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Agenda climática antirracista brasileira é pauta na London Climate Action Week
- Foto: Thaylyson Santos /MIR
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) tem apresentado os Planos de Aceleração de Soluções (PAS) durante a London Climate Action Week (LCAW), que acontece de 20 a 28 de junho, em Londres. A atuação é parte da estratégia de incidência internacional para levar recorte étnico-racial aos debates sobre mudança do clima.
Em sua participação no primeiro dia do evento, o secretário de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Clédisson Júnior, afirmou que o Plano se destaca por construir caminhos concretos para uma transição ecológica justa, inclusiva e antirracista.
“É necessário pensar uma reconfiguração ética e prática da governança climática global, combatendo o racismo ambiental como um dos principais obstáculos para um futuro sustentável e justo de transição que não deixe ninguém para trás”, defendeu Clédisson.
O Governo do Brasil buscou compartilhar experiências com organizações multilaterais, universidades e especialistas internacionais, para difundir a abordagem que integra justiça racial à política climática como uma melhor prática global, além de buscar parcerias para implementação do PAS firmado durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que aconteceu em Belém (PA), no Brasil, em novembro de 2025.
Em uma reunião paralela com o enviado de comércio do Reino Unido, Lord Evans of Sealand, o secretário Clédisson Júnior apresentou ainda o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 18/Igualdade Étnico-Racial (ODS 18) – proposta brasileira, levada à Organização das Nações Unidas (ONU) em 2023 –, e os avanços na construção de metas e indicadores para monitorar desigualdades raciais e orientar políticas públicas de promoção da igualdade.
O secretário de Políticas Para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais De Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos, Ronaldo dos Santos, em apresentação sobre o Plano de Implementação do Compromisso Intergovernamental sobre Posse de Terras (ILTC), destacou a perspectiva do Governo do Brasil sobre demarcação de territórios e proteção de povos tradicionais, sob o recorte das comunidades quilombolas.
"Grande parte da população negra brasileira está em territórios rurais, nas florestas, em especial na Amazônia, onde 30% dos povos quilombolas se concentram. Para nós, do Ministério da Igualdade Racial, a implementação de estratégias por meio da cooperação internacional é um caminho fundamental para avançarmos na regularização de terras quilombolas", afirmou.
O secretário Ronaldo também defendeu que mesas de diálogo multilaterais necessitam de mais representatividade dos povos tradicionais, quilombolas e indígenas. "Estes espaços ainda não contemplam as vozes dessas comunidades e povos, que necessitam de pleito para garantir a devida reparação e justiça diante dos efeitos do colonialismo", acrecescentou".
Planos de Aceleração de Soluções – Os PAS são instrumentos colaborativos e multissetoriais do Governo do Brasil propostos voluntariamente, criados e apresentados no contexto da COP30. Seu objetivo é transformar compromissos climáticos e sociais em políticas públicas concretas, integrando governos em todas as esferas (federal, estadual e municipal), setor privado e sociedade civil para alcançar resultados mensuráveis a curto e médio prazo.
O Ministério da Igualdade Racial é responsável pela gestão do Plano de Aceleração de Soluções para Povos Afrodescendentes (PAS Afrodescendente) 2026-2030, em parceria com o Governo da Colômbia e o PAS: Periferias Urbanas e Assentos Informais Adequados, Sustentáveis e Resilientes contra o Racismo Ambiental, em parceria com o Ministério das Cidades.
As iniciativas reconhecem a necessidade de ações estratégicas que possam sanar as lacunas históricas no reconhecimento territorial para povos afrodescendentes e mitigar os danos das mudanças climáticas, que afetam áreas urbanas periféricas de forma desproporcional.
London Climate Action Week – É um dos maiores eventos climáticos independentes do mundo. Em sua 8ª edição, reúne mais de 75 mil pessoas em mais de 750 atividades que vão desde reuniões comunitárias em cada distrito até mesas-redondas ministeriais e conferências internacionais.