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Trensurb promove seminário sobre a luta das mulheres e o combate ao feminicídio
Da esquerda para a direita, participaram do debate a promotora legal popular da ONG Themis - Gênero, Justiça e Direitos, Fabiane Lara dos Santos, a deputada federal Maria do Rosário e a coordenadora executiva do Comitê Gaúcho em Apoio ao HeForShe/ElesPorElas, Karen Lose - Foto: Alan Santana/Trensurb
Em alusão ao 8 de março — Dia Internacional da Mulher, a Trensurb promoveu, na tarde dessa quinta-feira (5), o seminário “A luta das mulheres e o combate ao feminicídio”. Promovido pela Trensurb por meio do Setor de Responsabilidade Social (Seres) e pelo Núcleo de Apoio à Diversidade (NAD) da empresa, o encontro ocorreu no auditório e teve parceria com o Comitê Gaúcho em Apoio ao HeForShe/ElesPorElas, movimento da ONU Mulheres – entidade das Nações Unidas especializada em igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas. Participaram do debate a deputada federal Maria do Rosário, a promotora legal popular da ONG Themis - Gênero, Justiça e Direitos, Fabiane Lara dos Santos, e a coordenadora executiva do Comitê Gaúcho em Apoio ao HeForShe/ElesPorElas, Karen Lose.
O diretor-presidente da Trensurb, Nazur Garcia, abriu o evento ressaltando que o momento exige mais reflexão do que celebração. Segundo ele, os números relacionados ao feminicídio evidenciam uma realidade alarmante. “São números dramáticos, especialmente no Rio Grande do Sul, onde mais de duas dezenas de mulheres foram mortas neste ano, em sua maioria dentro de suas casas”.
Nazur também destacou a parceria da Trensurb com o Comitê HeForShe, com a ONG Themis e com o projeto “Banco Vermelho”, iniciativas que contribuem para orientar mulheres sobre como proceder em casos de violência. “Como 60% dos usuários do trem são mulheres, estamos em um espaço privilegiado para reforçar a mobilização contra o feminicídio”, afirmou.
Na sequência, Fabiane Lara destacou o papel da informação e do acolhimento na prevenção da violência. Para ela, a falta de resposta social diante das agressões pode resultar em consequências extremas. “Quando a sociedade falha, o feminicídio acontece”. A promotora também refletiu sobre como muitas situações de violência ainda são naturalizadas e ressaltou que a mudança precisa envolver diretamente os homens. “Nem todo homem é um agressor, mas é sempre um homem”, pontuou.
A deputada Maria do Rosário apresentou dados sobre a violência contra as mulheres reunidos no relatório final da Comissão Externa sobre feminicídios no Rio Grande do Sul. Segundo o documento, em 2015 ocorreram 12 mil mortes caracterizadas como feminicídio, envolvendo vítimas de diferentes idades, de crianças a idosas.
A parlamentar observou que o feminicídio é o ápice de um ciclo continuado de violência, que inclui agressões psicológicas, morais e sexuais. “Neste caso, a vítima sente vergonha, está tão destruída física e emocionalmente que é muito difícil sair sozinha desta condição. O agressor dá sinais, aos quais alguém pode prestar atenção e impedir. Sejam vocês a palavra necessária contra a violência”.
Maria do Rosário também reforçou que a proteção aos direitos das mulheres é uma garantia constitucional e que o Estado precisa fortalecer os mecanismos de enfrentamento ao crime. “Estamos cobrando o funcionamento do sistema. Não é possível que tenhamos o mesmo número de delegacias da mulher de dez anos atrás”.
Ao final de sua participação, a deputada agradeceu o espaço de diálogo promovido pela Trensurb e destacou a importância de levar o debate ao ambiente institucional.
Encerrando as exposições, Karen Lose apresentou o trabalho do movimento HeForShe, iniciativa internacional que busca mobilizar homens para atuarem na transformação de comportamentos e no enfrentamento à violência contra as mulheres.
“A nossa luta segue duas vias: a transformação cultural, para impedir que os homens tenham esse comportamento, e o comprometimento do Estado, diante de mais de uma década sem política pública efetiva para combater o feminicídio”, afirmou.
Karen também relembrou a campanha “Máscara Roxa”, criada durante a pandemia para permitir que mulheres denunciassem agressões de forma discreta em farmácias. Ao final, reforçou a necessidade de mudanças culturais e de maior efetividade na aplicação da Lei Maria da Penha.
Banco Vermelho
Ao final do seminário, foi inaugurado no pátio da empresa o “Banco Vermelho”, símbolo da luta contra o feminicídio. A iniciativa, que já possui peças instaladas nas estações São Leopoldo, Canoas, Mathias Velho e Sapucaia, integra um esforço global pelo fim da violência contra a mulher.
Além de funcionar como um símbolo de reflexão e conscientização, o banco também traz informações sobre meios de denúncia e acolhimento às vítimas.