Carga tributária nos serviços de telecomunicações

Publicado em 11/03/2020 21:02Modificado em 22/08/2026 22:53
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A análise da Anatel mostra o nível de carga tributária que incide sobre a telefonia móvel e a banda larga no Brasil. O estudo também traz uma comparação internacional com base em dados da União Internacional de Telecomunicações sobre os impostos cobrados em diferentes países.

Entre mais de 170 países analisados, o Brasil tem a quarta maior carga tributária na telefonia móvel e a maior na banda larga fixa.

Entenda a análise e os resultados

Países com maior carga tributária na telefonia móvel (2019)

Posição no Ranking (cesta UIT)

País

Custo da cesta de serviços

Carga tributária incluída (%)

PNB per capita (US$ 2019)

% da PNB per capita

PPC$

181º

Burundi

84,2%

19,6

47,9

52%

790

101º

Jordânia

3,7%

3,8

8,2

46%

10.520

48º

Egito

1,4%

23,3

53,0

43%

18.475

63º

Brasil

1,8%

11,3

16,4

40%

14.890

33º

Sri Lanka

1,0%

13,9

18,3

39%

13.260

146º

Zâmbia

14,7%

2,4

---

35%

3.560

143º

Tanzânia

13,8%

7,6

19,4

34%

2.700

127º

Quênia

7,5%

12,0

33,0

33%

4.430

112º

Rep. Dominicana

4,7%

2,9

9,5

32%

11.720

155º

Ruanda

19,9%

13,3

28,4

30%

2.250

* PNB per capita, PPP, com base em dados do Banco Mundial.
Fonte: UIT (World Telecommunication / ICT Indicators Database 2020). Elaboração: ATC/Anatel.

Países com maior carga tributária na banda larga fixa (2019)

Posição Ranking (cesta UIT)

País

Custo da cesta de serviços

Carga tributária incluída (%)

PNB per capita (US$ 2019)

% da PNB per capita

PPC$

45º

Brasil

1,4%

10,9

17,7

40,2%

14.890

151º

Zâmbia

20,1%

23,9

61,0

33,5%

3.560

154º

Tanzânia

23,4%

19,9

53,4

32,5%

2.700

146º

Quênia

18,3%

24,7

49,7

31,0%

4.430

42º

Grécia

1,3%

22,0

28,1

30,2%

30.470

89º

Rep. Dominicana

3,2%

19,7

42,8

30,0%

11.720

169º

Malawi

120,4%

36,1

106,5

26,5%

16.130

55º

Turquia

1,6%

14,1

40,4

25,5%

27.660

Croácia

0,7%

7,8

12,5

25,0%

16.047

21º

Dinamarca

0,9%

44,2

34,9

25,0%

61.960

* PNB per capita, PPP, com base em dados do Banco Mundial.
** Dados de cesta de serviços disponíveis em Indicators Database 2020.

Fonte: UIT (World Telecommunication / ICT Indicators Database 2020). Elaboração: ATC/Anatel.

Principais mercados de banda larga fixa, por número de acessos, e carga tributária

País

Posição

Total de acessos (2019)

Percentual do mercado global

Carga tributária (2019)

China

449.279.000

39,7%

0,0%

EUA

114.259.000

10,1%

8,9%

Japão

42.502.489

3,8%

8,0%

Alemanha

35.071.539

3,1%

19,0%

Brasil

32.914.496

2,9%

40,2%

Rússia

32.857.614

2,9%

20,0%

França

29.760.000

2,6%

20,0%

Reino Unido

26.786.963

2,4%

20,0%

Coréia do Sul

21.906.172

1,9%

10,0%

México

10º

19.354.980

1,7%

16,0%

Índia

11º

19.156.559

1,7%

18,0%

Itália

12º

17.470.489

1,5%

22,0%

Espanha

13º

15.616.585

1,4%

21,0%

Canadá

14º

15.273.496

1,3%

13,0%

Vietnã

15º

14.802.380

1,3%

10,0%

Turquia

16º

14.231.978

1,3%

25,5%

Indonésia

17º

10.284.364

0,9%

10,0%

Tailândia

18º

10.108.819

0,9%

7,0%

Argentina

19º

8.793.181

0,8%

21,0%

Irã

20º

8.771.251

0,8%

9,0%

Total dos 20 maiores mercados: 82,9%

* Total do mercado global em 2019 = 1.132.668.607
** Total estimado pela UIT para 2020 = 1.178.000.000
*** Carga tributária retirada do relatório ICT Indicators Database 2020, referente a 2019.

