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TECNOLOGIA NUCLEAR
Formação e transferência de conhecimento no setor nuclear como desafios
A importância da formação de recursos humanos, da transferência de conhecimento entre gerações e da ampliação do acesso às tecnologias nucleares foi tema da mesa “Iniciativas para a Promoção da Ciência, da Saúde e da Tecnologia”, realizada em 26 de agosto, durante a Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (INAC 2026), na Escola de Guerra Naval (EGN), no Rio de Janeiro. Moderada por Maria de Lourdes Moreira (IEN/CNEN), a mesa reuniu Inaya Correa Lima (SBPR), Sumara Lacerda (SBMN) e Patricia Wieland (ELISTEC).
Na área da saúde, a médica nuclear Sumara Lacerda destacou os desafios de acesso à medicina nuclear no Brasil. Segundo ela, a Argentina realiza cerca de cinco vezes mais desses exames que o país. Ela também apontou a desigualdade regional na oferta desses serviços, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Para a especialista, ampliar o acesso exige enfrentar desafios relacionados à logística, à produção e à aplicação dessas tecnologias.
A promoção da ciência nuclear entre as novas gerações foi o foco da participação de Patricia Wieland. Segundo ela, o acidente com césio-137 em Goiânia, ocorrido em 1987, evidenciou a necessidade de aprimorar a comunicação e a educação sobre o setor nuclear. Presidente da ELISTEC, organização da sociedade civil que atua na promoção de iniciativas relacionadas à educação, liderança, inovação e sustentabilidade, Wieland defendeu o engajamento dos jovens diante dos desafios futuros do setor - entre as iniciativas destacadas estão as Olimpíadas Nucleares. “Promover ciência nuclear é construir o futuro”, afirmou, ao destacar a importância de aproximar as novas gerações do conhecimento científico e tecnológico.
Inaya Correa Lima ressaltou, por sua vez, que a continuidade do desenvolvimento científico e tecnológico depende da capacidade de transmitir conhecimentos entre gerações. “De que adianta uma geração dominar uma tecnologia extremamente complexa, se não a transmitir para as próximas gerações?”, questionou. Segundo Lima, iniciativas de promoção da ciência e da tecnologia fazem parte de uma cadeia que precisamos manter viva. Nesse contexto, destacou que a formação é um projeto de longo prazo e chamou atenção para a importância da comunicação técnica. Para ela, em um cenário marcado pela ampla circulação de informações nas redes sociais, visibilidade não deve ser confundida com autoridade.
Ao encerrar a mesa, Maria de Lourdes Moreira sintetizou os principais pontos apresentados pelas participantes e reforçou a importância da formação de recursos humanos e da transferência de conhecimentos entre gerações. Para a moderadora, ainda há muito a avançar nesse campo para garantir a continuidade e o desenvolvimento das capacidades científicas e tecnológicas do setor nuclear.
Sobre a INAC 2026
A Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (INAC 2026) aconteceu de 24 a 28 de agosto, na Escola de Guerra Naval (EGN), no Rio de Janeiro, com o tema “Energia Nuclear: Átomos para um Futuro Verde”. Organizado pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), o evento reuniu representantes da academia, da indústria, do governo e de instituições de pesquisa do Brasil e do exterior para discutir avanços, desafios e perspectivas para o setor nuclear.
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