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Ministra Rachel Barros debate sobre racismo ambiental e direito à água na Casa da Igualdade Racial do Rio de Janeiro
Foto: Ana Luísa Pontes/MIR
A Casa da Igualdade Racial do Rio de Janeiro recebeu, na última terça-feira (9), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, para uma roda de conversa sobre racismo ambiental e direito à água.
O encontro reuniu lideranças comunitárias, representantes da sociedade civil, pesquisadores e ativistas para discutir os impactos das desigualdades raciais no acesso à água potável e ao saneamento básico. A atividade foi promovida pela Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde como parte das ações de fortalecimento da luta pelo direito humano à água.
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou que a crise hídrica atinge de forma mais severa a população negra, especialmente mulheres que vivem em favelas e periferias e que a ausência ou precariedade dos serviços de abastecimento de água e saneamento é uma das expressões do racismo ambiental presente nos territórios historicamente negligenciados pelo poder público.
“Sem água não tem saúde, dignidade e nem futuro. Negar água é negar o nosso próprio direito de existir”, afirmou a ministra.
Durante sua fala, Rachel Barros ressaltou também que as mulheres negras costumam ser as principais responsáveis pelo cuidado doméstico e pela gestão da água em seus lares, enfrentando diariamente os impactos da falta de abastecimento regular. Ela alertou ainda para os efeitos da ausência de água tratada e de sistemas adequados de esgotamento sanitário, que contribuem para o aumento de doenças de veiculação hídrica e ampliam as desigualdades em saúde nas comunidades mais vulnerabilizadas.
“O direito à água não pode ser condicionado pela cor da pele ou pelo território de quem o reivindica”, reforçou.
A roda de conversa também abriu espaço para reflexões sobre educação, direitos e justiça climática. Representando a Rede Favela Sustentável, Márcia Souza destacou a importância do letramento racial para meninas e jovens das favelas e periferias. Para ela, reconhecer as desigualdades estruturais é fundamental para que essas jovens compreendam que são sujeitas de direitos e protagonistas de suas próprias trajetórias.
“O letramento racial fortalece a autoestima, a consciência crítica e a compreensão de que viver em uma favela não significa ter menos direitos ou menos oportunidades”, destacou.
A dimensão cultural e religiosa da relação com a água foi abordada pela Ialorixá Roberta Costa, integrante da Rede de Mulheres Negras pelo Clima, que enfatizou que, para os povos de religiões de matriz africana, a água possui um significado que ultrapassa sua função como recurso natural.
“A água é muito mais do que um recurso natural indispensável à vida. Ela é um elemento sagrado, presente em rituais, celebrações, processos de cura, purificação e fortalecimento espiritual. O acesso à água de qualidade é, portanto, uma questão de dignidade, liberdade religiosa e garantia de direitos”, afirmou.
O encontro reforçou a urgência de enfrentar o racismo ambiental como parte da agenda de promoção da igualdade racial no Brasil. Ao reunir diferentes experiências e perspectivas, a atividade evidenciou que garantir o acesso universal à água e ao saneamento básico é uma condição essencial para assegurar saúde, dignidade, liberdade religiosa e cidadania.