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SAÚDE AMBIENTAL
Funasa lança plano de intervenção para conter contaminação na fronteira com Peru
Lixão em Islândia, no Peru, contamina água utilizada para consumo humano em Benjamim Constant (AM). - Foto: Arquivo Funasa
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em conjunto com o Ministério da Saúde, está estruturando um Plano de Intervenção na Tríplice Fronteira para enfrentar os riscos sanitários provocados por um lixão a céu aberto localizado em Islândia, no Peru, que vem contaminando os mananciais utilizados no abastecimento de água em Benjamin Constant (AM), município brasileiro situado na região. A iniciativa inclui ações emergenciais e estruturantes para garantir água potável, reduzir a exposição da população a agentes causadores de doenças e conter impactos ambientais na tríplice fronteira.
O plano foi elaborado a partir de diagnóstico técnico realizado em novembro de 2025, que identificou falhas graves no sistema de abastecimento, baixa cobertura da rede pública, intermitência no fornecimento e consumo de água não apta para consumo humano. As análises laboratoriais apontaram presença de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli – indicador de contaminação fecal – além de elevados índices de turbidez e cor, tornando a água imprópria para consumo humano em diversos pontos da cidade.
Segundo o relatório, o lixão de Islândia recebe resíduos domésticos, industriais e hospitalares sem qualquer controle ambiental, permitindo a dispersão de chorume diretamente no rio Javari, impactando também o rio Solimões. “Trata-se de uma situação crítica, que ultrapassa fronteiras e exige resposta institucional coordenada para proteger a saúde das populações locais”, alerta o coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa, Artur Moret.
Risco sanitário
Nas comunidades ribeirinhas e áreas mais afastadas, o cenário é ainda mais preocupante, com sistemas simplificados de tratamento desativados, dificuldade de captação no período de estiagem e ausência de alternativas seguras de abastecimento. “O diagnóstico mostrou que milhares de pessoas vivem sob risco sanitário permanente. Nosso foco é levar soluções rápidas, eficazes e adequadas à realidade amazônica”, destaca Moret.
A Funasa apresentou recomendações técnicas para Benjamin Constant, prevendo no Plano de Intervenção a ampliação da rede de abastecimento urbano, reativação e instalação de novas unidades Salta-Z, distribuição emergencial de filtros domiciliares e hipoclorito de sódio, além de ações contínuas de educação em saúde ambiental. Também estão previstas medidas de apoio técnico aos sistemas locais, monitoramento permanente da qualidade da água e fortalecimento da capacidade operacional do município.
A Fundação também propõe articulação com o Ministério das Relações Exteriores e outros órgãos federais para viabilizar tratativas diplomáticas com o governo peruano, com foco na remediação ambiental do lixão de Islândia e no controle de fontes poluidoras na região.
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