Fonte: ITU (ICT Indicators Database), World Telecommunication/ICT Indicators Database, jan. 2021. Elaboração: ATC/Anatel.

Principais mercados de telecomunicações móveis, por número de acessos, e carga tributária

País

Posição

Total de acessos (2019)

Percentual do mercado global

Carga tributária (2019)

China

1.746.238.000

22,2%

0,0%

India

1.151.480.361

14,7%

18,0%

EUA

442.457.000

5,6%

8,9%

Indonésia

341.277.549

4,3%

10,0%

Rússia

239.795.946

3,1%

20,0%

Brasil

202.009.290

2,6%

40,2%

Japão

186.514.109

2,4%

8,0%

Nigéria

184.592.255

2,3%

22,6%

Filipinas

167.322.432

2,1%

12,0%

Bangladesh

10º

165.572.000

2,1%

21,0%

Paquistão

11º

165.405.847

2,1%

0,0%

Vietnã

12º

136.230.406

1,7%

10,0%

Tailândia

13º

129.614.000

1,6%

7,0%

México

14º

122.040.789

1,6%

16,0%

Irã

15º

118.061.419

1,5%

9,0%

Alemanha

16º

107.200.000

1,4%

19,0%

África do Sul

17º

96.972.459

1,2%

15,0%

Egito

18º

95.340.262

1,2%

23,0%

Reino Unido

19º

80.967.000

1,0%

20,0%

Turquia

20º

80.790.877

1,0%

25,5%

Total dos 20 maiores mercados: 75,8%

* Total do mercado global em 2019 = 7.979.900.316
** Total estimado pela UIT para 2020 = 8.152.000.000
*** Carga tributária retirada do relatório ICT Indicators Database 2020, referente a 2019.

Fonte: ITU World Telecommunication/ICT Indicators Database, December 2019. Elaboração: ATC/Anatel.

Essa diferença de tributação aparece em três panoramas:

  • um gráfico com grupos de países por nível de carga tributária; e
  • dois mapas com os países por nível de carga tributária.

Quanto mais intensa a cor, maior a carga tributária.

Distribuição de países por nível de carga tributária
Mapa Mundial 1
Mapa Mundial 2

Carga tributária ad valorem em serviços de telecomunicações no Brasil

* Média ponderada em dezembro de 2020.
** As arrecadações dos fundos setoriais FUST, FISTEL e FUNTTEL não foram consideradas.

Carga tributária ad valorem em serviços de telecomunicações no Brasil

UF

Alíquota ICMS

Alíquota (ICMS + PIS + COFINS)

Carga tributária** (sobre o valor)

AC

250%

28,7%

38,20%

AL

30,0%

33,7%

48,07%

AM

30,0%

33,7%

48,07%

AP

29,0%

32,7%

45,99%

BA

28,0%

31,7%

43,96%

CE

30,0%

33,7%

48,07%

DF

28,0%

31,7%

43,96%

ES

25,0%

28,7%

38,20%

GO

29,0%

32,7%

45,99%

MA

29,0%

32,7%

45,99%

MG

27,0%

30,7%

41,99%

MS

29,0%

32,7%

45,99%

MT

32,0%

35,7%

52,43%

PA

30,0%

33,7%

48,07%

PB

30,0%

33,7%

48,07%

PE

30,0%

33,7%

48,07%

PI

30,0%

33,7%

48,07%

PR

29,0%

32,7%

45,99%

RJ

32,0%

35,7%

52,43%

RN

30,0%

33,7%

48,07%

RO

35,0%

38,7%

59,46%

RR

25,0%

28,7%

38,20%

RS

30,0%

33,7%

48,07%

SC

25,0%

28,7%

38,20%

SE

30,0%

33,7%

48,07%

SP

25,0%

28,7%

38,20%

TO

29,0%

32,7%

45,99%

Média Brasil (i)

27,8%

31,4%

43,60%

i) Média ponderada pela quantidade de acessos em dezembro de 2020: STFC, SeAC, SMP e SCM.
ii) Os tributos informados aqui não incluem os fundos setoriais.
iii) Algumas unidades da federação têm fundos adicionais. Nesses casos, eles foram somados à alíquota de ICMS. No MA, a alíquota de ICMS é 27% mais 2% de FUMACOP.
iv) No MT, foi considerada a alíquota de 32% por ser a do SMP, SCM e SeAC, com adicional de 2% de fundo estadual. Apenas o STFC tem alíquota de 27%.

