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SAÚDE AMBIENTAL
Pará avança em plano para prevenir surtos de Chagas
A construção de estratégias para conter a doença de Chagas ganhou novo impulso no Pará com a realização de uma oficina estratégica, em Belém. A iniciativa reuniu representantes do governo federal, estadual e municipal, instituições de pesquisa, organismos internacionais e sociedade civil para alinhar a elaboração do Plano de Prevenção de Surtos da doença no estado.
O encontro, entre os dias 24 e 26 de março, teve caráter multissetorial e interfederativo, com participação de áreas técnicas do Ministério da Saúde, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), da Anvisa, de secretarias estaduais e municipais, além de instituições como o Instituto Evandro Chagas (IEC), a Fiocruz e a OPAS/OMS.
O plano em construção prioriza 12 municípios paraenses com alta incidência da doença – Abaetetuba, Afuá, Bagre, Barcarena, Belém, Breves, Cametá, Curralinho, Igarapé-Miri, Muaná, Oeiras do Pará e São Sebastião da Boa Vista –, onde a transmissão oral, associada principalmente ao consumo de alimentos contaminados, concentra a maior parte dos casos.
Durante a oficina, especialistas apresentaram o panorama atualizado da doença no estado e conduziram a análise dos principais determinantes, identificando fatores ambientais, sociais, culturais e estruturais que influenciam a ocorrência de surtos e orientando a definição de estratégias mais eficazes.
Atuação estratégica
A atuação da Funasa foi destacada como estratégica, especialmente pela integração entre saneamento, habitação e saúde ambiental, destacando-se o programa de Melhorias Habitacionais para o Controle da Doença de Chagas (MHCDCh) como medida estratégica no período pré-patogênico. “Outros programas da Fundação também auxiliam na prevenção em relação à higiene e à disponibilização de água potável para as comunidades que trabalham com a extração de açaí e outros frutos moles, responsáveis pela maior parte da contaminação oral da doença. Os programas que fazem essa interface são o Saneamento Básico em Áreas Rurais e Comunidades Tradicionais e a Implantação de Melhorias Sanitárias Domiciliares”, acrescentou Natália Carvalho, coordenadora da Codre/CGEAR/Funasa.
Relatos de agentes comunitários e representantes locais reforçaram o impacto de soluções da Funasa, como o Salta-Z, no acesso à água segura, evidenciando a importância de intervenções estruturais aliadas à educação em saúde para o controle da doença.
Para Aline Silva, consultora da Funasa/OPAS, a oficina consolidou um espaço de construção coletiva. “O enfrentamento da doença de Chagas exige articulação, escuta ativa e integração entre diferentes setores. O Pará, por sua dimensão territorial e diversidade socioambiental, ocupa um papel estratégico na vigilância e prevenção da doença”, destacou.
Um grupo de trabalho dará continuidade à elaboração do plano ao longo do ano, com definição de metas, cronogramas e critérios de implementação. A expectativa é transformar o alinhamento técnico em ações concretas que ampliem a prevenção e reduzam a incidência da doença no estado.
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