultural brasileira e promovendo uma reparação histórica às matrizes indígenas e afro-brasileiras.”
De acordo com a presidenta do Instituto Rosa dos Ventos de Arte, Cultura e Cidadania, Stéffanie Oliveira, o festival se consolida como um espaço de encontro entre tradição e continuidade.
“Os festivais são espaços de encontro e celebração, mas a verdadeira cultura está nas raízes, nos mestres e mestras e nos territórios. Ceilândia recebe o Brasil e seus detentores, aqueles que constroem diariamente a nossa cultura.”
Representando os detentores do patrimônio cultural, o mestre Manoelzinho Salustiano, do maracatu de baque solto, destacou a importância do reconhecimento e da valorização das tradições.
“A gente recebe essas homenagens com muita emoção, porque a cultura popular muitas vezes é esquecida. A cultura popular é resistência, é respeito. Não é apenas espetáculo, é memória, é identidade, é história viva.”
O Festival
Realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos, em parceria com o Iphan, o Ministério da Cultura e o Governo do Brasil, o festival contou com recursos da Lei Rouanet, reafirmando o compromisso das políticas públicas com a preservação da memória, da ancestralidade e da diversidade cultural brasileira.
A programação também incluiu apresentações artísticas, shows musicais e feiras de gastronomia e artesanato, reunindo expressões culturais de diferentes regiões do país.
O Festival segue neste sábado (21), com o seminário Mestres e Mestras Patrimônio e as Leis de Incentivo, que reunirá gestores, especialistas e mestres da cultura popular para debater políticas de fomento e sustentabilidade das manifestações culturais tradicionais.
Também haverá apresentações artísticas, shows musicais, feira gastronômica, atividades formativas e novos momentos de celebração do patrimônio cultural brasileiro.
Além da programação cultural, o festival incorporou ações de cuidado e inclusão, como o Espaço Pela Vida Delas e estruturas de acessibilidade com intérpretes de Libras e áreas adaptadas.

