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Pesquisadores do Observatório Nacional palestram sobre sismologia marinha na UFSC
Três representantes do Observatório Nacional (ON/MCTI) ministraram palestras na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Joinville, sobre projetos de pesquisa em sismologia marinha. No dia 24 de agosto, os pesquisadores Dr. Gilberto Leite, Dr. André Nascimento e Dr. Diogo Coelho compartilharam com estudantes e docentes da UFSC, os avanços tecnológicos em sismologia terrestre e oceânica coordenados pelo ON, destacando o papel estratégico da ciência nacional na integração com a academia. Assista ao vídeo da palestra no fim da matéria, após ler o resumo de cada apresentação.
Imageamento da crosta sob Santa Catarina com ruído ambiental
A abertura coube ao Dr. André Nascimento, especialista em tomografia de ruído ambiente, que apresentou os resultados preliminares de sua pesquisa que busca imagear a estrutura de velocidade sob Santa Catarina ao longo de um perfil de estações sísmicas. Esse perfil, que compreende 28 estações instaladas para um experimento sísmico onshore-offshore, permitiram o cientista detectar anomalias de velocidade em subsuperfície e interpretá-las com dados geológicos, possibilitando uma melhor compreensão sobre a evolução geodinâmica local.

- O Dr. André Nascimento, especialista em tomografia de ruído ambiente, apresentou os resultados preliminares de sua pesquisa que busca imagear a estrutura de velocidade sob Santa Catarina ao longo de um perfil de estações sísmicas. Foto: ON.
Planadores submarinos na detecção de terremotos globais
Em seguida, a palestra do Dr. Diogo Coelho, focou no uso de planadores submarinos (gliders) nas bacias de Santos e Campos para detectar terremotos distantes.
Ao analisar os dados gravados por hidrofones nesses equipamentos, a equipe do ON criou algoritmos capazes de identificar e classificar automaticamente tremores globais a milhares de quilômetros de distância.
"Os gliders são planadores submarinos que operam de forma totalmente silenciosa. Eles não possuem motores elétricos ou hélices porque qualquer vibração artificial contaminaria o registro sismológico. A locomoção é controlada de forma puramente hidráulica, bombeando óleo de um compartimento interno para uma câmara externa para alterar a flutuabilidade, enquanto o direcionamento é feito inclinando e girando um pesado pacote interno de baterias", explicou o Dr. Diogo. “Conseguimos classificar e recuperar de forma automática 11 sismos globais, mesmo em um equipamento que não foi originalmente feito para isso”, continuou.

- Dr. Diogo Luiz de Oliveira palestra sobre o uso de planadores submarinos (gliders) nas bacias de Santos e Campos para detectar terremotos distantes. Foto: ON.
Soberania e inteligência artificial no oceano profundo
O painel científico foi encerrado pelo Dr. Gilberto Leite, pesquisador do ON e líder das frentes de monitoramento sísmico offshore no âmbito do Projeto RSBR-MAR. O pesquisador apresentou os resultados preliminares do projeto RSBR-Mar, que envolveu a instalação de Sismógrafos de Fundo Oceânico (OBS) e de hidrofones flutuantes (MERMAIDs) ao longo da margem sudeste do Brasil para estudar a sismicidade na região.
O sismólogo do ON detalhou a expedição de 2025 para instalação de 5 OBS e 8 MERMAIDs ao longo da margem sudeste, e a campanha mais recente na Elevação do Rio Grande (ERG),a 1.500 km da costa, que envolveu a instalação de dois OBS com apoio da Marinha do Brasil para estudar a origem da crosta na região. A ERG é uma região estratégica e rica em depósitos minerais, onde os sensores instalados ajudarão a definir se a crosta local tem origem continental ou oceânica. Os dados deverão ser coletados até setembro de 2027, e permitirão, de maneira inédita, estudar a estrutura profunda sob a região com dados sismológicos.

- O Dr. Gilberto Leite apresenta os resultados preliminares do projeto RSBR-Mar, que envolveu a instalação de Sismógrafos de Fundo Oceânico (OBS) e de hidrofones flutuantes (MERMAIDs) ao longo da margem sudeste do Brasil para estudar a sismicidade na região. Foto: ON.
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