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Observatório Nacional e Marinha do Brasil realizam instalação inédita de sismógrafos na Elevação do Rio Grande
Pesquisadores do Observatório Nacional (ON/MCTI), em ação conjunta com a Marinha do Brasil, instalaram dois Sismógrafos de Fundo Oceânico (OBSs, em inglês) na Elevação do Rio Grande (ERG). A operação, de 16 a 23 de agosto, foi coordenada pelo Dr. Sergio Fontes e contou com a atuação direta do Dr. Gilberto Leite, do Dr. André Nascimento e do Dr. Diogo Coelho, responsáveis pela instalação dos equipamentos e a condução dos estudos sismológicos.

Os equipamentos foram posicionados a cerca de 1.500 quilômetros da costa brasileira em profundidades entre 500 e 600 metros, onde deverão permanecer por um período de um ano. Fotos: ON.
Nomeados ERG1 e ERG2, os equipamentos foram posicionados a cerca de 1.500 quilômetros da costa brasileira em profundidades entre 500 e 600 metros, onde deverão permanecer por um período de um ano. A missão, articulada em conjunto pelo ON, o MCTI e a Marinha do Brasil, integra o Projeto Rede Sismográfica Brasileira no Mar (RSBR-Mar), financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os dados coletados por esses equipamentos devem possibilitar uma melhor compreensão sobre a origem da ERG.

- Da direita para a esquerda, os pesquisadores Dr. Gilberto Leite, Dr. Diogo Coelho e Dr. André Nascimento. Foto: ON.
Demanda científica e investigação geofísica
A instalação dos sismógrafos na ERG atende a uma demanda científica e estratégica de interesse nacional, ampliando o conhecimento geofísico sobre a região. Os novos dados fornecerão subsídios científicos à Marinha do Brasil, contribuindo para estudos relacionados à soberania nacional e para o fortalecimento da base de informações geofísicas que fundamenta os pleitos brasileiros sobre a extensão da plataforma continental.

Os OBSs vão ajudar a investigar a composição crustal da ERG de maneira indireta, por meio dos registros de terremotos distantes. Fotos: ON.
O platô oceânico desperta grande interesse econômico e geológico devido à presença de potenciais recursos minerais, incluindo elementos de terras raras. Nesse contexto, determinar a natureza e a composição da crosta (em particular, estabelecer se sua origem é predominantemente continental ou oceânica) constitui uma questão fundamental para compreender a evolução geológica da ERG.
Para investigar a composição crustal da ERG de maneira indireta, a equipe utilizará métodos sismológicos baseados nos registros de terremotos distantes obtidos pelos OBSs. A técnica se fundamenta na análise de conversões de ondas sísmicas abaixo das estações, permitindo estimar a espessura e a razão entre as velocidades das ondas sísmicas na crosta sob cada estação.
Desafios tecnológicos e a operação oceânica
Cada OBS utilizado na expedição custou cerca de 80 mil euros e foi fabricado pela empresa alemã K.U.M. Com peso de aproximadamente 230 quilos com a âncora de aço, o instrumento é protegido por um tubo de pressão de titânio capaz de resistir a profundidades de até 6.000 metros. Em seu interior, abriga um sismômetro de banda larga Nanometrics e baterias projetadas para garantir de 12 a 14 meses de gravação autônoma contínua.
A operação dos sismógrafos no fundo do oceano apresenta desafios particulares. Sem comunicação com a superfície durante o período de operação, os instrumentos funcionam de forma totalmente autônoma, registrando e armazenando continuamente os dados em sua memória interna por cerca de um ano, até serem recuperados pela equipe.
AVISO
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