Acoplamento de Setores e Economia Verde
Descarbonização dos setores de Transporte e Indústria no Brasil
Contexto inicial
O Brasil conta com uma das matrizes elétricas com maior participação de fontes renováveis de energia do mundo. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentados no Balanço Energético Nacional 2025 (ano-base 2024), as fontes renováveis responderam por 88,2% da matriz elétrica brasileira em 2024, mantendo o país entre aqueles com maior participação de energias limpas na geração de eletricidade. Esse resultado reflete, principalmente, a forte presença da geração hidrelétrica, bem como o crescimento contínuo das fontes eólica e solar fotovoltaica, que vêm contribuindo para a diversificação da matriz elétrica nacional e para a manutenção de seu elevado grau de renovabilidade.
De acordo com o BEN 2025, o total de emissões antrópicas de CO₂ associadas à matriz energética brasileira alcançou 431,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, representando um aumento de cerca de 0,6% em relação a 2023. Entre os setores consumidores de energia, o setor de transportes continua sendo o principal responsável pelas emissões energéticas, com aproximadamente 214,3 Mt CO₂-eq, seguido pelo setor industrial, com cerca de 74,8 Mt CO₂-eq.
No que se refere ao consumo de energia, os setores industrial e de transportes permanecem como os maiores consumidores da economia brasileira. Segundo análise da Agência Internacional de Energia (IEA), a indústria responde por cerca de 42% do consumo final de energia, enquanto o setor de transportes representa aproximadamente 39%, evidenciando o peso desses segmentos na demanda energética nacional.
A eletrificação direta associada à expansão das fontes renováveis apresenta grande potencial para reduzir as emissões nesses setores. No caso do transporte, o avanço da eletrificação em segmentos como transporte urbano, frotas de ônibus, serviços de limpeza urbana e logística urbana pode contribuir significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Já no setor industrial, especialmente em pequenas e médias empresas, diversos processos produtivos que utilizam calor ou frio — como aqueles presentes na indústria de alimentos — ainda dependem do uso de biomassa ou combustíveis fósseis, muitas vezes de forma pouco eficiente. Nesses casos, existe um potencial relevante para ganhos de eficiência energética e para a eletrificação direta de processos, incluindo o fornecimento de calor, frio, pressão e vapor por meio de tecnologias elétricas mais eficientes e de menor intensidade de carbono.
Sobre Nós
O projeto Acoplamento de Setores e Economia Verde (AcoplaRE) atua para fomentar a eletrificação direta na indústria e nos transportes, promovendo a substituição das fontes fósseis de energia. Os setores industrial e de transportes concentram a maior parte do consumo energético e das emissões de gases de efeito estufa do país, o que evidencia a importância de intervenções nessas áreas. O Brasil encontra-se em posição estratégica para avançar nessa meta de descarbonização de ambos os setores e ,em colaboração com a GIZ, as projeções se tornam ainda mais promissores
Por isso, a eletrificação desses setores apresenta benefícios duplos: ao mesmo tempo que reduz emissões de CO₂, aumenta a eficiência energética. No transporte urbano, a substituição de ônibus e frotas de logística por soluções elétricas pode reduzir dezenas de milhões de toneladas de CO₂ por ano. De forma semelhante, na indústria, especialmente em pequenas e médias empresas, processos que atualmente utilizam biomassa ou outros insumos de forma ineficiente podem ser eletrificados, garantindo ganhos significativos de eficiência.
Parceiros do Projeto
O projeto AcoplaRE é conduzido em estreita parceria com instituições-chave do governo federal, sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME), que atua como parceiro político e demandante, garantindo o alinhamento da iniciativa às diretrizes nacionais de transição energética. No âmbito nacional da cooperação, o MME também é responsável por conduzir a comunicação com os demais ministérios brasileiros comprometidos com a implementação do projeto. Entre eles estão o Ministério das Cidades (MCID), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Na etapa de implementação, cada um desses ministérios desempenha um papel específico e complementar: o Ministério das Cidades contribui diretamente com as ações voltadas à mobilidade urbana sustentável; o MDIC apoia as atividades relacionadas à modernização produtiva e à descarbonização da indústria; e o MCTI fortalece a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento tecnológico. Além desses, a Empresa de Pesquisa
Energética (EPE) é uma parceira estratégica, oferecendo suporte técnico e analítico por meio de estudos e dados fundamentais para o planejamento integrado e a tomada de decisão em temas relacionados à energia.
