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Caminhos Amefricanos na República Dominicana fortalece formação antirracista de 50 estudantes
Foto: Maíta Alves/MIR
Os intercambistas selecionados para a edição República Dominicana do programa Caminhos Amefricanos estão em Santo Domingo, desde o dia 23 de fevereiro, acompanhados por uma comitiva do Ministério da Igualdade Racial (MIR). A 8ª edição reúne 50 estudantes de licenciatura negros e quilombolas de instituições públicas de ensino superior brasileiras.
Mais do que um intercâmbio acadêmico, a iniciativa consolida uma estratégia de formação de jovens multiplicadores a fim de se tornarem professores comprometidos com a implementação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Selecionados para uma imersão que articula cooperação internacional, educação antirracista e fortalecimento da juventude negra no Sul Global, os jovens estão tendo a oportunidade de aperfeiçoar suas trajetórias acadêmicas para se tornarem educadores capazes de transformar realidades por meio da educação e do enfrentamento ao racismo.
Para o secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, Tiago Santana, a política congrega formação, cooperação internacional e transformação estruturante do sistema educacional. “Estamos investindo na formação de jovens negros e quilombolas que retornarão ao Brasil como educadores comprometidos com a construção de um ensino antirracista. O Caminhos Amefricanos é uma política estratégica que articula cooperação Sul-Sul, fortalece a juventude negra e consolida uma educação que enfrenta o racismo”, afirma.
Desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Caminhos Amefricanos promove a cooperação com países do Sul Global, conectando instituições de ensino superior, pesquisadores, gestores públicos e comunidades locais.
Programação – O cronograma previsto inclui seminários acadêmicos, diálogo com os movimentos sociais e atividades de imersão histórica e cultural. Entre os destaques estão o Seminário sobre Afrodescendência na Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD), debates com docentes de Ciências Sociais no Instituto Superior de Formación Docente Salomé Ureña (ISFODOSU) e diálogos institucionais na Faculdade Latino-Americana de Ciência Sociais (FLACSO) República Dominicana.
A agenda contempla ainda visitas à Zona Colonial e ao Centro Cultural Banreservas, além de passagens pelas ruínas coloniais de San Gregorio de Nigua e pelos bateyes de San Pedro de Macorís, sendo estes dois últimos territórios marcados pela presença de trabalhadores da cana-de-açúcar, muitos de origem haitiana. As atividades promovem reflexão sobre escravidão, colonialidade, memória histórica e dinâmicas sociais contemporâneas no Caribe.
Por meio de uma imersão formativa e política que conecta Brasil e República Dominicana, os estudantes, ao vivenciarem esses espaços, ampliam repertórios acadêmicos e fortalecem a compreensão sobre as múltiplas expressões da diáspora africana nas Américas.
A coordenadora-geral de Justiça Racial e Combate ao Racismo do MIR, Kátia Régis, que coordena a delegação, destaca o caráter multiplicador da experiência. “Esses estudantes irão formar as próximas gerações. Assim, a vivência em um país da diáspora africana no Caribe amplia seus conhecimentos sobre história e cultura, os qualificando e fortalecendo redes acadêmicas que são nacional e internacionalmente comprometidas com a justiça racial”, pontua.
Segundo o gerente-adjunto de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae, Eraldo dos Santos, o programa é um espaço de escuta, aprendizado e afirmação de identidades. “Com forte protagonismo da juventude negra, essa oportunidade conecta educação com o afroempreendedorismo. A iniciativa evidencia o papel dos jovens como agentes de transformação social, capazes de realizar uma educação antirracista", defende.
Formando laços – O Caminhos Amefricanos reafirma o compromisso do Governo do Brasil com a promoção da igualdade racial e o fortalecimento de políticas estruturantes voltadas à juventude negra. Ao investir na formação de futuros professores, o programa contribui para a consolidação da Lei 10.639/2003 e para a construção de uma educação que reconheça as contribuições dos povos africanos e afrodescendentes na formação do Brasil e da América Latina.
O Programa Caminhos Amefricanos promove intercâmbios formativos internacionais voltados à educação das relações étnico-raciais. A iniciativa busca fortalecer a formação inicial e continuada de docentes e discentes brasileiros, por meio da troca de experiências entre países do Sul global, valorizando a história e cultura africana, afro-brasileira e da Diáspora Africana, bem como estimulando a cooperação acadêmica e o desenvolvimento de políticas públicas antirracistas.