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Dicionário apresenta verbetes sobre Ergonomia
Está disponível para download o “Dicionário de Ergonomia e Fatores Humanos: o contexto brasileiro em 110 verbetes”, publicação que traz conceitos, personalidades, lugares, práticas profissionais e instituições que marcam a constituição da ergonomia no Brasil.
O dicionário reúne 130 autores e conta com a colaboração dos especialistas da Fundacentro, Eugênio Paceli Hatem Diniz, José Marçal Jackson Filho, Leda Leal Ferreira e Leo Vinicius Maia Liberato.
Erro Humano
O tecnologista Eugênio Diniz, em parceria com Francisco Antunes, da Universidade Federal de Minas Geras, descreve o conceito de erro humano.
O verbete aborda a percepção comum nas empresas, dos mais diversos setores, de que os incidentes e acidentes são predominantemente atribuídos ao erro humano. Mas a definição de erro humano é mais complexa do que a simples falha em alcançar um objetivo, muitas vezes, é uma consequência da variabilidade humana em ambientes desafiadores.
“Culpabilizar, a priori, humano(s), de qualquer nível hierárquico, por meio do uso enviesado do termo erro humano, muitas vezes para evitar passivos trabalhistas ou responder ao clamor social, é uma limitação da concepção tradicional que impede que a prevenção de acidentes se torne preventiva de fato, além de dificultar a melhoria e a inovação do processo de gestão do trabalho.”, explicam Diniz e Antunes.
Para os autores, a análise do erro humano deve ser o ponto de partida para identificar falhas e vulnerabilidades nos sistemas, permitindo melhorias significativas na gestão da segurança e na qualidade do trabalho humano.
Atividade
Já o pesquisador José Marçal, juntamente com Alain Garrigou, da Université de Bordeaux, aborda o termo atividade.
No contexto ergonômico, a palavra atividade tem sido definida como a mobilização do indivíduo e seus recursos, fisiológicos, psíquicos, cognitivos e sociais, para atender às demandas empresariais.
O texto também destaca a importância de ampliar o conceito de atividade, considerando os contextos informais de trabalho e as novas formas de subordinação, como no caso das marisqueiras ou pescadoras artesanais e dos entregadores das plataformas digitais.
“Tanto para ‘compreender o trabalho para transformá‑lo’, quanto para ‘conceber o trabalho’, a atividade enquanto objeto se impõe, não apenas aos ergonomistas, mas a todos profissionais engajados na busca da emancipação dos trabalhadores no trabalho, na construção da sua saúde e no desenvolvimento técnico mais sustentável”, concluem Marçal e Garrigou.
Trabalho
Leda Ferreira, doutora em Ergonomia e pesquisadora aposentada da Fundacentro, conceitua o verbete trabalho.
Nele é defendida a ideia do labor como um ‘conceito em disputa’. “O trabalho já é um objeto de disputa, isso é incontestável: a própria luta diária de bilhões de homens e mulheres para encontrar um emprego melhor ou mais bem remunerado, ou mesmo apenas um emprego qualquer que lhes tire da miséria, muitas vezes sem o conseguir, já o revela”, esclarece a autora.
O texto aponta que a centralidade que o trabalho adquiriu na atual sociedade está relacionada ao desenvolvimento do capitalismo e seu impulso crescente de mercadorização da força de trabalho.
Os conceitos apresentados podem orientar a concepção de mundo de cada indivíduo, assim como sua maneira de encarar o próprio trabalho. Inclusive, por meio dela, é possível criar especulações sobre o futuro do trabalho e dos trabalhadores.
Fundacentro
O tecnologista Leo Vinicius Maia Liberato traz um verbete sobre a Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), instituição federal dedicada à pesquisa e difusão de conhecimento em segurança e saúde no trabalho.
A passagem traz um breve relato sobre história da Fundacentro, desde sua criação até os dias atuais. Também aponta fatos que impulsionaram a área Ergonômica da instituição.
Na década de 1980, a Fundacentro sediou a Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), por duas gestões. No período, realizou dois congressos internacionais, que ajudaram a consolidar a ergonomia no país.
“A Fundacentro se manteve como importante instituição na aplicação e difusão de conhecimento em Ergonomia, participando nas reformulações da NR 17 e de pesquisas em atividades com grande incidência de LER/Dort”, relata o tecnologista.
Saiba mais
A obra, publicada pela Editora Abergo (Associação Brasileira de Ergonomia), contou com a organização de Raoni Rocha, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e Lucy Mara Baú, presidente da Abergo. Para ler o “Dicionário de Ergonomia e Fatores Humanos: o contexto brasileiro em 110 verbetes” na íntegra, acesse o link.