Gestão de consumo de energia e emissões para as edificações públicas municipais visando a maior eficiência energética
Objetivo
Conceito
a) Um sistema de gestão de dados de consumo é essencial para entender a dimensão do custo com energia na prefeitura, a fim de poder comparar o desempenho energético das edificações públicas municipais, montar projetos de eficiência energética para financiamento, entender quais prédios precisam melhorar o seu desempenho e reduzir o consumo através de ações.
b) As emissões associadas ao consumo energético na operação do edifício também podem ser associadas ao sistema de gestão.
c) A gestão de consumo de energia, emissões e custo associado na operação das edificações públicas municipais implica em medir e acompanhar mensalmente o desempenho dos edifícios.
d) A prática de avaliação comparativa do desempenho energético das edificações (tipicamente colocados em termos de kWh/m2/ano) em relação a padrões e edifícios similares (da mesma tipologia), conhecida como benchmarking energético, é uma das principais formas de análise. Esse método de avaliação de benchmarking pode ser usado para medir a eficiência energética das edificações públicas municipais de forma interna no município, ou seja, comparando uma edificação com outras da mesma tipologia do mesmo município ou, pode ser usado comparando uma edificação ou grupo de edificações com outras de tipologia similar no país ou em outras cidades.
e) Com o benchmarking é possível estabelecer referências e pensar em melhores práticas que possam ser adotadas para otimizar a eficiência energética das edificações, buscando reduzir o consumo de energia e os custos operacionais e avançar em direção à sustentabilidade, alinhando com as metas ambientais e políticas públicas brasileiras.
f) Países começam a estabelecer parâmetros mínimos de desempenho energético para aumento da eficiência no consumo de energia para edificações.
g) No Brasil não se tem parâmetros nacionais estabelecidos ainda, porém uma plataforma nacional para o Desempenho Energético Operacional (DEO) foi desenvolvida. O DEO permite a realização de avaliações de desempenho de edifícios em uso, possibilitando a comparação do consumo do edifício com consumos típicos do mercado nacional, considerando as características do edifício e consumo anual na operação. O edifício pode ser identificado como sendo um edifício típico, ineficiente ou eficiente. A plataforma DEO, desenvolvida em um convênio de cooperação entre o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) e o PROCEL, promove também a transparência dos dados no processo de avaliação energética e mostra a classificação da edificação pela aplicação de uma equação de benchmark, que estima o consumo previsto para o edifício, em função das suas características construtivas, equipamentos instalados e modo de operação, comparando-o com o consumo medido real da edificação. As seguintes são tipologias para edificações públicas disponíveis na plataforma DEO: edifícios de escritórios corporativos; edifícios administrativos públicos; escola de ensino infantil; escola de ensino fundamental e médio; universidade e instituição de ensino técnico; hospital; posto de saúde e assistência social e data center. A plataforma mostra os resultados da avaliação de desempenho em imagens comparando o desempenho da edificação e sua relação com as edificações no Brasil considerando o benchmarking da tipologia a ser avaliada. A Figura 2.3 apresenta os gráficos que se observam na plataforma DEO antes da avaliação (esquerda) e um exemplo após a avaliação e o preenchimento das informações solicitadas (direita). Uma coluna mostra a barra do desempenho da edificação considerando o consumo total em kWh/m2/ano e a outra compara com o benchmarking da tipologia indicando se o consumo alcançado pela edificação é ineficiente, típico ou eficiente.


Figura 2.3. Representação de resultados através da Plataforma DEO e exemplo de avaliação de uma edificação . Fonte: Plataforma DEO
Como Implementar no Município
Para iniciar o sistema de gestão de dados de consumo, custo e emissões associadas ao uso da energia das edificações públicas municipais, é necessário primeiro estabelecer uma estrutura de governança (ver estratégia 2.1). Uma vez estabelecida a diretriz política, e tomando como referência a atuação do Programa Cidades Eficientes do CBCS, as seguintes ações são recomendadas para estabelecer uma gestão de energia no município com foco nas edificações da prefeitura:
- Estabelecer uma equipe de coordenadoria ou pessoa coordenadora, para a gestão dos consumos de energia e água pelos edifícios públicos municipais, conforme diretriz abordada na estratégia 2.1.
- Criar um cadastro das edificações públicas municipais com informações do nome do edifício, secretaria, endereço, tipologia da edificação (ex: escola, creche, posto de saúde etc.), área total construída em metros quadrados, população total usuária da edificação, potencial para instalação de geração de energia solar.
- Escrever um ofício para as concessionárias de eletricidade, água e gás solicitando a regularidade e organização no envio dos dados de consumo e custo de todas as edificações da prefeitura. Solicitar o envio dos dados mensalmente em formato .csv ou .xls ou outro formato legível por computador.
- Desenvolver um programa de forma interna na prefeitura, usando planilhas ou softwares, ou assinar uma ferramenta de gestão de consumos permitindo que o desempenho energético (consumo por metro quadrado) anual e mensal de cada edificação seja visualizado e comparável com o de outras edificações e tipologias da própria prefeitura.
- Determinar o consumo e custo total mensal e anual pelas edificações públicas municipais e identificar qual é o custo e consumo total das edificações.
- Avaliar o desempenho energético das edificações primeiramente fazendo uma avaliação comparativa interna na prefeitura. A avaliação do consumo e desempenho energético das edificações é importante para considerar implementar ações efetivas que possam reduzir o consumo energético.
- Em seguida, para ir além, avaliar o desempenho energético das edificações com um benchmark externo, com ferramentas como a plataforma DEO.
- Estabelecer metas iniciais claras e alcançáveis de eficiência energética para as suas edificações e começar a planejar ações, políticas públicas e projetos a fim de trazer economias e sustentabilidade para a gestão municipal. O foco de estratégias de eficiência energética pode estar nas edificações que apresentam maior consumo ou custo total anual (em kWh/ano) e apresentam pior desempenho (em kWh/ano/m2) comparativamente por tipologia.
- Estabelecer metas também para geração de energia distribuída fotovoltaica.
- Edificações identificadas como ineficientes conforme o padrão de referência estabelecido, podem passar por ações planejadas como auditoria ou diagnóstico energético, apresentando um plano em que constem medidas para redução do consumo de energia anual de forma a ser implementado e monitorado (veja capítulo 3, seção 3.1).
