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Vídeo mostra os riscos no transporte de trabalhadores rurais
Condições precárias do transporte no campo é uma das principais causas de acidentes graves
Publicado em
13/02/2002 00h00
Atualizado em
17/08/2022 18h09
Por Fundacentro
Os riscos e as condições de transporte de trabalhadores rurais no Brasil é tema do vídeo Vai e Vem no Campo, lançado pela parceria Fundacentro/TVE.
A proposta é alertar e orientar sindicatos patronais e de trabalhadores, proprietários rurais, transportadores e autoridades na área de fiscalização sobre a importância do transporte seguro para evitar ocorrências, que geralmente resultam em morte ou lesões graves em trabalhadores.
Embora não existam estatísticas nacionais sobre o problema, devido ao alto índice de sub-notificação de acidentes de trabalho no campo, especialistas lembram que, no período de 1980 a 1990, a imprensa noticiou 69 acidentes de trajeto com 249 mortes de trabalhadores e 1.029 feridos, só no Estado de São Paulo.
Riscos - De acordo com o pesquisador da Fundacentro no Paraná, José Francisco Krawulski, é comum a utilização de caminhões de carroceria aberta, carretas de tratores, caminhonetas, e em pequenas propriedades o uso de carretas de microtratores, para o transporte de trabalhadores. “ Veículos impróprios, geralmente com manutenção duvidosa, precariedade das estradas interioranas e imprudência dos condutores são as principais causas de acidentes de trajeto no campo”, afirma.
Ele lembra ainda que essas modalidades de transporte expõem os passageiros a situações de ‘absoluto’ desconforto e ‘total’ insegurança, além de outros fatores que podem causar danos à saúde como vento, frio, chuva, poeira e até ataques de abelhas e vespas.
“ O ônibus é o veículo mais apropriado, pois oferece maior segurança e conforto aos passageiros, além de ser uma opção mais econômica para quem trabalha com o transporte no campo”, afirma Francisco. Em caso de número reduzido de passageiros, as chamadas ‘Vans’ também podem ser utilizadas, desde que apresentem as condições adequadas para a função.
Outra possibilidade é a adaptação do veículo. Mas para que ele possa ser usado no transporte de passageiros, o Conselho Nacional de Trânsito exige a inclusão de uma série de itens, que pode inviabilizar a iniciativa em função dos custos – carroceria rija, cintos de segurança, espaço mínimo entre os passageiros, ventilação adequada, compartimento reservado para ferramentas e utensílios de trabalho, além da necessidade de aprovação prévia da autoridade de trânsito da região.
Negociação – Exemplo do poder de negociação para a garantia do transporte seguro são as convenções e acordos coletivos de trabalho na cultura da cana-de-açúcar, principalmente na região Centro-Sul, que prevêem o transporte de trabalhadores em ônibus.
O Estado de Goiás é outro exemplo. Acordos entre instituições como Ministério Público, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria do Trabalho do Estado, federações patronal e dos trabalhadores da agricultura e DRT, praticamente zeraram os acidentes no Estado nos últimos quatro anos.
O vídeo Vai e Vem no Campo já está à disposição dos interessados e pode ser solicitado junto à Fundacentro – Rua Capote Valente, 710 – São Paulo, ou pelo telefone (0xx11) 3066-6378.