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A importância do espaço para o desenvolvimento de uma nação

Webinário realizado pela MundoGEO reuniu representantes do setor espacial para discutir benefícios do Programa Espacial Brasileiro à sociedade
Publicado em 24/05/2021 09h57

Em evento virtual realizado na quinta-feira, dia 20 de maio, o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, demonstrou como os investimentos em política aeroespacial podem trazer crescimento, tanto econômico como em qualidade de vida, para a população de um país. Ele esteve acompanhado do presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Júlio Shidara, reeleito recentemente para novo mandato à frente da instituição, e do coordenador do curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rafael Cuenca. A moderação esteve a cargo de Emerson Granemann, fundador e CEO da MundoGEO.

Ao realizar apresentação sobre “O Programa Espacial Brasileiro – Ferramenta de integração e vetor de desenvolvimento”, Carlos Moura ressaltou o quanto dependemos de sistemas espaciais para a vida contemporânea e as possibilidades de investir na área aeroespacial. Citou mercados que lidam com sustentabilidade e dependem da infraestrutura provida por sistemas espaciais, como por exemplo, o setor agrícola, o monitoramento de desastres naturais, de desmatamentos e a geração de energia limpa.

“Vivemos um momento oportuno para aumentar investimentos no setor espacial. O exemplo da empresa Equatorial, responsável pela distribuição de energia elétrica no Maranhão, é marcante: dentro do limite obrigatório de aplicar 1% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento, investirá na instalação de uma microrrede com fontes alternativas de energia para o Espaçoporto de Alcântara. E a fornecedora principal será uma empresa ícone nacional, a WEG”, revelou Moura. “Assim, uma empresa que não é especificamente do setor espacial, entra agora na atividade em apoio à infraestrutura espacial – altamente demandante de qualidade e confiabilidade – após enxergar uma oportunidade existente no mercado”, completou.

No viés de integração, por meio do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações, próprio para as comunicações civis e de defesa (o SGDC 1), cerca de 2,8 mil municípios passaram a ter acesso à internet. Até o momento, foram mais de 12 mil pontos instalados, sendo que 9 mil foram em escolas, atingindo cerca de 2,5 milhões de estudantes. No setor rural, apenas 25% do país tem cobertura de conexão para internet atualmente. A estimativa apresentada no webinário é de que, se o Brasil obtiver uma cobertura de 48% em sua área total, poderá ampliar o valor bruto da produção em R$ 101 bilhões, de acordo com estudo da Escola de Administração Fazendária (ESAF).

A necessidade de maiores investimentos na área aeroespacial também foi apresentada como forma de mitigar desastres naturais.  O ciclone bomba que ocorreu em Santa Catarina em junho de 2020, causando uma série de prejuízos à população, à economia e à infraestrutura do estado, poderia ter sido previsto com mais antecedência e com melhor mitigação dos impactos, por meio do uso de tecnologia espacial. Outros eventos, como desmatamentos e queimadas, podem ser minimizados com monitoramento via sistemas ópticos, na faixa de SWIR (infravermelho de ondas curtas), e com sistemas radar (Synthetic Aperture Radar - SAR). Ao agregarem as amplas possibilidades de imageamento, podem fornecer informações mais completas e atualizadas para os tomadores de decisão e para os agentes da lei.

O coordenador do Curso de Engenharia Aeroespacial da UFSC, Rafael Cuenca, falou sobre a importância da parte prática na formação de bons profissionais. A universidade já teve parcerias para o emprego de tecnologias de uso espacial, inclusive em nanossatélites, tanto nacionais como internacionais. O FloripaSat-1, lançado em dezembro de 2019, foi desenvolvido por alunos da UFSC. “Hoje, no nosso curso, temos a vantagem de ter profissionais que trabalham na área espacial. A universidade está sempre aberta, e o nosso corpo docente tem a característica de fazer esta interação com a sociedade e com o mercado, para ajudar a fomentar nossa área espacial”, disse Rafael.

O presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Júlio Shidara, deixou claro que os investimentos em espaço são importantes para diminuir a dependência de serviços estrangeiros, uma tendência que tem ocorrido em vários lugares do mundo, com países montando sua própria infraestrutura de satélites. Júlio Shidara também destacou o exemplo emblemático do surgimento da indústria aeroespacial em São José dos Campos: as circunstâncias que levaram ao desenvolvimento, pelo CTA, do avião Bandeirante, e a importante decisão de criar a Embraer. “A gente tem a sorte de ter, no nosso país, este case de sucesso para nos incentivar a investir no setor aeroespacial. O Bandeirante foi a semente que tornou a Embraer a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo”, disse Júlio.

Essas visões, complementadas pelas respostas aos questionamentos do público, enriqueceram o entendimento de que, de fato, o Brasil precisa avançar no uso sustentável e soberano de sua infraestrutura espacial.

Sobre a AEB

A Agência Espacial Brasileira, órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), é uma autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.

Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado Brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.

 

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