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PREMIAÇÃO
Anatel reconhece trabalho da Vivo e da Algar com o Prêmio de Acessibilidade em Telecomunicações 2026
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizou, nesta quarta-feira (6), a cerimônia de entrega do Prêmio Anatel de Acessibilidade em Telecomunicações 2026. Em evento que reuniu representantes do setor e autoridades, a Vivo venceu na categoria de grandes operadoras pelo segundo ano consecutivo, enquanto a Algar Telecom conquistou o primeiro lugar entre as Prestadoras de Pequeno Porte (PPPs).
O prêmio, que chega à sua oitava edição, é resultado de um monitoramento rigoroso e de fiscalizações técnicas realizadas pela Agência ao longo do último ano. O ranking é estabelecido com base na Resolução nº 667/2016 da Anatel, que fixa metas de acessibilidade para garantir que os serviços de telecomunicações sejam plenamente utilizados por todos os cidadãos.
Para o vice-presidente da Anatel, Alexandre Freire, que conduziu a cerimônia de premiação, esse reconhecimento coloca as pessoas no centro da atuação regulatória, pois a Agência compreende que a acessibilidade não é apenas um requisito técnico ou uma obrigação, mas um princípio civilizatório.
“Não há conectividade significativa sem acessibilidade. O acesso à comunicação é condição essencial para o exercício da cidadania na sociedade digital, facilitando o acesso à educação, ao trabalho digno, à saúde e a serviços como a intermediação de Libras em tempo real”, afirmou Freire.
Um dos participantes da cerimônia, o conselheiro Octavio Pieranti disse que o poder público começou focando nas pessoas com deficiência. Porém, ele ressaltou ser necessário “ir além” e destacou o posicionamento da Anatel na questão. “Atualmente, discutimos um novo Regulamento Geral de Acessibilidade com o objetivo de ampliar o público-alvo. A proposta da área técnica busca incluir outros segmentos da população em situação de vulnerabilidade, como idosos, indígenas, pessoas pretas e pardas, mulheres, pessoas de baixa renda e com baixa escolaridade”, afirmou.
Amadurecimento do setor
O prêmio transforma normas em qualidade, impulsionando o setor a superar metas de inclusão. A liderança da Vivo e da Algar Telecom reflete o amadurecimento regional e digital do mercado. Essa iniciativa funciona como ferramenta de cidadania, garantindo autonomia e dignidade para milhões de brasileiros com deficiência.
O conselheiro Nilo Pasquali, que também participou do evento, destacou que o prêmio funciona como um instrumento moderno capaz de articular fiscalização, transparência e incentivo positivo, estimulando a melhoria contínua dos serviços. “A acessibilidade deve ser compreendida como um elemento estruturante da política pública de telecomunicações, um princípio que nos guia desde a promulgação da LGT [Lei Geral de Telecomunicações] e que vem sendo reforçado anualmente pelas ações da Agência”, afirmou.
Esse rigor técnico foi detalhado pela superintendente de Fiscalização, Gesiléa Teles. “A acessibilidade não é complementar, é um direito fundamental que assegura autonomia. Este prêmio sustenta-se em um trabalho técnico e objetivo. A Superintendência de Fiscalização é parceira fundamental nesse processo, transformando regras em realidade concreta”, disse.
Conexão
A importância dessa autonomia foi reforçada pela conselheira titular do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Cleunice Bohn, que defendeu o uso do desenho universal para eliminar barreiras. “A acessibilidade abre portas, humaniza e inclui. Ela não é apenas uma obrigação regulatória, mas parte essencial da nossa visão sobre a prestação de serviços de telecomunicações. Nosso objetivo é conectar pessoas, reduzir barreiras e ampliar oportunidades.”
A cooperação internacional também foi um ponto alto da cerimônia, com a participação de Rodrigo Robles, assessor principal da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que elogiou o protagonismo brasileiro ao declarar que “a acessibilidade não é um complemento, não é um extra, mas uma condição básica de qualidade para qualquer serviço de telecomunicações”.
De acordo com a chefe de gabinete do Ministério das Comunicações, Daniela Garcia, que representou o ministro Frederico de Siqueira Filho, acessibilidade não se limita apenas à adaptação, mas também à autonomia e à dignidade. “O Ministério das Comunicações tem plena consciência desse papel. Trabalhamos diariamente para ampliar o acesso à conectividade, reduzir as desigualdades e garantir que a transformação digital chegue a todos, sem exceção. Sabemos que não há inclusão digital verdadeira sem acessibilidade”, frisou.
Vencedores
Pelo lado das empresas, o reconhecimento foi recebido com entusiasmo e compromisso renovado. André Vartan, diretor da Vivo, celebrou a vitória da operadora, salientando que “sem diversidade, acessibilidade e inclusão, não há inovação”, pilares que hoje são fundamentais para a sustentabilidade do negócio.
No mesmo sentido, Gabriela Teles Vasconcelos, consultora da Algar Telecom, pontuou que o prêmio reflete uma visão humanizada da prestação de serviços, pois “a acessibilidade abre portas, humaniza e inclui”.
Efeito
Bruno Simão, pessoa com deficiência, palestrante e analista de qualidade de TI na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, destacou o efeito multiplicador causado pela iniciativa da Anatel em premiar as empresas que se destacam em acessibilidade. Ele participou do evento para reforçar a importância do prêmio promovido pela Anatel e mostrar seu efeito multiplicador.
“Inspirada pelo exemplo que a Anatel tem oferecido ao setor de telecomunicações, a B3 sentiu-se incentivada a promover o seu próprio prêmio de acessibilidade para o mercado financeiro. O objetivo dessa iniciativa é ampliar a acessibilidade e a inclusão também no mercado financeiro”, disse Bruno, que é cego em razão de glaucoma congênito.
Confira mais fotos do evento feitas por Lucas Bolzan no Flickr da Anatel