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INAC 2026
Futuro do setor nuclear brasileiro é debatido em mesa redonda na INAC 2026
Os possíveis caminhos para a consolidação da infraestrutura tecnológica e científica do setor nuclear no Brasil foram discutidos, nesta quinta-feira (27/08), na mesa redonda “O Futuro do Setor Nuclear Brasileiro: Inovação, infraestrutura e projetos estratégicos para o desenvolvimento nacional”. O painel, sediado na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, integrou a programação da Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (Inac 2026).
A mesa, moderada por Fábio Menani Pereira Lima, da Coordenação-Geral de Articulação Técnica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), teve a participação do Diretor de Departamento de Programas de Inovação (DEPIN) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), Osório Coelho Guimarães Neto, da chefe da Divisão do CENTENA/CNEN, Clédola Cássia Oliveira de Tello, do Coordenador-Geral de Planejamento, Orçamento e Avaliação da CNEN, Fábio Staude, e do representante da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp), Eduardo Giacomazzi.
Um dos pontos centrais do debate foi o CENTENA – Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental, projeto estruturante da CNEN e do MCTI, que será o primeiro repositório centralizado e definitivo de rejeitos radioativos da América Latina. Em sua apresentação “Soluções para um futuro verde: o papel estratégico do CENTENA”, a coordenadora do projeto, Clédola Tello, reforçou a importância do Centro como uma solução estratégica para um futuro mais sustentável no ciclo do combustível nuclear.
O CENTENA terá a capacidade de armazenamento de cerca de 60 mil m3, com um período de monitoramento radiológico estimado em 300 anos. O empreendimento, além de resolver o passivo dos depósitos temporários e absorver a geração de rejeitos radioativos das próximas décadas, será também um vetor de pesquisa, desenvolvimento e inovação em gerenciamento de rejeitos radioativos e descomissionamento de instalações, bem como um Centro de formação e capacitação de profissionais para a área nuclear.
Panorama nuclear e projetos estruturantes
Em sua apresentação, Fábio Staude, fez um panorama da infraestrutura tecnológica e científica nuclear do país através da rede nuclear brasileira, formada por instituições que sustentam entregas prioritárias à sociedade nas áreas de medicina nuclear, serviços tecnológicos, proteção radiológica, gerenciamento de resíduos, formação de novas gerações de pesquisadores, entre outros.
Staude citou como projetos estruturantes para o futuro o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), o Laboratório de Fusão Nuclear (LFN), o CENTENA – Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental e o HUB Tecnológico de Materiais Avançados e Minerais Estratégicos (GRANIOTER), e finalizou afirmando que “para o Brasil acompanhar a tecnologia nuclear não basta comprar a passagem no bonde do progresso, é preciso construir os trilhos e a usina que gera a energia”.
Já Eduardo Giacomazzi, da Fiesp, trouxe a perspectiva da indústria e da inovação, destacando o papel dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) na conversão de excelência científica em impacto real para a sociedade. Para ele, o principal desafio do setor é construir mecanismos que conectem a pesquisa de bancada à demanda concreta do mercado, avançando também em iniciativas integradas de educação e empreendedorismo voltadas à área nuclear.
Giacomazzi ressaltou a importância do novo papel da CNEN após a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), passando de uma função predominantemente regulatória para uma atuação mais voltada à organização da pesquisa tecnológica no setor.
O painel foi encerrado pelo Diretor do DEPIN/MCTI, Osório Coelho Guimarães Neto, que apresentou a trilha tecnológica que vai da ciência à indústria e discorreu sobre a necessidade de fortalecer um ecossistema de inovação nuclear ainda pouco compreendido pela sociedade brasileira. Para o representante do ministério, a soberania nacional no campo nuclear passa, necessariamente, pela soberania tecnológica. Coelho afirmou também que o Brasil está bem posicionado no investimento público em inovação, mas o investimento privado ainda é muito inferior ao de países desenvolvidos. Uma das soluções, segundo ele, é utilizar grandes infraestruturas (como o RMB e o Sirius) como plataformas e hubs de atração para empresas privadas e capacitação tecnológica
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