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MÊS DO CONSUMIDOR
Anatel atualiza metodologia de indicadores para medir as habilidades digitais dos brasileiros
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou um novo estudo detalhado sobre o cenário das habilidades digitais no Brasil, incorporando uma metodologia atualizada e alinhada às diretrizes internacionais. A mudança, aprovada em setembro de 2024 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), amplia a capacidade de diagnóstico do país ao expandir a análise de nove para 20 indicadores. Para a população, essa evolução metodológica permite a criação de políticas públicas mais assertivas e iniciativas regulatórias que atendam às necessidades reais de conectividade significativa e segurança no ambiente digital.
O novo documento utiliza como base o quadro de competências europeu DigComp 2.2, representando um salto de profundidade em relação ao estudo anterior da Agência. A análise agora se divide em cinco áreas de competência fundamentais: Alfabetização em Informação; Comunicação e Colaboração; Criação de Conteúdo Digital; Segurança; e Resolução de Problemas. Essa perspectiva ampliada permite estabelecer ações mais precisas para as necessidades da sociedade, servindo como base sólida para o Plano Estratégico institucional.
Ao alinhar essa estrutura metodológica à visão da Agência, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, ressaltou que a iniciativa vai além da teoria: "A partir do cruzamento de informações da TIC Domicílios e da UIT, estamos elaborando indicadores que ajudarão o Governo Federal e o Ministério das Comunicações a desenhar políticas públicas e medidas regulatórias para aumentar as habilidades digitais da população, contribuindo para uma conectividade significativa e um ambiente digital mais seguro".
Panorama atual e desafios
Os dados do estudo revelam que, entre 2022 e 2025, a proporção de brasileiros com nível agregado básico de habilidades subiu de 18,3% para 21,3%. Esse crescimento é impulsionado pelo uso de ferramentas cotidianas, como serviços bancários (48,8%) e compras online (44,4%).
Por outro lado, a parcela da população com nível agregado de habilidades digitais acima de básico registrou uma redução, partindo de 14,1% em 2022, para 13,6% em 2025. Além disso, a proporção de pessoas com nível acima de básico em áreas críticas para a transformação digital e para a proteção do cidadão, como Segurança e Criação de Conteúdo Digital, apresentou retração no período.
Desigualdades e o pilar educacional
Os dados reforçam a persistência de lacunas regionais e sociais. As populações das regiões Norte e Nordeste, das áreas rurais, das classes DE e de menores níveis de ensino, além das pretas e pardas, têm sistematicamente proporções menores de pessoas com nível básico e acima do básico de habilidades digitais.
Por outro lado, as mulheres evoluíram consideravelmente, com proporções maiores que a dos homens em diversas atividades, com destaque para as de Comunicação e Colaboração e as de Resolução de Problemas. Ainda assim, em competências mais técnicas, como a de programação, elas continuam em defasagem em relação aos homens.
As maiores lacunas de competências digitais ocorrem em relação a classes sociais, nível de escolaridade e faixa etária. Neste último caso, de maneira geral, a população das faixas entre 16 e 34 anos está mais bem preparada para o mundo digital que as demais, especialmente crianças (até 15 anos) e idosos (60+).
"A efetiva inclusão digital é fruto não só do acesso às tecnologias, mas também da habilidade da população em saber usá-las. Isso é fundamental na construção de um ambiente em que todos tenham as mesmas condições e oportunidades", disse o conselheiro da Anatel Octavio Pierante.
Enfrentamento às desigualdades
Para a superintendente de Relações com Consumidores, Cristiana Camarate, o diagnóstico é vital para orientar o enfrentamento dessas desigualdades. “Este estudo atualiza o retrato das habilidades digitais no Brasil e mostra que, para avançarmos, precisamos enfrentar de forma coordenada as disparidades regionais e socioeconômicas, priorizando a segurança e o uso produtivo”, afirmou.
Complementando a visão técnica, a gerente de Interações Institucionais, Satisfação e Educação para o Consumo da Anatel, Isadora Moreira Firmino, ressalta que os dados servem como bússola para a gestão. “Esses dados se tornam um instrumento prático ao deixar claro onde estão os gargalos e ao organizar metas por competência para orientar o monitoramento e ajustes contínuos no planejamento da Agência”, completou.
Metas

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O relatório propõe ainda objetivos de longo prazo para que o Brasil alcance níveis de excelência, como por exemplo, uma proporção de 58% da população alfabetizada em informação e dados em 2030, 71% em 2040 e 83% em 2025.
Segundo o estudo, devem ser implementadas iniciativas “proporcionalmente universais”, ou seja, que visem alcançar o maior número possível de pessoas nos mais diversos recortes, mas com maior intensidade onde o déficit é mais notável, como as regiões Nordeste e Norte, as pessoas de baixa renda e de menor nível de escolaridade.
Outro aspecto importante apontado pelo estudo é a necessidade de investir na capacitação contínua de crianças e jovens como pilar da agenda nacional de desenvolvimento das habilidades digitais.