Notícias
Semana do Meio Ambiente no Jardim Botânico do Rio destaca o papel da ciência diante das crises socioambientais
Entre os dias 1º e 7 de junho, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro promove a Semana do Meio Ambiente, que convida o público a refletir sobre “O papel da ciência diante das crises socioambientais”. Inspirada pelo Dia Mundial do Meio Ambiente — celebrado em 5 de junho e instituído pela ONU em 1972 —, a programação reúne iniciativas que integram conhecimento científico, vivências no arboreto e sensibilização ambiental. Escolas e grupos devem fazer agendamento para facilitar o atendimento.
Ao longo da semana, o público poderá participar de oficinas, exposições, mesas-redondas e trilhas guiadas, em atividades que aproximam ciência, educação e conservação ambiental. Todas as atividades são gratuitas, e não é necessário adquirir ingresso para o arboreto. De segunda a quarta-feira, os estandes estarão instalados no Galpão das Artes. A partir de quinta-feira, outras atividades serão oferecidas no Museu do Jardim Botânico.
Com a proposta de mostrar como a ciência pode contribuir para enfrentarmos as crises socioambientais, o jogo "EcoRota: escolha o seu caminho" coloca os visitantes diante de dilemas reais envolvendo urbanização e ambiente na cidade. Os participantes são os gestores que têm que tomar decisões e se responsabilizar pelas consequências. A pesquisadora Catarina Lira e seus orientandos, criadores do jogo, ressaltam que todos os cenários apresentados são baseados em pesquisas reais realizadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o que acontece no tabuleiro é um reflexo do que eles estudam nos laboratórios.
Dióxido de carbono (CO2) liberado pela queima de combustíveis fósseis, como o diesel e a gasolina, é o principal gás causador do efeito estufa que está aquecendo o planeta a níveis alarmantes, o pivô da crise climática atual. Em um movimento inverso, as plantas retiram CO2 do ar para crescerem. Por isso, os espaços verdes, inclusive nas cidades, são fundamentais para ajudar a regular o clima. As palmeiras-imperiais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por exemplo, famosas por sua imponência, estocam sozinhas 1.962 toneladas de biomassa. Essa é uma das informações que os visitantes vão descobrir na atividade "Árvores que guardam o clima", onde aprenderão como calcular o estoque de carbono das árvores e palmeiras com auxílio de um app.
Também famosa, uma árvore brasileira tem papel fundamental na história do país e revolucionou as artes e a música. Se você pensou no pau-brasil, acertou. Apesar de muito falada, essa espécie ainda guarda enigmas, muitas histórias e surpresas, que estarão em pauta na mesa redonda "Pau-brasil: diálogo entre artes, ciências e saberes tradicionais", no dia 3, às 14h, no Auditório da AAJB.
A arte também se une à ciência na exposição, na oficina e na palestra sobre Ilustração Botânica, com o professor Paulo Ormindo (UFRRJ e ENBT/JBRJ). A exposição Arte Botânica traz obras de Aline Oliveira, Cristiane Melo, David Lucena, Maria Alice Rezende, Mônica Claro, Paulo Ormindo, Susana F. de Souza e Thelma Rezende, que retratam exemplares de espécies ameaçadas e históricas de alguns dos nossos biomas. Já para quem deseja uma reconexão com a terra, a oficina de argila e elementos naturais Poética da Terra integra corpo, imaginação e matéria, valorizando o processo e a expressão individual.
As crianças poderão participar de uma oficina de aquarela botânica com tintas naturais, enquanto descobrem como as plantas estão presentes no nosso dia a dia - na nossa alimentação, na medicina, na construção e em diferentes práticas culturais. A atividade "Plantas na cultura dos biomas" é organizada pelo Serviço de Educação Ambiental (SEA) do JBRJ.
Na maioria dos casos, os botânicos identificam gêneros e espécies de plantas observando e comparando características de flores e folhas. Plantas de uma mesma família podem ter aparências muito diferentes, mas possuem algumas características em comum. Um bom exemplo é o feijão e o pau-brasil, ambos da família das leguminosas, também chamada de Fabaceae, que será tema da oficina prática de Taxonomia e Ontogenia (estudo do desenvolvimento das flores).
Identificar rastros de bichos que moram ou passam pelo Jardim Botânico é o desafio que o Núcleo da Fauna propõe para o público em seu estande. E falando em animais, as abelhas sem ferrão, nativas da Mata Atlântica, são o tema de um percurso pelo arboreto e pelo Meliponário, onde os visitantes poderão ver os ninhos e conhecer as características de diferentes espécies que vivem no Jardim. Também serão oferecidos o passeio guiado "O caminho das aráceas - as flores místicas de Jorge Tadeu", com o pesquisador Marcus Nadruz, e a Trilha das Espécies Ameaçadas, além de vivências guiadas para identificação de espécies com app INaturalist.
Para estudantes de graduação, pós e pesquisadores, o 1º Seminário de Pesquisa da Pós-Graduação da Escola Nacional de Botânica Tropical é uma oportunidade especial para tomar contato com as pesquisas inéditas que estão sendo desenvolvidas pelos mestrandos e doutorandos da ENBT, conversar e, quem sabe, se animar para vir estudar no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O Seminário acontece em 2 de junho na sala multiuso do Museu do Jardim Botânico.
O Museu vai inaugurar a nova instalação BioOCAnomia Amazônica, que terá visitas educativas na quinta-feira (4) e no domingo (7), além de oferecer jogos de cartas sobre sustentabilidade, laboratório de inventos e oficinas de arte e natureza.
Confira a programação completa da Semana do Meio Ambiente JBRJ 2026 com datas e horários das atividades.