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Epítetos de novas espécies de aráceas homenageiam nomes de destaque na botânica brasileira
A família Marquete e as pesquisadoras Ana Maria Giulietti Harley e Ana Angélica Monteiro de Barros são as homenageadas
A família Marquete e as pesquisadoras Ana Maria Giulietti Harley e Ana Angélica Monteiro de Barros foram homenageadas nos epítetos de três novas espécies da família Araceae, cujas descrições foram publicadas em abril deste ano: Anthurium marquetianum, Anthurium giuliettiae e Philodendron angelicanum.
Anthurium marquetianum Felipe & Nadruz foi coletada em expedições realizadas em 2023 nos municípios de Macaé e Santa Maria Madalena, estado do Rio de Janeiro. A espécie não tem nenhum registro de ocorrência dentro de áreas protegidas e foi avaliada pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora/JBRJ) como Em Perigo de extinção (EN). Seu epíteto homenageia os irmãos Nilda, Ronaldo e Osni Marquete por seu empenho na disseminação do conhecimento botânico, inclusive da família Araceae. “Nilda foi minha primeira orientadora”, conta o pesquisador Marcus Nadruz Coelho, coautor desse e dos outros dois artigos aqui mencionados.
No mesmo artigo, publicado no periódico Phytotaxa, é descrita outra nova espécie: Anthurium bonetiense Felipe, Nadruz & J.M.A. Braga, encontrada em expedições a Petrópolis (RJ) também em 2023, na trilha para a Pedra do Bonet. A. bonetiense foi avaliada pelo CNCFlora quanto ao risco de extinção como sendo uma espécie com dados insuficientes (DD – Data Deficient), ocorrendo fora de unidades de conservação. Também assinam o artigo Thays Felipe da Silva (Museu Nacional/UFRJ), Juliana Ribeiro de Mattos (ENBT/JBRJ) e Rosana Conrado Lopes (IB/UFRJ).
A professora Ana Angélica Monteiro de Barros (UERJ/FFP) foi homenageada com o nome de outra espécie nova da Floresta Atlântica fluminense: Philodendron angelicanum Dutra Junior & Sakur. Coletada no município de Cachoeiras de Macacu em 2024, essa planta se destaca na paisagem pela margem alargada das folhas, que lembram asas, característica que se somou para a escolha do epíteto angelicanum.
Embora tenha sido registrada numa Unidade de Conservação, o Monumento Natural Municipal da Serra do Soarinho, estima-se que a espécie seja classificada na categoria Em Perigo (EN) por ter sido encontrada somente em uma área muito restrita e sob pressão de ocupação humana, entre outros fatores. Os autores do artigo, publicado na Phytotaxa, são Daniel Dutra Jr. e Davi Machado (ENBT/JBRJ), Deyvison Damasceno (UERJ), Marcus Nadruz e Cassia Sakuragui (JBRJ).
Se a Floresta Atlântica do estado do Rio de Janeiro ainda tem lacunas de conhecimento sobre sua flora e nos apresenta surpresas como as relatadas acima, o que dizer da Caatinga, comparativamente menos estudada? É nesse domínio fitogeográfico, mais especificamente na região de Rio das Contas e Cachoeira do Fraga, na Bahia, que foi registrada a rara Anthurium giuliettiae Camelo & Nadruz. Primeiramente coletada em 1977 e depois somente em 2019, a espécie foi identificada como nova por meio de estudos morfológicos, taxonômicos e filogenéticos a partir das amostras em herbário.
A avaliação preliminar indica que essa espécie está Criticamente em perigo (CR) de extinção, entre outros motivos porque seu habitat está sendo convertido para agricultura, pasto e urbanização. Com seu epíteto, os pesquisadores homenageiam a Dra. Ana Maria Giulietti Harley que, como Anthurium giuliettiae, tem suas raízes na Caatinga. O artigo foi publicado no periódico Taxon e é assinado por Mel de Castro Camelo e Georgios Pappas, Jr. (UnB), Marcus Nadruz Coelho (JBRJ), Micheline Carvalho Silva (UnB) e Mónica Carlsen (Missoury Botanical Garden).
Links para as publicações:
Two new species of Anthurium Schott (Araceae) from Southeastern Brazil