* Carga tributária relativa ao valor adicionado.

Simulação de carga tributária

A tabela abaixo mostra uma simulação da tributação total com incidência de ICMS, PIS, COFINS, fundos setoriais, IRPJ e CSLL.

Simulação de carga tributária sobre o valor adicionado nos serviços de telecomunicações
Simulação para o estado de SP, com alíquotas de 2020.

Simulação de carga tributária sobre o valor adicionado nos serviços de telecomunicações

DRE simplificada

Referências

Alíquota nominal

Alíquota real

Receita bruta de serviços de telecom

R$ 100,00

  

Serviços de telecomunicações (sem tributos)

R$ 75,00

  

ICMS embutido no valor do serviço

-R$ 25,00

25,00%

33,33%

PIS / COFINS

-R$ 2,74

3,65%

3,65%

Receita líquida de serviços

R$ 72,26

  

FUST

-R$ 0,72

1,0%

1,0%

FUNTTEL

-R$ 0,36

0,50%

0,50%

Resultado

R$ 71,18

  

Margem EBITDA (32,5%)

R$ 23,13

  

Imposto de renda

-R$ 5,78

25%

25%

Contribuição social

-R$ 2,08

9%

9%

Resultado líquido

R$ 15,27

  

Remuneração total de impostos

-R$ 36,69

  

Remuneração da cadeia produtiva (Receita bruta - Impostos)

R$ 63,31

  

Carga tributária (total de impostos / receita bruta)

36,69%

  

Carga tributária ad valorem (total de impostos / receita líquida de serviços)

50,77%

  

Comparação internacional de nível de carga tributária

Para comparar o nível de carga tributária entre países, a Anatel usou um recorte de mais de 170 países com dados publicados pela União Internacional de Telecomunicações em 2019. Esse subconjunto de países membros da UIT compõe a amostra usada na análise.

A UIT consultou autoridades regulatórias e legislativas sobre a carga tributária de cada país. Também pesquisou o valor dos tributos.

No caso do Brasil, a UIT usou dados fornecidos pela Anatel. Como os estados têm alíquotas diferentes de ICMS, a UIT adotou como referência o Estado de São Paulo, que é o principal mercado do país. Esse critério também é usado para medir o custo das cestas de serviços de telecomunicações.

Por isso, o valor da carga tributária brasileira divulgado pela UIT, tanto para telefonia móvel quanto para banda larga fixa, foi de 40,15% em 2019.

Com base nessa amostra, a Anatel verificou que o Brasil tem a quarta maior carga tributária incluída no serviço de telefonia móvel. Apenas Burundi, Jordânia e Egito ficaram acima do Brasil. Sri Lanka, Zâmbia, Tanzânia, Quênia, República Dominicana e Ruanda completam a lista das maiores cargas tributárias na telefonia móvel.

O Brasil também passou do 83º lugar no ranking de custo da cesta de serviços, em 2018, para o 63º lugar em 2019, no serviço de telefonia móvel.

Na banda larga fixa, o Brasil tem a maior carga tributária entre os países analisados.

A diferença da tributação brasileira fica ainda mais clara quando a comparação considera os principais mercados do mundo. Entre os 20 maiores mercados, o Brasil tem a maior tributação na banda larga e a segunda maior tributação na telefonia móvel.

As tabelas acima mostram que o Brasil é o quinto maior mercado de banda larga em número de acessos e representa 2,9% do mercado global, mesmo com a maior carga tributária entre esses países.

Na telefonia móvel, o Brasil representa 2,6% do mercado global e tem a segunda maior carga tributária entre os grandes mercados.

Essa diferença aparece em três panoramas: um gráfico com grupos de países por nível de carga tributária e dois mapas com os países por esse mesmo critério. Quanto mais intensa a cor, maior a carga tributária.

ICMS e carga tributária efetiva em telecomunicações no Brasil

Depois da análise internacional, a Anatel destaca uma característica do Brasil: a tributação dos serviços de telecomunicações varia conforme o estado.

O principal tributo é o ICMS, que é estadual. Por isso, a carga tributária sobre os serviços depende da alíquota aplicada em cada unidade da federação.

