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MERCADO DE CARBONO
Ministério da Fazenda detalha etapas do mercado regulado de carbono na SP Climate Week
A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (SEMC) do Ministério da Fazenda detalhou o cronograma e as etapas de implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) durante a SP Climate Week 2026, na capital paulista. Representantes da secretaria participaram de painéis com o setor produtivo e o mercado financeiro para alinhar o avanço da agenda regulatória.
Durante a programação da Brazil Climate Solutions 2026, a secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, ressaltou que a regulação atua como indutora de inovação para a indústria nacional. “Entendemos que o Brasil está em posição para liderar a transição rumo a uma economia de baixo carbono, utilizando o sistema de comércio como instrumento central. O mercado regulado de carbono não surge para penalizar a indústria, mas para criar vantagem competitiva”, disse no painel Mercado Regulado de Carbono e o SBCE: do marco legal ao vetor de descarbonização, realizado na sexta-feira (7/08).
Cristina Reis destacou que as modelagens desenvolvidas pelo Ministério da Fazenda, em parceria com o Banco Mundial, indicam que a operação do mercado regulado de carbono tem potencial para gerar um acréscimo de quase 6% ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional até 2040, chegando a 8,5% até 2050. Esse crescimento vem acompanhado de uma projeção de redução de quase 30% nas emissões de gases de efeito estufa das indústrias reguladas no mesmo período.
Além do impacto no PIB, a arrecadação governamental com os futuros leilões das Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) pode alcançar R$ 114 bilhões até 2050, segundo a secretária. Nos termos da legislação, 75% desses recursos serão obrigatoriamente revertidos ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) para financiar projetos de descarbonização e transição tecnológica do próprio setor produtivo.
A exportação de créditos e a atração de capital estrangeiro também pautaram a semana. No painel Convergência entre instrumentos do mercado de carbono, a coordenadora-geral de Registro e Infraestrutura de Mercado da SEMC, Nathalie Vidual, detalhou as diretrizes para a transferência dos chamados ITMOs (Resultados de Mitigação Internacionalmente Transferidos).
Esses ativos representam unidades de redução de emissões que poderão ser negociadas entre países sob o Artigo 6º do Acordo de Paris, ajudando nações compradoras a cumprirem suas metas climáticas (NDCs). De acordo com Nathalie Vidual, antecipar as regras para essas transferências, cujos resultados de mitigação valerão para o período de 2031 a 2035, garante a previsibilidade necessária para a atração de investimentos. “O planejamento e a conversão de créditos devem começar muito antes de 2031. O Brasil estará pronto para a implementação plena por meio de transparência e diálogo contínuo”, declarou.
O debate foi realizado na terça-feira (4/08) em parceria pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela International Emissions Trading Association (IETA).
No debate Mercado Voluntário: discussões atuais e ITMOs, o chefe de Comunicação e Articulação da SEMC, Gabriel Carmona, destacou o projeto de longo prazo que vem sendo construído ao longo dos últimos anos com foco na transformação ecológica da economia brasileira. Ao apresentar volumes de recursos, leis aprovadas e novos arranjos regulatórios, Gabriel Carmona destacou que o Estado brasileiro fez uma aposta na transformação ecológica como um novo vetor de desenvolvimento econômico e social. Estratégias como o Eco Invest Brasil, o SBCE, a reforma tributária ou a Lei dos Combustíveis do Futuro e do Hidrogênio de Baixo Carbono são uma bússola para o setor produtivo de qual direção o Estado está enxergando grandes oportunidade produtivas de desenvolvimento.
Próximos passos regulatórios em 2026
Para garantir previsibilidade às empresas que serão reguladas, as próximas entregas do cronograma oficial do SBCE para este ano incluem:
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Setembro: Abertura da consulta pública do Programa Brasileiro de Compensação de Emissões (PBCE), que definirá as regras e limites para o uso de certificados de compensação de emissões dentro do SBCE;
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Dezembro: Publicação oficial dos decretos que instituem o Programa Brasileiro de Monitoramento, Relato e Verificação (PB-MRV) e o PBCE, estabelecendo as diretrizes para o relato de emissões e a geração de créditos no mercado brasileiro.
Agenda da SEMC na capital paulista
Confira os demais eventos que contaram com a participação da SEMC na SP Climate Week:
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3 de agosto: ECCON Soluções Ambientais, painel com foco na estruturação do mercado regulado brasileiro e no desenho do SBCE;
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4 de agosto: DiálogoS Horizons – Financiamento climático em escala, um debate centrado na mobilização de capital internacional por meio da colaboração público-privada;
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5 de agosto: II Fórum de Finanças Sustentáveis, sobre o papel da regulação estatal para induzir a transição climática, e o debate Carbono em Transformação, que analisou tendências globais e perspectivas para empresas e investidores;
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6 de agosto: Painel Construindo Cidades Resilientes, parte do Fórum de Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis. O encontro debateu as oportunidades de financiamento via Fundo Clima para a descarbonização dos insumos da construção civil.
Esta matéria foi produzida durante o defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e não foi divulgada em cumprimento às vedações legais estabelecidas pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). Este conteúdo está sendo divulgado após o prazo de vedação estabelecido pela legislação.


