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Ministério da Igualdade Racial reforça agenda antirracista em fórum da CEPAL sobre desenvolvimento sustentável
Foto: Thaylyson Santos /MIR
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) integrou a delegação brasileira no 9º Fórum dos Países da América Latina e Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável, entre os dias 13 e 16 de abril, na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em Santiago, no Chile. Durante a missão, a comitiva apresentou as políticas de promoção da igualdade racial conduzidas no país.
Reunindo representantes de governos, organizações da sociedade civil, setor privado e organismos internacionais, o Fórum discute caminhos voltados ao cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
A equipe da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Senapir) liderou a missão do MIR.
Ao destacar a importância da atuação conjunta entre os países da região, o secretário Clédisson ressaltou a necessidade de construção coletiva de políticas voltadas à ampliação de direitos. “Nós, do Governo do Brasil, acreditamos que somente em conjunto, em um processo de aliança e pactuação, é possível produzir cada vez mais direitos para o povo latino-americano e caribenho e construir um novo capítulo”, disse.
No primeiro dia de atividades, o MIR organizou, em conjunto com o Escritório da Cepal no Brasil, o evento paralelo “Igualdade Étnico-Racial na Agenda 2030 e o ODS 18: Dados e Monitoramento para não deixar ninguém para trás”, com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências sobre produção de dados, plataformas de informação e mecanismos de monitoramento voltados à visibilidade estatística das populações afrodescendentes na região. O evento promoveu painel com a participação da Secretaria executiva da Comissão Nacional dos ODS, Ministério das Relações Exteriores (MRE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), representantes da sede da Cepal, além de participação do Governo de Chiapas (México). A conselheira Rosa Negra destacou a relevância do debate para o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e para a sociedade civil.
Dentre os destaques dos temas levados pelo MIR ao Fórum, está a continuidade da discussão sobre a experiência brasileira com o ODS 18, de igualdade étnico-racial, que responde à necessidade de enfrentar o racismo sistêmico como um dos principais desafios ao desenvolvimento. Nesse contexto, a participação brasileira posiciona o país entre aqueles que têm proposto inovações na Agenda 2030, como a criação de um novo ODS e de estratégias específicas para sua implementação.
Após a atividade, a delegação do MIR também participou de outras agendas promovidas no âmbito do Fórum. A diretora de Avaliação, Monitoramento e Gestão da Informação, Tatiana Silva, que também compôs a comitiva, apresentou os avanços na produção de dados desagregados e no monitoramento das metas e indicadores no evento sobre o ODS 18 e em espaços como os eventos “Governança Democrática e Territorialização da Agenda 2030” e “Alianças Multisetoriais para a implementação dos ODS: Experiências Brasileiras de Trabalho em Rede e Governo Colaborativo (ODS 17)”. A diretora participou também de reuniões técnicas com representantes das áreas de estatística e demografia da Cepal.
Nesse contexto, a diretora Tatiana destacou a importância da experiência brasileira. Após desenvolvimento colaborativo das metas e indicadores do ODS 18, a fase de implementação e territorialização do ODS 18, conta com novos desafios. "Nesse momento, é preciso fortalecer capacidades estatais locais, por meio de compartilhamento de metodologias e formação, além de garantir progressos na desagregação de indicadores, para dar visibilidade à população negra e indígena, e suas interseccionalidades. É esse trabalho que temos desenvolvido em conjunto com a Câmara Temática do ODS 18, no âmbito da Comissão Nacional dos ODS, com o Observatório do ODS 18 e com parceiros como a CEPAL”, afirmou.
O secretário Clédisson participou, ainda, da sessão “Sesión sobre la Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Agua de 2026 para Acelerar la Consecución del Objetivo de Desarrollo Sostenible 6”, na qual destacou a posição do governo brasileiro sobre o tema do saneamento básico. “Não haverá universalização do acesso à água e saneamento sem o enfrentamento direto aos efeitos do racismo ambiental e climático”, afirmou.
A delegação brasileira apresentou uma resposta institucional ancorada no plano temático de igualdade racial, integrado ao Plano Clima de Adaptação e à Declaração de Belém de Combate ao Racismo Ambiental, assinada na COP30 por 19 chefes de Estado, com liderança do Brasil.
No último dia da missão, o secretário Clédisson também cumpriu agenda na Embaixada do Brasil em Santiago, onde se reuniu com o embaixador Paulo Pacheco. Na ocasião, foram discutidos os desafios do governo brasileiro na territorialização do ODS 18 e a importância da troca de experiências com outros países para o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à promoção da justiça e equidade.
Durante o encontro, também foram abordados temas relacionados à conjuntura regional, como a transição do governo chileno e seus impactos na geopolítica latino-americana, além de questões migratórias e a celebração do Dia da Amizade entre Brasil e Chile, prevista para o próximo dia 22 de abril.