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Estudo projeta redução da riqueza de espécies, perda de conexões ecológicas e menor resiliência das redes de interação até 2070.
O futuro das interações ecológicas na Mata Atlântica sob as mudanças climáticas
Exemplo de interação planta-beija-flor na Mata Atlântica. Beija-flor-rajado Ramphodon naevius visitando a planta Justicia carnea (Acanthaceae). Registro feito com armadilha fotográfica em Ubatuba - SP.
O estudo “As mudanças climáticas vão redimensionar e reconfigurar as redes de interação planta–beija-flor na Mata Atlântica”, do pesquisador Alejandro Restrepo-González e equipe, tem como objetivo avaliar como as mudanças climáticas podem alterar as redes de interação entre plantas e beija-flores na Mata Atlântica da América do Sul. Um dos caminhos foi prever mudanças na coocorrência das espécies e avaliar mudanças na estrutura dessas redes.
Os estudos das interações podem ser realizados por meio de grafos que conectam as espécies que interagem na natureza, conhecidos como redes de interações ecológicas. Além disso, foi utilizada modelagem de nicho ecológico, com objetivo de prever mudanças na coocorrência de plantas e beija-flores sob cenários de mudanças climáticas. Essas redes de interações foram analisadas e comparadas em relação: tamanho da rede, número de conexões, sobreposição de nicho (espécies compartilhadas) e robustez (resiliência da rede, como responde às alterações na composição de espécies) em condições atuais e futuras, até 2070. Também foram simuladas extinções de espécies para avaliar a resiliência das redes.

Como resultado, as redes locais futuras apresentaram menor riqueza de espécies, tamanho reduzido, menos conexões e mais parceiros compartilhados, maior sobreposição de nicho e menor robustez. Embora a robustez da rede tenha aumentado sob simulações de extinções de plantas e extinções consequentes de beija-flores, as redes futuras mostraram menor resiliência à perda de espécies. As plantas apresentaram maior sobreposição de nicho do que os beija-flores, tornando-se mais vulneráveis a extinções secundárias (extinções consequentes ou em cadeia após a extinção de outra espécie).

- Projeção das mudanças nas interações entre plantas e beija-flores na Mata Atlântica: áreas em azul indicam aumento de interações futuras em relação ao presente; áreas em vermelho indicam diminuição.
Uma das conclusões é que as mudanças climáticas devem causar alterações na coocorrência das espécies, levando à formação de novas comunidades e mudanças estruturais nas redes de interação entre plantas e beija-flores. Essas transformações provavelmente reduzirão a robustez e a resiliência das redes, destacando potenciais efeitos em cascata sobre o funcionamento dos ecossistemas. O estudo contribui para a compreensão dos impactos das mudanças climáticas sobre redes de interação entre espécies e a estabilidade dos ecossistemas na Mata Atlântica e outros ecossistemas.
O link para o artigo, na íntegra, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ddi.70134