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Observatório Nacional testa usina solar no Rio de Janeiro para nova estação magnética em Fernando de Noronha
O Observatório Nacional (ON/MCTI) consolida em suas diretrizes estratégicas a expansão de sua infraestrutura de monitoramento e pesquisa para pontos estratégicos do território nacional. Essa capilaridade institucional visa ampliar a cobertura de redes geofísicas essenciais para o país, com destaque para a rede geomagnética. Nesse contexto, a extensão do monitoramento contínuo a regiões oceânicas e áreas remotas, a exemplo do Arquipélago de Fernando de Noronha, representa uma oportunidade fundamental para o adensamento e a melhoria da cobertura das estações magnéticas do país devido ao seu posicionamento geográfico estratégico.
É justamente para dar continuidade a essa missão institucional que o Laboratório de Desenvolvimento de Sensores Magnéticos (LDSM) iniciou um novo ciclo de testes na sede principal do ON, no Rio de Janeiro. O projeto tem como objetivo final a instalação da Estação Magnética Automatizada em Fernando de Noronha, viabilizada pelo desenvolvimento de uma usina solar compacta off-grid capaz de fornecer energia ininterrupta a toda a instrumentação e ao sistema de transmissão da nova estação.

- Vista frontal da usina solar off-grid que será utilizada para a instalação da Estação Magnética Automatizada na Ilha de Fernando de Noronha. Foto: ON.
Projetar um sistema off-grid (totalmente autônomo e desconectado da rede elétrica) para uma região insular exige um trabalho minucioso de engenharia. A usina precisa suportar intempéries severas, como maresia e ventos fortes, que exigiram uma estrutura reforçada e estável que, no local definitivo de instalação, será chumbada no piso a pelo menos 10 metros do abrigo onde serão colocados os sensores magnéticos da estação.
Enquanto a aplicação final do equipamento será em Fernando de Noronha, todos os testes são realizados na sede da instituição. O protótipo foi montado na cobertura do prédio Anexo da Coordenação de Geofísica, no campus do ON no Rio de Janeiro. Esse espaço funciona como um laboratório ou estação piloto, onde a equipe submete o equipamento a vários dias de avaliação contínua de temperatura, estabilidade e ciclos de carga e descarga antes de enviá-lo definitivamente para a ilha.
A usina tem uma capacidade de geração de 320 Wp e um armazenamento de 200 Ah. Estes valores foram calculados minuciosamente considerando as características de todos os instrumentos e cargas do projeto em conjunto com a localização e o tipo de clima presente na ilha. Uma das premissas principais do dimensionamento é que o tipo de dado é crítico e, por este motivo, a estação não pode parar por falta de energia nem nos meses com baixa incidência solar.
O desenvolvimento, montagem, preparação e a instalação foram conduzidos pelos tecnologistas Dr. José Alejandro Moreno Alfonzo e Dr. Andre Wiermann com constante apoio de Kennedy Nascimento de Ávila e José Roberto Lopes de Carvalho, técnicos do ON. Cabe destacar que essa montagem teve total apoio financeiro do projeto do LDSM, conduzido pelo pesquisador Dr. Luiz Benyosef. “Poder instalar protótipos dentro do campus do ON nos permite ter um seguimento diário e próximo do desempenho e funcionamento dos sistemas que estamos desenvolvendo. Proximamente vamos ter um abrigo de madeira também dentro do campus para os primeiros testes dos magnetômetros que posteriormente serão instalados dentro do Observatório Magnético de Vassouras para intercomparação”, destacou o Dr. Alejandro.
Mais do que um avanço tecnológico local, a futura instalação da Estação Magnética Automatizada em Fernando de Noronha tem relevância estratégica nacional. Os dados contínuos coletados pela estação auxiliam no levantamento da declinação magnética local e na atualização das referências geográficas, contribuindo para o estudo do campo magnético terrestre (escudo invisível que protege o planeta), com aplicações diretas que vão desde o georreferenciamento, a navegação marítima e aérea até a proteção de sistemas de telecomunicações e redes elétricas contra variações causadas pelo clima espacial.

- Vista posterior da usina solar off-grid, na qual se observam os quadros elétricos que albergam toda a instrumentação do equipamento. Foto: ON.