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TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS
Secretário de Reformas Econômicas debate desafios da regulação e da competição no ambiente digital
A mesa contou também com a participação da economista Ana Paula Domenici, da presidente da Associação Open Finance, Ana Carla Abrão, por vídeo, do presidente interino do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Diogo Thomson, e teve moderação do professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Carlos Ragazzo.
Ao abordar os impactos da digitalização sobre os mercados, Dudena destacou que a velocidade das transformações tecnológicas impõe novos desafios à formulação de políticas públicas e à regulação econômica.
“Temos um crescimento exponencial da velocidade com que as coisas mudam. Isso faz com que a regulação enfrente o desafio de acompanhar essas transformações, criando condições para a inovação sem gerar instabilidade capaz de comprometer o funcionamento dos mercados”, afirmou.
O secretário ressaltou que esse desafio se manifesta de forma especialmente intensa em temas como inteligência artificial, que já afetam setores tão diversos quanto o mercado financeiro, a produção cultural e as relações de trabalho.
Para ele, cabe ao Estado encontrar um equilíbrio entre a promoção da inovação e a preservação da segurança jurídica e da estabilidade econômica. “O desafio é intervir nos setores econômicos que precisam dessa intervenção, mas de uma forma que possibilite variabilidade sem gerar quebra da estabilidade”, observou.
Infraestrutura e competição
Durante o debate, Dudena destacou o papel das infraestruturas econômicas e digitais na promoção da concorrência e da inovação. Segundo ele, iniciativas como o Pix e o Open Finance demonstram como a construção de infraestruturas abertas e interoperáveis pode ampliar o acesso a serviços, reduzir barreiras à entrada e estimular a competição.
“O tema da infraestrutura reaparece continuamente quando discutimos concorrência e inovação. A forma como essas infraestruturas são organizadas pode facilitar a entrada de novos participantes, reduzir custos e ampliar oportunidades para consumidores e empresas”, afirmou.
O secretário também abordou o projeto de lei que trata da concorrência em mercados digitais, atualmente em discussão no Congresso Nacional. De acordo com ele, a proposta busca estabelecer mecanismos proporcionais e dialogados para lidar com plataformas que adquiriram relevância sistêmica em determinados mercados.
“Primeiro é preciso identificar esses agentes e compreender quais serviços demandam uma atenção especial do Estado. A partir daí, avaliar quais instrumentos regulatórios são necessários para preservar a competição e o dinamismo econômico”, explicou.
Modernização da regulação financeira
Outro tema abordado foi a agenda de modernização da regulação do sistema financeiro. Dudena destacou que a Secretaria de Reformas Econômicas vem discutindo formas de incorporar novas tecnologias ao desenho regulatório, com foco em compartilhamento de dados, interoperabilidade e supervisão mais eficiente.
“A ideia é começar entendendo quais são os problemas regulatórios e quais dados são necessários para enfrentá-los. A partir daí, pensar quais ferramentas tecnológicas podem auxiliar reguladores e regulados a atingir seus objetivos”, afirmou.
Segundo o secretário, o avanço da digitalização exige que a regulação também evolua para incorporar novas capacidades tecnológicas e modelos de supervisão.
Brasil como polo de inovação
Ao falar sobre os desafios e oportunidades para os próximos anos, Dudena apontou que o Brasil reúne condições favoráveis para se consolidar como um polo de inovação, especialmente diante da crescente demanda global por infraestrutura digital e inteligência artificial.
“O Brasil tem uma capacidade criativa muito relevante e conta com uma vantagem importante associada à disponibilidade de energia limpa. Essa combinação pode criar um ambiente favorável para o desenvolvimento de novas tecnologias e novos modelos de negócios”, afirmou.
O 6º Congresso Brasileiro de Internet reuniu especialistas, representantes do setor produtivo, autoridades públicas e pesquisadores para debater temas relacionados à transformação digital, inovação, inteligência artificial, conectividade e economia digital.
