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Café com Ouvidoria do MIR promove diálogo e escuta entre lideranças religiosas de matriz africana
Foto: MIR
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizou, nesta quinta-feira (26) a Edição Especial Mês das Mulheres do Café com a Ouvidoria, no Salão Nobre do bloco K, na Esplanada dos Ministérios. Com o tema Mulheres de Terreiro – Escuta, Diálogo e Saberes, o evento reuniu sociedade civil, ouvidores de outros órgãos federais e ìyálórìṣàs de Brasília, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e entorno do Distrito Federal.
O ouvidor Fábio Bruni deu as boas-vindas aos participantes, fez um panorama dos principais temas tratados pela Ouvidoria do MIR e destacou a importância do evento como um espaço de diálogo humanizado. “A ideia é qualificar os dados dessas e de outras denúncias para que o Ministério da Igualdade Racial possa seguir construindo políticas públicas e mostrar os terreiros como espaços matriarcais, de acolhimento e escuta”, pontuou.
Mãe Baiana, Ìyálórìṣà do Ilê Axé Oyá Bagan localizado em Brasília, incendiado criminalmente há 11 anos, em 2015, contou sua trajetória de mulher negra, liderança religiosa de terreiro e destacou a importância dos canais de denúncias e das delegacias especializadas em crimes raciais. “É importante que a gente tenha um retorno do Estado, é preciso que os ouvidores estejam atentos, que as instituições respondam nossas demandas de forma ágil, transparente e eficiente”, desabafou.
Em sua fala, a Ìyálórìṣà do Ilé Àse Ara Iná Afinná, Solange Machado que também é ativista nos direitos das mulheres, promoção da cultura afro e da igualdade racial, terreiro é símbolo de democracia nesse país. “Somos uma unidade coletiva, democrática, que protege direitos humanos e pessoas. Terreiro nunca foi perseguido por uma questão de fé, sempre foi uma questão política, nossas tradições multiplicam um entendimento de existência e de um modo de vida que não está preocupado em acumular capital, a gente ajuda educa, capacita, ajuda e fortalece a nossa comunidade”, declara.
O papel das mulheres como pilar da humanidade foi destaque no discurso da terapeuta, educadora dos saberes ancestrais e Ìya Danda Òsungbemi, do Rio de Janeiro, que também ressaltou a importância de combate a cultura da violência. “Eu fui descobrindo o que a inteligência ancestral me ensinou, cada vez mais eu falo que todos nós juntos podemos sim conseguir transformar nossas vidas com uma ponta de esperança. Se eu mudar a minha comunidade com o meu melhor, a gente vai mudando e ampliando essas mudanças nos lugares aonde a gente chega”, ressalta.
Na ocasião, também foram discutidos temas como juventude de terreiro, misoginia, acesso a serviços públicos e educação. Além disso, o ouvidor Fábio Bruni trouxe orientações sobre denúncias de violência, enfatizando também os canais oficiais para que o denunciante possa acompanhar a devolutiva da manifestação apresentada.
Fala.BR – Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do Poder Executivo Federal é o sistema oficial das ouvidorias, por meio dela você pode enviar pedidos de acesso à informação e manifestações de Ouvidoria (denúncias, elogios, reclamações, sugestões e solicitações) aos órgãos e entidades.
Para ter acesso é necessário ter um CPF válido, criar uma conta no Gov.br, seguir o passo a passo, onde você poderá acompanhar suas manifestações registradas.