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Trensurb realiza seminário sobre transtorno do espectro autista
Reunindo metroviários no auditório da empresa, roda de conversa "Todos Somos Únicos" foi conduzida pelas psicólogas Marina Camargo Barth e Elisa Schweitzer - Foto: Alan Santana/Trensurb
Nesta quinta-feira (23), a Trensurb promoveu um seminário sobre o transtorno do espectro autista (TEA), atividade alusiva ao Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril. Na ocasião, o auditório da empresa foi palco da roda de conversa “Todos Somos Únicos”, conduzida por Marina Camargo Barth, psicóloga e mestre em Psicologia e Saúde pela UFCSPA, especialista em educação inclusiva pela La Salle e em aprendizagem pela PUCRS, e Elisa Schweitzer, psicóloga pela Unisinos, pós-graduanda em Transtorno do Espectro Autista pela La Salle.
Dando início ao evento, as psicólogas interagiram com o público com projeções e imagens demonstrando os principais questionamentos em torno do autismo, estendendo-os aos espectadores. “Autismo é uma doença?” foi a primeira pergunta.
Apoiando-se nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5), as palestrantes qualificaram o transtorno não como uma doença, mas como distúrbio do neurodesenvolvimento. O transtorno do espectro autista é caracterizado por excessos ou déficits no campo da interação e da comunicação social, comportamentos estereotipados e repetitivos e desenvolvimento intelectual irregular.
Em seguida, as psicólogas trataram do tema das causas do autismo, muitas vezes desconhecidas. “Consideramos para examinar as causas do transtorno alguns componentes genéticos, como predisposição hereditária do indivíduo, e também a influência do ambiente, que podem ser causa do desenvolvimento do autismo, sendo considerado um transtorno multifatorial”, explicou Marina.
Após discorrerem sobre as prováveis causas, as palestrantes se detiveram no tema do diagnóstico, que tem diversos aspectos de abordagem. Entre 1 ano e meio e 3 anos de idade, o indivíduo pode começar a manifestar determinados comportamentos que, por intermédio de método clínico, podem ser diagnosticáveis. Como se trata de um espectro, o transtorno é carimbado por tipos distintos da manifestação, sendo classificados em critérios específicos, conforme o DSM-5, que abordam as diferentes gradações do transtorno, de casos menos a mais graves.
Desde sintomas como dificuldade de interação e falta de interesse à manifestação de padrões restritos de comportamento, movimentos repetitivos e insistência nas mesmas tarefas, envoltos em rotinas ritualizadas e interesses fixos e altamente restritos. Cada um desses elementos é considerado para detecção e definição do desenvolvimento do transtorno e sua correta especificação nas faixas de identificação do espectro.
Um dos aspectos negativos do diagnóstico, porém, se dá pela forma como é inserida socialmente a pessoa com autismo, que pode ser estigmatizada ou isolada dos círculos sociais convencionais, mas isso não deve reduzir a importância de um diagnóstico claro e criterioso, conforme expuseram as palestrantes.
“O diagnóstico pode vir com preconceitos e rótulos, mas entendemos que é a partir de um diagnóstico bem elaborado que poderemos oferecer às pessoas com autismo um acesso aos tratamentos adequados. Até um tempo atrás, tínhamos, como sociedade, um modelo biomédico: viam a doença apenas do ponto de vista do tratamento e da cura. Porém, as coisas mudaram um pouco. Agora temos a temática da neurodiversidade, que ensina que a sociedade também precisa se adaptar a essas condições, criando situações favoráveis para as pessoas com autismo”, expôs Elisa.
As palestrantes, por fim, mostraram vídeos de jovens com autismo atendidos pela Pertence, instituição onde atuam. Trata-se de uma organização especializada no tema da assistência a pessoas com deficiência intelectual, incluindo TEA e síndrome de Down. Nos registros, as psicólogas puderam mostrar aos espectadores a diferença nas formas como se expressaram os jovens nos vídeos, exemplificando comportamentos típicos das gradações do transtorno.
Após o seminário, os empregados da Trensurb puderam sanar dúvidas e compartilhar suas experiências com pessoas com autismo, contribuindo para o debate sobre a conscientização e a empatia com o grupo social.