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MCW 2026
Na Espanha, Anatel destaca ampliação da conectividade móvel e da banda larga fixa
Carlos Baigorri (crédito da foto: Shizuo Alves / MCom)
Debater o edital da faixa de 6 GHz, previsto para ser colocado em consulta pública ainda neste ano, é uma das prioridades da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para 2026, afirmou o presidente da Agência, Carlos Baigorri, nesta segunda-feira (2). Ele participou de uma entrevista coletiva a jornalistas do setor durante o primeiro dia do Mobile Word Congress (MBW) 2026, em Barcelona.
A faixa de 6 GHz serve para aumentar significativamente a capacidade, velocidade e eficiência das redes sem fio (Wi-Fi). Este processo será subsidiado por uma Análise de Impacto Regulatório (AIR), que contempla o estudo de maturidade do ecossistema e os casos de uso previstos para a radiofrequência.
Baigorri ressaltou que a consulta pública apresentará definições estruturantes para o mercado. “A consulta pública já vem com uma proposta de texto, com uma proposta de obrigações e o desenho dos lotes e blocos. Tudo isso já vem desenhado dentro da análise de impacto regulatório, que é um dos elementos que alimentam essa consulta e essa proposta de resolução.”
Segundo ele, a Anatel ajustou seu cronograma de licitações, prevendo novos certames para até 2028. A revisão do planejamento, que anteriormente projetava etapas para ainda este ano, baseia-se na necessidade de garantir a previsibilidade e a transparência do calendário regulatório. Segundo Baigorri, a alteração foi uma medida necessária para manter a credibilidade institucional diante do setor. "Para não fazer uma promessa que a gente não vai conseguir cumprir e desacreditar todo o cronograma, vamos colocar até 2028”, disse
Banda larga fixa
Ao ser questionado sobre concentração no mercado de banda larga fixa, Baigorri afirmou que o segmento atingiu um nível de maturidade que dispensa qualquer tipo de preocupação, observando que fusões e aquisições entre operadoras são movimentos naturais. "Não há preocupação com a banda larga fixa no Brasil. É um mercado plenamente competitivo.”
Para ele, o setor se destaca pela ausência de barreiras significativas, visto que o valor para obter uma licença de prestação do serviço de banda larga é baixo; Isso é um dos principais incentivos dessa dinâmica. Essa facilidade de ingresso, disse Baigorri, impede o exercício de poder de mercado abusivo, pois, mesmo em cenários de alta concentração local, a possibilidade de novos entrantes permanece constante: "Se numa cidade uma empresa começar a triplicar o preço, você cria um espaço para qualquer outro entrar; é um mercado que qualquer um pode entrar”.
Mudanças de paradigma
As discussões do primeiro dia do Mobile World Congress, disse Baigorri, já apontam que a tolerância com o "tráfego sujo", como chamadas abusivas e spoofing, está sendo substituída por uma postura proativa das operadoras, que agora enxergam na integridade da rede a única forma de preservar o valor de seus investimentos. Spoofing são fraudes em que criminosos falsificam o número de origem para se passar por fontes confiáveis.
"Não se trata mais do regulador tentando impor medidas de conformidade na indústria; a própria indústria percebeu que, ao permitir que suas redes trafeguem lixo e fraudes, ela está destruindo o próprio negócio e a confiança do consumidor”, disse o presidente da Anatel.
Wi-Fi 7
Antes da entrevista coletiva, Baigorri e o conselheiro Octavio Pieranti acompanharam a divulgação do white paper elaborado pela Huawei que defende a adoção de políticas públicas para acelerar a disseminação do Wi-Fi 7 no Brasil a partir de 2027.

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