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SEGURANÇA DIGITAL
#FiqueEsperta e mais segura no ambiente digital
Iniciativa chama a atenção para práticas criminosas realizadas no ambiente on-line focadas nesse grupo
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) inicia neste mês a 2ª edição do Movimento #FiqueEsperto de 2026, com foco no enfrentamento à violência digital contra mulheres. Com o slogan #FiqueEsperta e mais segura no ambiente digital, a campanha incentiva que o público feminino esteja mais informado, vigilante e cada vez mais protegido na internet.
A iniciativa chama a atenção para práticas criminosas realizadas no ambiente on-line focadas nesse grupo, como ameaças, perseguição (cyberstalking), fraudes digitais, invasão de contas e sextorsão (chantagem com imagens íntimas), além de reforçar a importância da denúncia e do uso dos canais oficiais de apoio às vítimas.
A campanha está disponível no portal https://fe.seg.br. Os conteúdos com dicas de segurança também são enviados pelas prestadoras de telefonia móvel por SMS e e-mail e divulgados nos canais institucionais e redes sociais dos parceiros, podendo ser acompanhados pela hashtag #FiqueEsperto.
A ação de conscientização se insere em um contexto de crescimento da violência digital no Brasil, especialmente aquela direcionada a mulheres. Segundo a SaferNet, em 2025, foram registradas 8.728 denúncias de misoginia, violência ou discriminação contra mulheres, configurando a segunda categoria mais reportada no país e a de maior crescimento proporcional em relação a 2024, com aumento de 224,9%.
Campanha
A campanha #FiqueEsperto tem como objetivo orientar a população sobre prevenção, identificação e resposta a situações de violência digital. Ao longo do mês, serão divulgadas mensagens educativas com foco em comportamentos seguros no ambiente digital e na preservação de evidências em casos de ocorrência.
Entre as orientações, enfatiza-se a atenção ao compartilhamento de imagens íntimas e aos riscos associados à perda de controle sobre esse tipo de conteúdo. Uma vez enviados, arquivos podem ser salvos, replicados ou utilizados de forma indevida, inclusive para práticas criminosas como a sextorsão. A campanha também reforça que, em situações de vazamento ou ameaça, a vítima não deve se sentir culpada, sendo fundamental preservar provas e buscar apoio institucional.
As recomendações incluem ainda a guarda de registros, como capturas de tela, links e identificação de perfis, além do acionamento dos canais oficiais de denúncia. Em casos de risco imediato, deve-se acionar o 190. Para orientação e encaminhamento, está disponível o Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, além das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e dos mecanismos de denúncia das plataformas digitais.
Avanço regulatório
O tema também ganhou destaque recente no campo regulatório com a publicação, no último dia 21 de maio, do Decreto nº 12.976/2026, que estabelece diretrizes para a proteção e o enfrentamento da violência contra mulheres no ambiente digital. A norma orienta a atuação do poder público e prevê medidas voltadas à prevenção, mitigação e remoção de conteúdos ilícitos relacionados à violência de gênero no ambiente on-line.
O decreto reforça princípios como a proteção da privacidade e dos dados pessoais, a não revitimização e o combate à discriminação contra mulheres, além de abranger diferentes formas de violência digital, como perseguição on-line, violência psicológica, divulgação não autorizada de conteúdo íntimo, assédio digital, violência política de gênero e uso indevido de inteligência artificial para criação de conteúdos falsos.
Cenário
Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, indicam que cerca de uma em cada 10 brasileiras com 16 anos ou mais, o equivalente a 8,8 milhões de mulheres, sofreu algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. As formas mais recorrentes incluem mensagens ofensivas, disseminação de mentiras em redes sociais e invasão de contas. O levantamento também aponta aumento em práticas mais graves, como o uso de fotos ou vídeos íntimos com o objetivo de chantagear as vítimas, evidenciando a crescente complexidade e o impacto desse tipo de violência no ambiente digital.
Além disso, o material informativo “Desinformação: Uma Das Dimensões Da Violência De Gênero”, publicado pelo Supremo Tribunal Federal, indica que a desinformação tem sido utilizada como instrumento de violência de gênero no ambiente digital, por meio da disseminação de conteúdos falsos, ataques à reputação e exposição indevida de mulheres, com impactos sobre sua segurança e participação social.
No contexto internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que a violência contra mulheres constitui uma emergência global e vem sendo intensificada pelo ambiente digital. Segundo a ONU Mulheres, o espaço online tem se tornado um ambiente de assédio, abuso e controle para milhões de mulheres, com a expansão de práticas como perseguição, disseminação de ódio, vazamento de imagens íntimas e uso indevido de novas tecnologias. Relatórios recentes indicam ainda que, em grupos mais expostos, como jornalistas e ativistas, sete em cada dez mulheres já sofreram violência online, muitas vezes com desdobramentos no mundo físico.
Sobre o #FiqueEsperto
Atualmente, além da Agência, outras 19 instituições integram a iniciativa, entre entidades do setor de telecomunicações, sistema financeiro, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.
Páginas associadas
Movimento #FiqueEsperto
Dicas contra Fraudes – Anatel
Segurança Cibernética – Anatel