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Callianthe sellowiana e sua polinização por morcegos e beija-flores
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A Callianthe sellowiana é uma planta nativa das partes altas da Mata Atlântica que tem uma característica especial: suas flores são polinizadas tanto por beija-flores quanto por morcegos.O estudo Polinização por morcegos e beija-flores assegura o sucesso reprodutivo de uma espécie altomontana altamente variável da pesquisadora Isis Paglia, com participação de Gabriel Coimbra e Leandro Freitas, se concentrou na análise dessa planta no Parque Nacional do Itatiaia, entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, em altitudes de 2.000 metros.

- Registro da visita de um beija-flor em uma flor de Callianthe sellowiana. Crédito da imagem: Isis Paglia
Indícios revelaram que tanto os beija-flores (durante o dia) quanto os morcegos (à noite) são eficientes em polinizá-la. E que quando os dois grupos visitam a planta, ela produz ainda mais frutos e sementes do que se fosse visitada por apenas um deles. A flor mostrou grande versatilidade. À noite, fica mais larga, facilitando a entrada do morcego e refletindo melhor o som, que é usado pelos morcegos para localizar as flores - ecolocalização. E, de dia, fica mais estreita, ideal para o bico do beija-flor. As cores da flor (vermelho e verde) também são facilmente reconhecidas por ambos os animais.

- Variação floral em Callianthe sellowiana mostrando a flor mais larga durante a noite (imagens A e B) e mais estreita durante o dia (imagens C e D).
Foi observada uma frequência de visitação maior dos beija-flores, enquanto a dos morcegos apresentou uma maior oscilação. Por isso, a planta aposta nos dois: se os morcegos faltarem, os beija-flores garantem a reprodução. Testes mostraram que basta receber uma pequena quantidade de pólen de outra planta para que a fecundação funcione bem.
Para essa planta ter dois tipos de polinizadores, trabalhando em horários diferentes, se mostrou uma estratégia interessante. Isso garante que a planta tenha maior chance de se reproduzir e sobreviver na natureza.
O artigo foi publicado na Ecology and Evolution, e está disponível, na íntegra, no link https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ece3.72391