Como a UIT usou o Estado de São Paulo como referência do Brasil, por ele ser o maior mercado nacional, a Anatel elaborou um quadro com as alíquotas de ICMS e a carga tributária efetiva de cada estado. O objetivo foi mostrar com mais precisão o nível real de tributação do serviço.

A Anatel também calculou uma média nacional ponderada pela quantidade de acessos de banda larga, telefonia móvel, TV por assinatura e telefonia fixa em cada estado, em dezembro de 2020.

Fundos setoriais

Além de ICMS, PIS e COFINS, o setor de telecomunicações financia três fundos públicos:

  • Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust);
  • Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel); e
  • Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

O Fistel foi criado pela Lei nº 5.070/1966. Ele serve para cobrir despesas ligadas à fiscalização dos serviços de telecomunicações e para desenvolver e aperfeiçoar os meios técnicos necessários a essa atividade.

Nos termos do art. 51 da Lei Geral de Telecomunicações, Lei nº 9.472/1997, cabe à Anatel administrar as receitas do Fistel.

As principais receitas do Fistel são:

  • taxas de fiscalização, como TFI e TFF;
  • outorgas de serviços de telecomunicações;
  • multas; e
  • preços públicos.

O Fust está disciplinado pela Lei nº 9.998/2000. Ele financia a parcela de custo exclusivamente atribuída ao cumprimento das obrigações de universalização dos serviços de telecomunicações que não possa ser recuperada com a exploração eficiente do serviço.

As principais receitas do Fust são:

  • contribuição de 1% sobre a receita operacional bruta dos serviços de telecomunicações prestados nos regimes público e privado; e
  • transferências de recursos do Fistel.

O Funttel é um fundo de natureza contábil. Seu objetivo é estimular a inovação tecnológica, incentivar a capacitação de recursos humanos, fomentar a geração de empregos e ampliar o acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital, para aumentar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações, nos termos do art. 77 da Lei nº 9.472/1997.

O Funttel foi instituído pela Lei nº 10.052/2000. Seus agentes financeiros são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Empresa Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

As receitas do Funttel incluem:

  • contribuição de 0,5% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações;
  • dotações da Lei orçamentária anual e seus créditos adicionais;
  • doações;
  • contribuição de 1% paga pelas instituições autorizadas na forma da lei sobre a arrecadação bruta de eventos participativos realizados por meio de ligações telefônicas;
  • rendimento de aplicações do próprio fundo; e
  • remuneração de recursos repassados aos agentes aplicadores.

De 1997 até 2020, o Fistel arrecadou R$ 94,407 bilhões. De 2001 até 2019, o Fust arrecadou R$ 12,001 bilhões. Esse valor não inclui receitas do Fust recebidas por meio do Fistel. De 2001 até 2020, o Funttel teve arrecadação bruta de R$ 8,331 bilhões.

Parte das receitas do Fust é arrecadada por meio do Fistel. Os valores mencionados aqui se referem apenas às receitas arrecadadas pelo fundo específico.

A Anatel também registra que algumas unidades da federação têm fundos estaduais específicos.

Simulação de carga tributária

Abaixo, é apresentado um exercício de simulação da tributação total, com incidência de todos os impostos: ICMS, PIS, COFINS, fundos setoriais, IRPJ e CSSL.

Em um gasto total de R$ 100 com telecomunicações, a simulação mostra quanto vai para tributos e quanto remunera a cadeia produtiva do setor.

Em um gasto hipotético de R$ 100 com banda larga fixa, com alíquota de ICMS + PIS + COFINS de 27,74%, usada em São Paulo e em outros seis estados, a carga tributária efetiva é de R$ 27,74 / R$ (100-27,74) = R$ 72,26. Isso resulta em carga tributária efetiva de aproximadamente 37%.

A esse valor somam-se R$ 1,00 de Fust, sobre a receita bruta, e R$ 0,50 de receita para o Funttel.

A margem EBITDA usada foi de 32,5%. A partir dela, aplica-se a alíquota de 25% de imposto de renda de pessoa jurídica e 9% de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).

Com isso, a simulação deduz R$ 5,78 de IRPJ e R$ 2,08 de CSLL. O total chega a R$ 36,69 em tributos.

Sobre uma arrecadação bruta de R$ 100, isso representa carga tributária efetiva de 36,7% e carga tributária de 50,77% sobre o valor adicionado.

Nesse caso, o cálculo considera todos os impostos estaduais e federais, além dos fundos setoriais Fust e Funttel.

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