A cooperação também envolve instituições públicas e privadas de diferentes setores — como energia, mobilidade urbana, indústria e pesquisa - que participam ativamente da execução e do desenvolvimento das atividades. Entre elas, destacam-se os Correios do Brasil, universidades públicas federais e associações empresariais da indústria de alimentos e bebidas. Embora cada instituição atue de forma mais direta em componentes específicos do projeto, todos os parceiros trabalham de maneira articulada, promovendo uma cooperação transversal que amplia os resultados e fortalece o impacto da transição energética no Brasil.
A componente Pesquisa atua em colaboração com as Instituições Federais e Estaduais por meio dos Grupos de Trabalhos (GT), para apoiar e desenvolver as recomendações que serão apresentadas ao MME e MCID, são estas: o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)
Objetivos
O projeto busca contribuir para tornar o transporte urbano e a indústria no Brasil mais neutros ao clima, ecologicamente corretos e socialmente justos.
| Nome do projeto | Acoplamento de Setores e Economia Verde no Brasil |
| Comitente | Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha |
| Parceiros de Implementação | Ministério das Cidades; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Empresa de Pesquisa Energética |
| País | Brasil |
| Agência executora | Deutsche Gessellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH |
| Parceiros políticos | Ministério de Minas e Energia |
| Investimento | € 5.370.000 |
| Duração | 2023 - 2027 |
Metodologia
Em 2024, durante a COP29, no Azerbaijão, o Brasil anunciou sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que afirma o compromisso do país com a redução de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) de 59% a 67% em 2035, na comparação aos níveis de 2005. Nesse contexto, o acoplamento dos principais setores consumidores de energia, indústria e transportes, com a geração de eletricidade renovável oferece um enorme potencial de descarbonização para o Brasil.
Esse esforço está alinhado com o objetivo traçado pelo país de alcançar a neutralidade climática em 2050. Além disso, o acoplamento de setores pode contribuir para transformar o Brasil em uma das economias mais verdes e competitivas globalmente entre os países do G20 e, potencialmente, torná-lo o primeiro país de seu tamanho a se aproximar da neutralidade de carbono nas próximas duas décadas. O Governo Brasileiro fomentará adicionalmente a transição energética abrangente no âmbito Plano de Transição Ecológica e da Política Nacional de Transição Energética (PNTE).
Nesse sentido, o projeto AcoplaRE busca trabalhar em conjunto com ministérios federais, governos estaduais e municipais, empresas e institutos de pesquisa para fomentar a eletrificação direta na indústria e no transporte e substituir as fontes fósseis de energia.
No setor de transportes, o projeto irá trabalhar com cinco cidades, sendo duas no Nordeste, para realizar assessoria técnica e consultoria especializada no contexto de estratégias de descarbonização urbana, por exemplo, em temas como eletrificação do transporte público, serviços urbanos e logística urbana e o desenvolvimento de ferramentas digitais para melhora da qualidade do serviço. Além disso, o projeto buscará articulação política com os ministérios correspondentes e com instituições de pesquisa relevantes para a elaboração e a disseminação de conceitos de eletrificação socialmente justa e equitativa de gênero no setor de transportes.
No setor da indústria, o projeto irá trabalhar em conjunto com seis empresas para realizar estudos que identifiquem, entre outros, o potencial de eletrificação direta de processos e medidas para otimização de processos por meio da eletrificação direta. Baseado nestes estudos, serão realizados projetos-piloto de eletrificação de processos por meio de tecnologias inovadoras disponíveis no mercado e teste de ferramentas digitais para possibilitar uma gestão de carga do lado da demanda. Além do mais, o projeto buscará a disseminação das soluções identificadas durante a realização dos estudos previstos.
Além do enfoque nesses dois setores, o projeto também buscará articulação com associações empresariais e instituições de pesquisa para o desenvolvimento de conceitos de eletrificação baseados nas necessidades das empresas associadas, além de conceitos para a disseminação da eletrificação direta a outas regiões e outras indústrias brasileiras.
Impactos
As oportunidades e os potenciais de eletrificação direta na indústria e no transporte urbano ainda não foram sistematizados nem disseminados. Por meio do projeto AcoplaRE, espera-se aumentar o interesse em fomentar a eletrificação direta e as tecnologias relacionadas para diminuir as emissões na indústria e no transporte urbano. Desta forma, estes segmentos poderão ter um papel mais ativo na Transição Energética.
Em relação ao impacto direto, espera-se que o projeto contribua para diminuir as emissões anuais de GEE em pelo menos 10.000 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2-eq) em cinco municípios, por meio do uso de, pelo menos, 30 veículos de emissão zero, e que contribua com a diminuição de pelo menos 5 mil toneladas de CO2-eq em quatro empresas brasileiras. Além disso, espera-se que o projeto contribua para a implementação de recomendações de eletrificação socialmente justa e equitativa de gênero em oito empresas brasileiras.
