A partir das mudanças tecnológicas que ocorreram nas últimas décadas que aprofundaram o uso tecnologias, a CT&I passa a ser cada vez mais fundamentais e determinantes para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país e sociedade, com consequências diretas para o mercado de trabalho e para a demanda pela qualificação de profissionais.
O desenvolvimento científico e tecnológico também introduziu novos temas de pesquisa, que foram levados à pauta do debate na sociedade, e grande parte deles referem-se à relação do homem com o meio digital e o impacto sobre a sociedade e pessoas, profissões, trabalho, negócios. O tema relacionado ao meio ambiente, notadamente à sua sustentabilidade. Discutidos em nível mundial, esses temas trazem para a consciência pública a necessidade de mais informações e maior participação e controle.
Lixo, poluição da água e do ar, o futuro do trabalho, as tecnologias de produção, mudanças climáticas, e outros mais, sustentabilidade, energia limpa e renovável, tecnologias de inteligência artificial, recursos naturiais... são temas que afetam a todos e envolvem valores e atitudes de indivíduos que podem por em risco a sobrevivência, segurança e bem-estar não apenas deles mesmos, mas também da sociedade em que vivem.
Novos questionamentos relativos à responsabilidade social do conhecimento e à conquista da cidadania são igualmente incorporados ao debate, de modo a que os indivíduos desenvolvam maior consciência e responsabilidade pelos seus atos. O desenvolvimento científico e tecnológico atinge, assim, o cidadão comum, que muitas vezes está longe do mercado técnico-científico, mas que deve possuir um pensamento crítico e reflexivo para se posicionar diante dos problemas que o rodeiam.
Deverá estar cada vez mais incorporado ao cidadão o espaço dos seus direitos e deveres, influindo no caminho das soluções técnico-científicas e pressionando pela incorporação dos benefícios sociais da pesquisa científica e tecnológica ao seu cotidiano. Bem-estar, segurança e sobrevivência são objetivos a serem perseguidos pelo desenvolvimento científico e tecnológico para toda a humanidade.
Porém, para que essa dimensão se concretize, é preciso que os resultados científicos e tecnológicos sejam divulgados para além da academia e alcancem a sociedade, realizando, assim, a popularização da ciência. Nesse sentido, a pesquisa científica e tecnológica deverá ouvir mais a sociedade e, por outro lado, a sociedade deverá acompanhar mais esse desenvolvimento, por meio da sua divulgação para um público amplo.
Para isso, a formação escolar deverá desenvolver hábitos mentais e atitudes que atendam ao indivíduo nas suas necessidades formativas e informativas, para que ele se torne efetivamente um cidadão consciente de seus direitos e deveres e capaz de exercer a democracia, lidando com o diferente e o antagônico.
Por outro lado, a formação do indivíduo está cada vez menos restrita ao espaço escolar. Ampliaram-se os espaços de formação complementar, como museus e centros de ciência, exposições, publicações etc., que efetivamente contribuem para a cultura científica, despertando o interesse pela ciência e ampliando o conhecimento de sua importância no cotidiano da vida social moderna, bem como para a conservação do patrimônio histórico e cultural de um povo.
A formação do cientista e do tecnólogo, portanto, deve estar aberta às questões éticas do desenvolvimento científico e tecnológico, como também para discutir a responsabilidade ético-político-social do cientista.