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Celebração dos 25 anos de Durban é pauta do segundo dia do V Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU
Foto: Ana Luísa Pontes/MIR
O segundo dia de trabalho da comitiva do Ministério da Igualdade Racial no V Fórum Permanente de Afrodescendentes (FPA) da Organização das Nações Unidas (ONU) foi marcado por uma intensa agenda de compromissos, nesta quarta-feira (15), em Genebra.
A ministra Rachel Barros integrou o debate temático “25 anos após a Declaração e o Programa de Durban e Ação: Fortalecer a solidariedade global com as pessoas de ascendência africana” e se reuniu com a presidente do FPA, Gaynel Curry.
Na primeira agenda do dia, Rachel Barros destacou o papel das organizações sociais e dos movimentos negros brasileiros, que nas últimas décadas atuaram pelo reconhecimento das desigualdades raciais e da atuação de mulheres negras a partir das proposições anunciadas em Durban.
“Reconhecemos hoje que os avanços do Brasil só existem porque houve uma posição estratégica do movimento negro para cobrar e ancorar, junto com o Estado, a realização de ações concretas”, ressaltou.
A ministra afirmou também que os recentes ataques à democracia brasileira, somados à permanência de um racismo arraigado na cultura e nas instituições, se colocam como obstáculos para os avanços da agenda antirracista.
“O Ministério da Igualdade Racial é um importante passo dado pelo presidente Lula na direção contrária a esses ataques. Enquanto instituição, seguimos atuando para que as propostas formuladas em Durban se convertam em ações concretas com ancoragem nas políticas públicas, como condição para que a igualdade racial seja tratada como compromisso estruturante da democracia, da justiça e do desenvolvimento”, enfatizou.
Multilateralismo e Sociedade Civil – Como parte integrante da agenda, a ministra Rachel Barros ainda se reuniu com representantes da sociedade civil brasileira e participou do evento paralelo “Em tempos de crise, por que o multilateralismo ainda é importante: pessoas afrodescendentes, justiça reparatória e governança global”. A agenda, organizada pelo Instituto Geledés, contou com representantes da ONU, dos Estados-membros e das organizações da sociedade civil para refletir sobre os desafios do cenário global e discutir o papel do multilateralismo na promoção da justiça racial, da justiça reparatória e de uma governança global mais inclusiva.
Em um contexto marcado por conflitos, desigualdades estruturais e questionamentos sobre as instituições internacionais, o debate reafirma a importância de fortalecer espaços multilaterais que reconheçam as experiências históricas, as demandas e a agência política das pessoas de ascendência africana.
A comitiva do MIR também compôs o Evento Paralelo "25 anos de Durban: Solidariedade Global Afrodescendente, Reparações e Ações Afirmativas - Caminhos para a inclusão no serviço público”, organizado pelo Instituto Peregum, em parceria com Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Igualdade Racial.