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Observatório Nacional transmite eclipse lunar; apesar do horário, público dobrou em relação ao eclipse solar do começo do mês
A Lua brilha para todos. Ao contrário do eclipse solar ocorrido no dia 12 de agosto, que não foi visível no Brasil e fez o Observatório Nacional (ON/MCTI) recorrer a parceiros localizados fora do país para transmiti-lo, o eclipse lunar quase total de quinta-feira, 27 de agosto, pôde ser visto de todo o território nacional. Através do programa "O Céu em sua Casa: observação remota", o mesmo que transmitiu o eclipse do Sol semanas antes, o ON teve uma rede de parceiros em diversas cidades brasileiras, garantindo, com os respectivos telescópios, que o público acompanhasse o fenômeno em tempo real. Veja abaixo como foi a transmissão.
Tal como ocorreu com o eclipse solar no começo do mês, a cobertura do ON foi retransmitida por diversos veículos de comunicação, como os que seguem:
- Além do Universo;
- Correio Braziliense;
- Cosmic Nearness;
- CTP News;
- G1;
- O Estado Acre;
- Olhar Digital;
- Terra;
- Vixe! Nem Sabia
- Zero Hora.
Durante a transmissão do eclipse lunar, o YouTube do ON recebeu 10.603 mensagens no chat da live. Espectadores de todos os estados brasileiros relataram as condições do céu, unindo-se a brasileiros residentes em Portugal, Espanha, Áustria e Islândia. Ao final da transmissão, o vídeo acumulava 113 mil visualizações, que atualmente já ultrapassam 140 mil. Isso é quase o dobro das 69 mil visualizações que a transmissão do eclipse solar pelo ON registra até o momento.
Condução e papel da divulgação científica
A Dra. Josina do Nascimento, astrônoma do ON e gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP), liderou o evento destacando a importância de um evento como esse para a divulgação científica. “Estamos realizando esse trabalho desde junho de 2020, quando começamos com o Programa 'O Céu em sua Casa: observação remota'. Aqui conversamos com pessoas de todo o Brasil e de várias localidades do mundo como se estivéssemos juntos presencialmente em volta de um telescópio. Aqui falamos de ciência, de educação, de nós mesmos, do que estamos vivendo e de nossos sonhos. Aqui nos emocionamos juntos, cada um diante de seu céu e de sua vivência. É algo grandioso demais!”, afirmou a astrônoma.
O eclipse lunar atingiu seu ápice às 01h13 de 28 de agosto, momento em que 96,2% do disco lunar entrou na umbra, a sombra mais escura da Terra. Josina explicou que, diferentemente dos eclipses solares, a experiência lunar é uniforme: "Todas as pessoas que estão vendo a Lua estão vendo a mesma Lua, a mesma fase do eclipse".

- No Horário de Brasília, o eclipse lunar atingiu seu ápice às 01h13 de 28 de agosto, momento em que 96,2% do disco lunar entrou na umbra, a sombra mais escura da Terra. Foto: YouTube/ON.
Análises técnicas e visões dos especialistas
O tom avermelhado da Lua foi detalhado pelo pesquisador Eugênio Reis Neto, do MAST. “A lua fica com esse tom porque a atmosfera da Terra desvia a cor vermelha da luz do sol em direção à lua". De Teresina, Aluisio Amorim relatou a clareza da observação: "A olho nu tá lindo assim você consegue olhar para cima você vê bem direitinho a parte a divisão a a curvinha ali da sombra da Terra". A abrangência nacional foi celebrada por Dermeval Neto, de Fortaleza: "Hoje eu acho que nós batemos o recorde. Todos os estados hoje estavam aqui (na live). Não faltou nenhum mesmo".
A rede de especialistas que compôs a transmissão incluiu:
- Aluisio Amorim (Graviton Scientific Society – Teresina/PI)
- Dermeval Neto (Seara da Ciência – Fortaleza/CE)
- Eugênio Reis Neto (MAST)
- Fernando Marques (INPE/Univap – São José dos Campos/SP)
- Gabriel Hickel (UNIFEI)
- Hélio Ornellas (Sinop/MT)
- Heliomárzio Rodrigues Moreira (SBAA/Seara da Ciência – Fortaleza/CE)
- Marcelo Domingues (CASB/Astronomia ao Vivo – Brasília/DF)
- Marcelo Zurita (APA/Olhar Digital – João Pessoa/PB)
- Mateus Stellfeld (ImaginAstro/ON)
- Ricardo Ogando (CTI Renato Archer/UNIFEI)
- Rodrigo Fernandes (Astronomia na Rua – Pouso Alegre/MG)
- Wandeclayt Melo (Projeto Céu Profundo – São José dos Campos/SP)
Durante as observações, Marcelo Domingues detalhou a passagem da sombra sobre o relevo. "A gente vê a umbra cobrindo as crateras e o relevo da lua. É muito legal isso". Em Itajubá, Ricardo Ogando orientou o público sobre o conforto: "Quem tiver num lugar frio igual aqui Itajubá tem que se agasalhar. Outra preocupação também é com a cervical. Pega uma espreguiçadeira para olhar com conforto". Sobre equipamentos, Heliomárzio Rodrigues Moreira esclareceu que "o mais interessante é que você tenha uma área coletora cada vez maior para ter cada vez mais dados recebidos".
A segurança e a ciência também foram temas centrais. Rodrigo Fernandes desmistificou boatos, garantindo que "não existe nenhuma evidência de influência no comportamento humano a única influência que é da felicidade da gente ver o eclipse". Fernando Marques relembrou que "em 2019 a gente teve um eclipse e durante o eclipse teve a colisão de um meteorito na superfície da lua".
A figura do coelhinho na Lua, formada pelo arranjo das crateras lunares, foi um dos destaques lúdicos e didáticos da transmissão, sendo utilizada tanto para a orientação geográfica quanto por seu significado cultural. De acordo com o projeto Astronomia na Rua, a silhueta do animal serve como uma referência prática para identificar o lado oeste do satélite.

- A figura do coelhinho na Lua, formada pelo arranjo das crateras lunares, foi um dos destaques lúdicos e didáticos da transmissão, sendo utilizada tanto para a orientação geográfica quanto por seu significado cultural. Foto: YouTube/ON.
Para além da ciência, a Dra. Josina do Nascimento ressaltou a influência da cultura japonesa, que associa o coelhinho a valores como resiliência e caráter. O colaborador Matheus Stellfeld, do projeto ImaginAstro, enriqueceu a conversa ao destacar a mitologia da Princesa Kaguya, que é amplamente associada à Lua no Japão. Josina comentou que, após aprender sobre essas tradições em lives anteriores, passou a ver a figura em todas as suas observações, afirmando que, uma vez que se identifica o rosto e as orelhas do coelho, torna-se impossível deixar de percebê-lo. Durante a live, o clima descontraído também alcançou o chat, onde espectadores brincaram que quem consegue enxergar o coelhinho estaria apaixonado.
Próximos eventos no horizonte
O Observatório Nacional reforçou que os entusiastas não precisarão esperar muito por novos fenômenos. O próximo destaque será o eclipse solar anular de 6 de fevereiro de 2027, que será visível de forma parcial em quase todo o Brasil. Já para um eclipse lunar total de longa duração visível em todo o país, o encontro está marcado para 25 de junho de 2029.
Refletindo sobre o impacto dessas observações, a Dra. Josina concluiu: "Ver um eclipse é uma coisa que assim é um acontecimento. A gente não esquece. É inesquecível mesmo", garantindo a continuidade do projeto: "A gente vai tentar fazer uma live por mês meio que até o final do ano".
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