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ON cumpre missão de popularização da ciência ao ter cobertura do eclipse solar retransmitida por vários veículos de comunicação
O Observatório Nacional (ON/MCTI) cumpriu mais uma vez a sua missão de popularizar a ciência e de levar a astronomia a todos os cantos do país. Na última quarta-feira, 12 de agosto, o canal do ON no YouTube realizou uma transmissão ao vivo do eclipse solar total, dentro do programa “O Céu em sua Casa: observação remota”. Com duração de cinco horas, a cobertura teve início às 11h30 e se estendeu até as 16h30 (Horário de Brasília). Clique aqui para assistir. A transmissão já ultrapassou 60 mil visualizações, com um pico de 2,5 mil pessoas vendo ao mesmo tempo, sem contar as pessoas que viram a retransmissão em sites como G1 e Terra.
Como esse eclipse solar não pôde ser visto do território brasileiro, a exibição ao vivo para todo o Brasil só foi possível graças ao compartilhamento em tempo real de imagens capturadas por três parceiros estratégicos que estavam em locais onde foi visível:
- Marcelo Domingues (Clube de Astronomia de Brasília e Astronomia ao Vivo), que viajou para a Espanha especialmente para transmitir o eclipse solar;
- Time and Date, organização internacional de serviços astronômicos e parceira de longa data do ON; tinha câmeras em vários lugares na Europa;
- Observatório Astrofísico de Javalambre (OAJ), importante instalação científica localizada na Espanha.
A astrônoma do ON, Dra. Josina do Nascimento, esteve à frente da cobertura e explicou ao vivo o motivo de o ON ter parceiros em diferentes lugares do mundo transmitindo o eclipse."É exatamente igual ao Pequeno Príncipe arrastando a sua cadeirinha: se ele fica com a cadeirinha parada, só vê o sol se pôr uma vez. Como temos várias câmeras em locais diferentes, é como se estivéssemos acompanhando vários eclipses acontecendo", disse a Dra. Josina, que é gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP/ON).
O esforço do ON e seus parceiros compensou, pois a cobertura que fizeram foi amplamente replicada e destacada em diversos veículos de comunicação, como G1, Terra e D'Ponta News, consolidando o ON como referência nacional em divulgação científica.

- Cobertura que o ON fez do eclipse solar teve mais de 60 mil visualizações no canal oficial da unidade de pesquisa. Foto: ON.
Condução e time de especialistas
Além da astrônoma do ON, Dra. Josina Nascimento, a transmissão contou com a participação de um time de astrônomos e divulgadores científicos parceiros do programa "O Céu em sua Casa: observação remota". São eles:
- Aluisio Amorim (Graviton Scientific Society, Teresina/PI);
- Dermeval Neto (Seara da Ciência e Planetário Rubens de Azevedo, Fortaleza/CE);
- José Carlos Diniz (Clube de Astronomia de Nova Friburgo/RJ);
- Marcelo Domingues (Clube de Astronomia de Brasília e Astronomia ao Vivo);
- Matheus Stellfeld (ImaginAstro);
- Profa. Renata Martins (Sinop/MT);
- Rodrigo Fernandes (Grupo Tapirapé, Pouso Alegre/MG);
- Wandeclayt Melo (Projeto Céu Profundo, São José dos Campos/SP).
Geometria do céu, próximos eclipses e o consolo aos brasileiros
Durante a transmissão, a Dra. Josina Nascimento fez questão de ressaltar repetidas vezes que não adiantaria olhar para o céu em nenhuma região do Brasil, pois o fenômeno não seria visível de nenhuma parte do país, nem mesmo de forma parcial. “Pelo amor de Deus, não subam no telhado, não vão para lugar nenhum ver o sol aqui no Brasil. Não vai ser visível e não é para olhar para o sol em hipótese alguma sem a proteção correta”, alertou.
A astrônoma explicou que a sombra mais escura da Lua (umbra) estava voltada para a faixa do Hemisfério Norte, cobrindo áreas do mar e de países como Espanha, Portugal, Islândia, Groenlândia e Rússia.
A Dra. Josina sempre consolava o público brasileiro, lembrando que os eclipses solares sempre cobrem faixas muito estreitas do planeta e que a grande maioria das pessoas no mundo inteiro também não conseguiu ver o eclipse de ontem a olho nu.
Chat no YouTube recebeu 3 mil mensagens
A participação de brasileiros que estavam no exterior foi fundamental para o sucesso da transmissão, tanto no fornecimento de imagens quanto no relato das condições locais do fenômeno.
O destaque principal foi Marcelo Domingues, que viajou para a Espanha especificamente para transmitir o eclipse solar total. Ele se estabeleceu em Castrojeriz, na província de Burgos, onde montou uma estrutura com telescópios e internet via Starlink para enviar as imagens ao vivo para o ON.
Além de Marcelo e família na Espanha, diversos brasileiros residentes em outros países participaram ativamente através do chat da transmissão, compartilhando o que viam de suas localizações:
Portugal: Houve grande participação de brasileiros em cidades como Lisboa e Porto, incluindo os usuários Caio, Felipe e Isabela. Um destaque foi o perfil "Só Vivendo uma Vida", identificado como uma criança em Lisboa que observava com óculos especiais e um telescópio.
Islândia: A brasileira Anne Souza relatou diretamente da Islândia que o céu já havia escurecido totalmente durante o ápice do fenômeno.
Áustria: Márcia Carvalho interagiu de sua localização, questionando sobre a porcentagem de visibilidade do eclipse parcial em sua região.
Essas colaborações permitiram que o público no Brasil, onde o eclipse não foi visível, pudesse contemplar o evento através dos olhos e lentes de compatriotas espalhados pelo Hemisfério Norte.
Eclipse solar de 2027 será visível no Brasil
Ao longo das cinco horas de transmissão, a astrônoma por várias vezes destacou que a espera por um eclipse solar visível no país não será longa. O próximo será o eclipse anular de 6 de fevereiro de 2027: a faixa de visibilidade da anularidade estará sobre o mar, tangenciando o litoral extremo leste do Estado do Rio de Janeiro, mas o eclipse poderá ser visto de forma parcial em quase todo o Brasil (exceto no extremo noroeste).
A Dra. Josina revelou que o ON já está se articulando para superar o desafio geográfico desse eclipse, visto que a "anularidade" (o momento do "anel de fogo") ocorrerá sobre a água. “O (eclipse) de 6 de fevereiro ele vai se anular no oceano. A gente vai transmitir do mar, mas a gente vai orientar todo mundo para ver o eclipse parcial como nós fizemos em 2023”, afirmou.
Além disso, a equipe do ON aproveitou a oportunidade para ensinar a população a observar o Sol com segurança, reforçando que o vidro/filtro de soldador número 14 é o único equipamento de baixo custo adequado e seguro para a observação solar indireta, descartando terminantemente o uso de óculos escuros, chapas de raio X ou outros improvisos perigosos.
Com o sucesso da retransmissão e a participação ativa de milhares de internautas, o Observatório Nacional reafirmou seu papel essencial na democratização do saber científico e no combate à desinformação nas redes sociais.
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