EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PARA EDIFÍCIOS PÚBLICOS MUNICIPAIS EM USO

Objetivo
Para edificações públicas municipais em uso que apresentem classificação ineficiente na sua comparação de desempenho energético, deve-se realizar um diagnóstico ou auditoria energética, com o objetivo de compreender o desempenho energético da edificação quanto o comportamento dos seus usuários e implementar ações de retrofit na envoltória do edifício e/ou nos seus sistemas prediais com base nos indicadores da Etiqueta de Energia do Programa Brasileiro de Etiquetagem para Edificações - PBE Edifica.
Conceito
- Implementar melhorias que aumentem a eficiência energética dos edifícios públicos municipais em uso é uma estratégia essencial para que os municípios alcancem metas significativas de redução de consumo e emissões de CO2 por parte dos seus edifícios. Edificações mais antigas, frequentemente caracterizadas por baixa eficiência energética, compõem grande parte do estoque edificado. Uma análise comparativa do desempenho energético das edificações da prefeitura, conforme abordado no item 2.2 no capítulo 2, identifica quais edificações podem ser consideradas ineficientes.
- Diagnósticos energéticos, também conhecidos como auditorias energéticas (do inglês energy audit) fornecem uma visão detalhada do comportamento energético dos edifícios. Essas análises podem incluir recomendações e melhorias através de reformas ou retrofit, sendo avaliada a eficácia das medidas propostas.
- Ações de retrofit ou reformas neste contexto, são remodelações que visam aumentar a eficiência energética do edifício e/ou de seus sistemas prediais, como iluminação, condicionamento de ar ou aquecimento de água, entre outros, e podem ser aplicadas para otimizar o uso da energia. Essas ações podem incluir também ajustes no comportamento dos ocupantes para maximizar os resultados.
- Para uma análise energética inicial das edificações, onde se busca encontrar estratégias de eficiência energética com baixo ou nenhum custo de investimento e entender como o comportamento dos usuários pode afetar o desempenho da edificação, podem ser usadas metodologias como gincanas energéticas (abordado no capítulo 5 que trata de ações de conscientização de eficiência energética para servidores) ou metodologias como a “Pesquisa nas escolas”, pesquisa on-line usada pelo Programa Cidades Eficientes do CBCS para entendimento do estoque de todas as edificações escolares da prefeitura em relação à gestão e consumo de energia e água. Estas ações podem ajudar a descobrir o que está causando ineficiências e apoiar a prefeitura na tomada de decisão de mudanças mais simplificadas, que possam ser realizadas por vezes, com a equipe interna da prefeitura.
- Para análises mais aprofundadas deve ser realizado um diagnóstico/auditoria energética sendo necessária a contratação de profissional especializado que siga a metodologia da ASHRAE 211 de 2018.
Ampliando os conceitos...
Como Implementar no Município
Para implementar ações de eficiência energética em edificações públicas municipais em uso, é necessário seguir um conjunto de passos estruturados que envolvem diagnóstico, planejamento, execução e monitoramento. Os principais passos para a implementação são:
- Identificação das edificações públicas municipais ineficientes: conforme abordado no item 2.2 no capítulo 2, é importante priorizar as edificações que necessitam de melhorias mais urgentes, considerando-se normalmente aquelas com maior consumo energético anual (em kWh/ano) e pior desempenho na análise comparativa por tipologia (em kWh/ano/m2).
- Realização de diagnósticos/auditorias energéticas: após a identificação dos edifícios ineficientes, deve-se realizar diagnósticos/auditorias energéticas simplificadas ou aprofundadas, dependendo da complexidade da edificação e dos seus sistemas. Essas análises permitirão entender o comportamento energético do edifício e identificar as principais oportunidades de melhorias.
- Planejamento de ações de retrofit: com base nas recomendações dos diagnósticos ou auditorias, é essencial desenvolver um plano de retrofit voltado à modernização da edificação e seus sistemas prediais. Os indicadores de desempenho para as ações podem tomar como base os presentes na etiqueta de energia do PBE Edifica (abordado no item 3.2). O plano pode incluir ações como:
- Otimização da envoltória do edifício (isolamento térmico, substituição de janelas e sombreamento, entre outros);
- Modernização de sistemas de climatização e iluminação;
- Melhoria nos sistemas de aquecimento de água;
- Instalação de fontes de energia renovável, como painéis solares;
- Implementação de sistemas de automação para controle de energia
- Captação de recursos e parcerias: a implementação de reformas e auditorias energéticas pode requerer investimentos consideráveis. Os municípios podem buscar recursos junto a programas federais e estaduais, como o Programa de Eficiência Energética (PEE) da ANEEL, ou estabelecer contratos de desempenho e/ou parcerias público-privadas (PPP). Além disso, é possível buscar linhas de crédito voltadas para eficiência energética em bancos públicos e privados (abordado no capítulo 6).
- Execução das ações de retrofit: uma vez planejadas as intervenções, as ações de retrofit devem ser executadas conforme o cronograma estabelecido. É importante garantir que as reformas estejam de acordo com as normas técnicas e regulatórias vigentes, assegurando o melhor desempenho dos sistemas e a adequação ao uso do edifício.
- Educação e conscientização dos usuários: por meio de programas de capacitação para orientar sobre práticas de uso eficiente de energia e o impacto do comportamento humano no consumo (abordado no capítulo 5).
- Monitoramento e gestão de energia: após a implementação das melhorias para garantir que as medidas de eficiência sejam mantidas ao longo do tempo e possam ser identificadas novas oportunidades de otimização. A gestão de consumo e custo das edificações da prefeitura abordada no capítulo 2, item 2.2, auxilia no monitoramento do desempenho das edificações, podendo ser feita também, caso necessário, por uma equipe especializada terceirizada.
- Acompanhamento e avaliação de resultados: a cada etapa do processo, o desempenho energético das edificações deve ser avaliado periodicamente para verificar se os objetivos de economia e eficiência estão sendo alcançados. Esse acompanhamento é essencial para ajustar as medidas implementadas, caso necessário, e garantir o retorno esperado do investimento.
Seguindo essas etapas, o município poderá reduzir significativamente o consumo energético de suas edificações públicas em uso, além de diminuir custos operacionais e contribuir para a mitigação de impactos ambientais, promovendo uma gestão pública mais sustentável e eficiente.
